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Contra o alarmismo, pensar, pensar

quarta-feira, 30 de março de 2016

Ontem houve um tiroteio na Ameixoeira. Certamente estarão a par da coisa, abstenho-me de a explicar. Duas famílias, caçadeiras, tiros e a PSP. Os directos televisivos não tardaram, as análises especulativas rapidamente se iniciaram e quando os factos foram chegando, as análises mantiveram a especulação utilizando a extrapolação, essencial ao preenchimento de 24 horas de informação repetida, mastigada, escarrada e com poucos minutos de verdadeira informação.

Detenho-me em dois momentos a que assisti.

José Alberto Carvalho, na TVI24, mesmo antes do intervalo, lança a seguinte pergunta (transcrição de memória): "Será que este episódio poderá levar a uma escalada de violência? É esta resposta que vamos tentar dar depois do intervalo."
Fica o espectador a matutar no assunto, a preocupar-se com esta hipótese, a aumentar na sua cabeça a necessidade do aumento de segurança, de polícia nas ruas, etc, etc...

A propósito de um certo "Avante!"

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Imagina que passavas a tua vida inteira num quarto isolado sem qualquer contacto com o exterior. Imagina que a esse quarto, chegava um só jornal e tinhas acesso a um só canal de televisão. Imagina que se quisesses ver cinema só podias escolher entre 5 filmes. Livros também eram só 5. E a realidade? Melhor, e a tua percepção da realidade?

Não vives num quarto isolado das outras pessoas. Conversas, deslocas-te consoante as tuas possibilidades, até és capaz de atravessar oceanos, por mar ou por ar, lês os livros que te apetece ler, vais ao cinema ou pelo menos vês filmes em casa, vais ao teatro (vais?), tens acesso a cada vez mais canais de televisão e passas horas a ser bombardeado com informação nesses canais, nas bancas de jornais, na internet, na internet e na internet. Mesmo quando não te apercebes ela está lá, bem à frente dos olhos, de forma mais ou menos explícita.

Je pourrais être Mourad Hamyd

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

12 mortos. Vimos as caras dos cartoonistas, a cara do polícia. 3 suspeitos. Vimos a cara dos irmãos Kouachi, entretanto mortos, e soubemos que Mourad Hamyd, cunhado de Cherif Kouachi, era o terceiro suspeito, presumivelmente teria guiado o carro da fuga. Durante várias horas eram 3 os suspeitos, para muitas pessoas em todo mundo eram 3 os assassinos, mas Mourad entregou-se à polícia francesa e com ele trazia a prova da sua inocência: à hora do ataque estava na escola. Colegas e professores rapidamente o apoiaram e confirmaram essa informação. Para os orgãos de informação, o terceiro "suspeito" era agora inocente, mas o epíteto "suspeito" continuava lá.

Hoje as coisas tomaram outro rumo, infelizmente um rumo com mais ataques, com mais sangue e com mais mortes. Já quase não se menciona Mourad Hamyd, mas desgraçadamente ele continuará sempre a ser "suspeito". Não para a maioria, mas para uma minoria em número suficiente para dificultar muito a paz e o sossego do resto da vida de Mourad.