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Ela é que guia, e então?

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Quando começámos a namorar ela já tinha a mota. Confesso que sempre tive algumas dificuldades (chamemos-lhe medo, pronto) em andar de mota, o que fez com que só passado vários meses me tenha sentido confortável, e a esforço, para me deslocar no dito veículo. Mas era estúpido não usufruir da mobilidade extra que se ganha numa Lisboa caótica e portanto tenho enchido o peito e temos ido a sítios com ela ao volante.

Ela vai sempre ao volante porque o passo de ser eu a conduzir de vez em quando não é fácil. Para começar aprendi a andar de bicicleta tarde e mal - sou um Indurain em estrada aberta, mas quando é preciso parar e retomar a marcha muitas vezes ou contornar obstáculos de forma constante, rapidamente me transformo numa criança de 3 anos que ainda não percebeu o que é isso de coordenação motora -, e nunca na minha vida experimentei fazê-lo em cidade. Ora, portanto, a passagem para as duas rodas e com motor, no meio dos buracos, dos semáforos verde-tinto, das ciclovias cheias de peões, etc., não será fácil...

Mas este texto não é sobre a minha dificuldade (medo) em pilotar uma vespa, é sobre os olhares que nos lançam quando a vêm a ela, mulher, ao volante, e a mim, homem, à pendura. E não são poucos nem de raspão. Há quem fique especado, com aquela expressão na cara de quem ainda acha que "parece impossível, um gajo daquele tamanho ser conduzido por uma gaja..."

1% da população tem mais riqueza acumulada do que os restantes 99%

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Há quem diga que aquela coisa dos 99% é uma treta, que é um número exagerado. Foi divulgado o relatório anual da OXFAM - organização não-governamental britânica - dois dias antes do Fórum Económico Mundial de Davos (FEM), e eis alguns dos números e dados que nos chegam:

- 1% da população tem mais riqueza acumulada do que os restantes 99%;

- a OXFAM previa que atingíssemos estes números em 2016, eles foram atingidos em 2015;

- em 2015, 62 pessoas tinham acumulado tanta riqueza como os 50% da população mais pobre - há cinco anos a correspondência era de 388 pessoas para os mesmos 50%;

De que lado estás? As lições do Occupy Wall St.*

quarta-feira, 14 de maio de 2014

O meu pai era mineiro
Hoje é sol e ar
E há-de estar com os trabalhadores
Até a luta terminar

De que lado estás?
De que lado estás?
De que lado estás?
De que lado estás?

Dizem que no Condado de Harlan
Por lá não há neutrais
Ou és do sindicato
Ou um capanga do J.H. Blair

De que lado estás?
De que lado estás?
De que lado estás?
De que lado estás?



É assim a canção que os mineiros estado-unidenses cantavam nos anos 30, quando enfrentavam, ombro a ombro, a avidez dos patrões. Nos anos da Grande Depressão, o deus-banqueiro defenestrava uns capitalistas do alto dos arranha-céus e multiplicava a opulência de outros, enquanto o desemprego e a miséria deserdavam toda a classe trabalhadora. Hoje, os EUA voltam a conhecer níveis análogos de desigualdade, os mais altos em 80 anos, mas agora são os trabalhadores que se atiram das janelas.