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O delírio "europeu"

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O parlamento europeu discutiu recentemente uma resolução sobre medidas a adoptar pela "Europa" (leia-se, pela União Europeia) contra alegada propaganda russa contra "os valores europeus" e "a democracia liberal". Num debate feito à sombra do progressivo colapso "da Europa", uma boa parte dos eurodeputados optaram por justificar a desconstrução em curso da União Europeia com um dedo apontado aos inimigos externos, com a Rússia em primeiro plano.

Nos Estados Unidos o discurso é semelhante, com uma parte dos "liberals" do Partido Democrata a acusar a Rússia de ter procurado influenciar e manipular os resultados das eleições que, através de um pervertido e obsoleto sistema eleitoral, colocaram Donald Trump, o segundo candidato mais votado, na presidência federal. Nenhuma prova concreta, para lá dos soundbytes mediáticos, foi até ao momento apresentada relativamente às acusações formuladas.

Uma pipa de chantagem

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Em Julho de 2014 o então presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, veio a Portugal anunciar 26 mil milhões de euros de fundos comunitários para apoiar Portugal e a sua economia. Nessa altura referiu-se aos "apoios" comunitários como "uma pipa de massa", e prescreveu uma mordaça àqueles que "dizem que UE não é solidária". Acontece que dois anos passaram, Barroso alcançou a reforma dourada no polvo financeiro norte-americano Goldman Sachs, e a "pipa de massa" comunitária passou a ser uma arma de chantagem da burocracia de Bruxelas contra Portugal e o tímido exercício de soberania que inverteu algumas das muitas malfeitorias levadas a cabo pelo governo PSD/CDS entre 2011 e o fim de 2015.

O último episódio desta novela de mau gosto e piores interpretes parece ter como protagonista o vice-presidente da Comissão, de sua graça Valdis Dombrovskis. De acordo com o Expresso online, o senhor Dombrovskis terá afirmado no final da reunião do ECOFIN que "a questão da suspensão parcial de fundos estruturais e de investimento para Portugal e Espanha, que está a ser discutida entre o Parlamento (Europeu) e a Comissão, vai depender, em larga medida, das propostas dos Governos de Portugal e Espanha para os orçamentos do próximo ano", o que na prática significa apenas e tão somente isto: a União Europeia penalizará com suspensão de fundos qualquer decisão soberana de Portugal e das suas instituições que fure o dogma que desde há longa data impera nos corredores e nos gabinetes de ex e futuros banqueiros.

Marcelo, o moralista selectivo

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Marcelo, o político pós-político, tem dedicado boa parte da sua asfixiante presidência à proclamação de princípios gerais de uma ética redonda, com a qual todos (ou quase todos) estarão de acordo. Nas recentes comemorações do 5 de Outubro, retomadas depois de alguns anos de interrupção reaccionária, Marcelo optou por enviar recados à chamada "classe política", expressão mediática que procura meter no mesmo saco pessoas e organizações que na prática quotidiana não apenas representam ideias e comportamentos distintos, como o fazem em defesa de projectos políticos muito diferentes. Ora, o que Marcelo disse não levanta grandes objecções em praticamente nenhum sector da sociedade portuguesa. E por isso, o problema não é o que disse, mas antes o que fez e faz.