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A importância de se chamar Socialista

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

É verdade que quando alguém se intitula alguma coisa, por princípio devemos respeitar esse título. Cada pessoa pensa como pensa e sobre isso não há discussão. Mas também é verdade que há pessoas que produzem pensamento e pensamentos com base em pressupostos historicamente e factualmente errados. Apesar de um mesmíssimo facto servir, por vezes, para corroborar teses opostas, há factos que não se prestam a interpretações tão abertas e a leituras tão maleáveis. A estas pessoas, talvez tenhamos de chamar à atenção, talvez tenhamos de lhes dizer de forma franca e aberta que elas não são o que pensam que são.

Vem isto a propósito do "pragmático, reformista e republicano" primeiro-ministro francês, Manuel Valls. Defende Valls que o Partido Socialista Francês talve tenha que mudar de nome. Deixar cair o Socialista. Aplaudo a atitude, escusamos assim de lhe bater à porta e avisá-los que já não são mesmo o que pensam que são.

Que festa é esta, pá?*

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Olha, desculpa lá que me intrometa… mas não pude deixar de ouvir o que estavas a dizer.

É a tua primeira Festa? Pois, então é compreensível. Sabes que apreciar esta festa, tem muito que se lhe diga, a sua arte, o seu mistério. Mas olha, isto não é nada como o Super Bock Super Rock. Esta é a festa do Partido Comunista e do seu jornal, que dá o nome à festa: o periódico do mundo inteiro que mais tempo sobreviveu na clandestinidade. É qualquer coisa, hein?

Ao contrário dos festivais de Verão, tudo o que aqui vês foi feito por militantes comunistas à força de trabalho voluntário. Consegues imaginar quantas horas foram precisas para montar tanto ferro, para pintar tantos murais, para organizar tudo tão bem? Estás numa cidade inteiramente movida a sonhos e erguida de ideais. É por isso que é tão bonita. É por ser a festa dos comunistas que ela é como é: um lugar onde a toda a hora se ouvem coisas, noutra parte estranhas, como «Fica aqui pá, que eu vou ali a Aveiro perguntar se eles precisam de ajuda» porque é a gente que quer dar e sem receber nada em troca, a não ser a garantia dialéctica de que a causa é justa e a certeza empírica de que quanto mais dermos todos, mais ricos também todos seremos. Não acreditas em mim, não é?

Amor é Comunismo

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Amor é comunismo (Já está. Agora vá, faz lá esse sorriso cínico. Pronto. Já passou? Então respira fundo, deixa-te de merdas e lê-me lá até ao fim, se faz favor).
Quando em 2006 Chávez foi reeleito, o parque de Miraflores trocou o verde tropical pelo vermelho sanguíneo. Era a imensa multidão dos pobres de Caracas, pobres de uma pobreza antiga, que tinha vindo ouvir o Presidente, o seu Presidente. E por segundos, quando Chávez falou, a praça pareceu tomada de um silêncio imperscrutável – misterioso. Como se quinhentos anos de servidão tivessem por fim findado ou um velho encantamento se levantasse ao som das suas palavras: “Que ninguém tenha medo do socialismo, porque o socialismo é fundamentalmente humano: socialismo é amor, é solidariedade (…) e o meu coração declara-vos o meu amor infinito”. Não é difícil sentir a franqueza de Chávez, mas mais que genuíno, recuperava uma ideia problemática e inexplicavelmente esquecida pela esquerda: a ideia de que o comunismo é o nome político do amor.