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Carta aberta - 1% salva mil cornucópias

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Carta aberta - 1% salva mil cornucópias

Desta vez foi anunciado o fim do Teatro da Cornucópia. Naturalmente, não somos indiferentes a esta decisão e notícia, mas também não ficamos surpreendidos. É cada vez mais frequente vermos estruturas e projectos a encerrar ou a prosseguir à custa da descaracterização profunda do seu projecto artístico. Quem seguiu o trajecto de desinvestimento público na criação artística sabia bem que os actos resultariam em empobrecedoras consequências, o encerramento da Cornucópia é uma das mais visíveis.

Entre muitas declarações públicas, ouvimos o Presidente da República, debaixo dos focos da comunicação social, indagar o Ministro da Cultura sobre possíveis soluções para um caso concreto. Preferíamos que o Presidente da República se tivesse indagado publicamente sobre como foi possível, décadas a fio, sucessivos governos desrespeitarem a Constituição e terem activamente contribuído para o definhamento do tecido social da criação artística em Portugal. O esvaziamento contínuo da criação artística conduz a um consequente empobrecimento da sociedade e da sua capacidade de expressão. Contrariar este esvaziamento é garantir-lhe a liberdade a que tem direito.

'TAP'ar o sol com cinismo

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

É de um cinismo atroz e insultuoso. O ministro Pires de Lima acaba de anunciar a requisição civil invocando o facto de a TAP prestar “serviços essenciais de interesse público” e fundamentais para o “funcionamento de sectores vitais da economia nacional.” Ao mesmo tempo que, no âmbito desta requisição civil, o governo se apresta a reconhecer a importância da TAP para o nosso país, prepara-se igualmente e com afinco para vendê-la o mais depressa possível ao grande capital estrangeiro.

Outra tirada cínica do governo é contestar a greve por considerá-la “ideológica”. Em primeiro lugar, muito cuidado com esta “gente”. Cuidado com “gente” que já não se mede nem mede as palavras, dando-se ao atrevimento de impor inibições ou proibições por razões “ideológicas”. Além disso, invoca-se uma posição ideológica como se a decisão da privatização e da entrega da TAP a privados não fosse ela outra coisa que não uma clara opção ideológica do governo. Como se aquilo que interessa aos privados não pudesse interessar também ao estado português. Como se os privados se arriscassem a querer algo potenciador de prejuízos, sem vislumbrar no embrulho a carne tenra da aviação nacional. Como se os despedimentos no privado também já não estivessem perfeitamente estabelecidos “debaixo da mesa”.

Conferência nacional «Serviço Público e bem comum»

terça-feira, 7 de outubro de 2014

No próximo sábado, 11 de Outubro, o Grande Auditório do ISCTE em Lisboa, acolhe a Conferência Nacional «Serviço Público e Bem comum», a partir das 14h30. A iniciativa é organizada pelo Apelo «Em defesa de um Portugal soberano e desenvolvido» e tem entrada livre.

Lê-se na convocatória do evento "A Constituição da República Portuguesa constrói um sistema de direitos rigorosamente articulados e, tanto quanto possível, hierarquizados e, em larga medida, responsabiliza expressamente o Estado pela criação de condições favoráveis ao seu exercício. Ao longo do último século, o elenco desses direitos veio a ampliar-se, a aprofundar-se e a tornar-se mais rico e complexo. Os trabalhadores e os povos foram conseguindo a inscrição jurídico-política de direitos económicos, sociais e culturais; direitos, ditos de segunda e terceira geração", salienta-se no documento.

Recordamos que em Dezembro de 2011, vinte e quatro personalidades democráticas subscreveram o Apelo «Em Defesa de um Portugal Soberano e Desenvolvido». Posteriormente, realizaram-se em Lisboa, duas conferências e uma convenção nacionais a que se somam vários debates em capitais de distrito e outros pontos do País. Esta Conferência é mais um momento de reflexão e discussão de todos os democratas, homens e mulheres de esquerda, no debate de questões sobre os quais os portugueses terão de reflectir e decidir. A página da organização no facebook, pode ser consultada aqui