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O João Miguel Tavares devia receber o salário mínimo

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Devia haver um dispositivo de choque nos dedos de cada vez que se escrevem mentiras nos jornais. Mas pior do que mentira é a ignorância abissal que grassa nos textos de João Miguel Tavares. Aliás, mais do que ignorância, burrice. Em primeiro lugar porque não sabe o que é valor líquido e valor bruto. Em segundo lugar porque percebe zero de salários. Em terceiro lugar porque nunca deve ter visto um recibo de vencimento na vida. Em quarto lugar porque a ignorância é mesmo muito, muito atrevida. E este senhor devia ter vergonha na cara por se atrever a escrever tantos disparates juntos.

Assim, para atacar os seus habituais némesis, entre os quais o PCP, afirma que o salário mínimo não é 557 euros mas 877,3 euros (sim, ele disse isto). E nem vou falar de tudo porque o meu estômago se embrulhou todo logo nos primeiros parágrafos.

O SMN, a TSU e a "visão de futuro" dos patrões para um novo século XIX

Nuno Carvalho, sócio-gerente da marca Padaria Portuguesa, falou à SIC Notícias sobre a questão do aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) e a eventual descida da TSU. Aquilo que disse já foi motivo de grande alvoroço público, coisa que me espanta na medida em que o "empreendedor" entrevistado não refere nada que não tenha sido dito por outros seus compadres antes e seguramente depois da sua muito comentada intervenção pública.

O que me parece particularmente interessante é o facto de Nuno Carvalho não se ter referido à questão do aumento do SMN, preferindo deter-se noutras matérias que quem acompanha os processos de negociação sabe que são aquelas verdadeiramente relevantes para uma fatia importante dos patrões: a flexibilização da legislação laboral, nomeadamente ao nível da precarização das formas de contratação, liberalização dos despedimentos e desregulação dos horários de trabalho. Sempre acenando com a cenoura na ponta da cana: a ideia de que mais "flexibilidade" (leia-se precariedade) promove mais produtividade e "permite aos colaboradores ganharem mais dinheiro à medida que os negócios evoluam". A Padaria Portuguesa, que hoje tem uma loja em cada esquina da cidade de Lisboa, é bem a prova de que as coisas não funcionam assim; e os casos em que relações laborais precárias e melhor distribuição de rendimentos se compatibilizam são quanto muito raríssimas excepções que confirmam a regra oposta.

Produtividade

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Não há guru da gestão, comentador de assuntos económicos ou especialista em generalidades que não apresente ciclicamente o argumento da produtividade na hora de discutir aumentos salariais no país com mais baixos rendimentos da europa ocidental. Aumentos sim, mas apenas em tese, género de difusa intenção agendada para o dia do tal santo - o de "São Nunca à tarde" - que não chega.

A recente mexida no valor do salário mínimo em ridícula quantia, que deveria encher de vergonha aqueles que subscreveram um acordo que mete os trabalhadores a pagarem boa parte do "aumento" que vigorará até final de 2015, vem colocar a nu a treta da produtividade. Recordo as palavras de Mota Soares no início de Outubro: "Qualquer aumento do salário mínimo é um aumento que está para ficar. Fundamental é ligarmos sempre actualizações futuras do salário mínimo à produtividade do país". Pois bem, não foram precisos muitos dias para que o mesmíssimo governo viesse afirmar publicamente, em resposta "à troika", que a subida do SMN não é assim tão significativa, e que além do mais o "salário mínimo subiu abaixo da produtividade". Devem estar radiantes, a UGT e restantes organizações patronais. A produtividade é retórica, não é argumento real. Sobretudo num país onde produtivos são fundamentalmente os de baixo: os operários mais indiferenciados e sobretudo aqueles mais especializados, trabalhadores administrativos que não raras vezes desenvolvem trabalho muito para além do que é suposto, os técnicos superiores pagos miseravelmente, os quadros intermédios que não raras vezes transportam às costas o peso e a pressão de empresas que jamais lhes reconhecerão méritos.