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Exaustão médica: Realpolitik VS. A Puta da Realidade

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Quando vamos ao médico queremos ser atendidos bem, rapidamente e de preferência sair de lá curados. Calculo que todos os profissionais que nos atendem no SNS e no privado desejem o mesmo, Hipócrates assim obriga. Certamente que, como em todas as profissões, haverá melhores e piores profissionais, é o que é, não há grande volta a dar. Mas no caso dos médicos e médicas, quando há um erro é grave, é mais grave do que em quase todas as outras profissões. E não são poucas as notícias que nos chegam de possíveis negligências médicas ou de consultas que demoraram meses a acontecer e depois foram despachadas em minutos.

E se devemos continuar a exigir que principalmente no SNS a excelência, a paciência, a simpatia, o profissionalismo, a dedicação, sejam as únicas bitolas possíveis, o que fazer quando nos deparamos com um clínico que não dorme há mais de um dia inteiro? Que tem o cansaço de anos totalmente estampado no rosto? Que é obrigado a fazer horas extraordinárias sem fim e sem pagamento? Que aceita tudo isto porque Hipócrates assim obriga e porque o SNS tem de fazer tudo para ser eficaz, para combater as listas de espera, para combater a desorganização provocada pela falta de médicos, enfermeiros, auxiliares e administrativos.

E de repente ficamos a saber que "quase metade dos médicos da zona centro do país apresenta sinais de exaustão emocional, um fenómeno também conhecido por burnout. Um estudo agora divulgado pela secção centro da Ordem dos Médicos revela que um em cada quatro clínicos sofre de depressão. Os médicos mais jovens e os do sexo feminino são os mais afectados."

A IVG e os direitos da mulher - o muito que ainda há por fazer

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Imagina que engravidas.
Imagina que decides fazer uma IVG.
Imagina que vais ao hospital fazer a consulta.
Primeiro, fazem-te uma ecografia, para aferir o tempo de gravidez.
Depois, marcam-te para uma semana depois, para a consulta com o/a médico/a.
Agora imagina:

Entras. Perguntam-te as habilitações académicas. Dão-te um papel. Não te explicam nada. Perguntas como é o procedimento.
«Está no papel que lhe dei».

Quem matou David Duarte?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A morte do David Duarte não tem outro nome. É um assassinato. E quando assim é, a culpa não é só de quem dispara. É também de quem aponta e de quem dá a ordem. É de quem o encaminhou para um hospital sem recursos humanos, é de quem deu a ordem de limitar o financiamento à assistência hospitalar e é de quem a executou. É, principalmente, do anterior ministro da Saúde que, antes, havia sido administrador de uma seguradora e que seguiu os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros na gestão do Serviço Nacional de Saúde. É de Passos Coelho e de Paulo Portas que nos chamaram piegas e exigiram que aguentássemos a tragédia sem protestar.

Este é o retrato de um país esmagado pelas políticas impostas por PS, PSD e CDS-PP a mando do FMI, da UE e do BCE. Se a raiva que nos corre nas veias é a mesma de quando vemos os corredores hospitalares cheios de macas como se tivesse havido um terramoto, se é a mesmo de quando vemos os nossos idosos pedir esmolas pelas ruas, se é a mesma de quando as entradas das lojas se enchem de sem-abrigo ou de quando os aeroportos são a porta de saída dos nossos familiares, se é a mesma de quando temos, uma e outra vez, de deixar de alimentar decentemente os nossos filhos para pagar a dívida dos bancos, se é assim, então, não temos de nos espantar quando outros povos arrastam violentamente do poder os carrascos que os conduzem ao abismo. É urgente romper com o capitalismo.