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O choque da pobreza cubana

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A morte de Fidel foi mais um pretexto para a o avanço da ideologia dominante na propagação da ideia de que ou há este caminho ou não há caminho nenhum. Da social-democracia mais à esquerda ou mais à direita, poucos são os que têm coragem de assumir que as conquistas cubanas são tão profundas e importantes que não podemos compará-las com as democracias haitianas, porto-riquenhas ou dominicanas. É que, por incrível que possa parecer, é com esses países que Cuba deveria ser comparada. Porque foram países brutalmente colonizados, explorados nos seus recursos e nos seus povos. Porque era lá que os homens de família que deslocavam em negócios de saias, enquanto enchiam a boca com o moralismo e a santa madre igreja. No entanto, o progresso cubano foi tão expressivo que o comparamos com os países desenvolvidos, ou exploradores, como preferirem. E, por incrível que possa parecer, Cuba supera esses países em categorias tão importantes como a saúde infantil, materna, educação, tratamento do HIV, acesso à habitação. Mas o que importa isso?

O China era o gajo mais fodido do Pendão

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Os putos brancos ricos tinham medo dos putos brancos pobres. Os putos brancos pobres tinham medo dos putos pretos. Que invariavelmente eram pobres. Já os putos pretos só tinham medo da polícia. Que por sua vez tinha medo dos ciganos, invariavelmente mais pobres que os brancos pobres. E os ciganos, que não tinham medo de ninguém e se riam da morte, da polícia e da prisão, tremiam de medo do China, que era o gajo mais fodido do Pendão.

Ninguém se lembra de que turma era o China. Em que ano andava ou que notas tinha. Porque o China, que estava na vida como na escolaridade obrigatória, vinha aos pontapés, a cair por aí abaixo «Deixe aprender os que querem aprender!», cumprindo a única lei que conhecia: a lei da gravidade da miséria. «Che, dread, gira um euro, deixa só ver esse móvel», «Queres que meta um furo na barriga?» E tu giravas, deixavas ver, com permissão teórica, porque sabias que o China sabia bem aquilo que tu sabias: o que um pobre quer saber de um rico é sempre uma pergunta retórica.

Lisboíte aguda

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

"Vê-se que não é de Lisboa". Podia ser um comentário de café. Podia ser uma boca parva que se ouve na rua. Podia ser uma afirmação sobranceira de um lisboeta a propósito daquilo a que alguns gostam de chamar província. Mas não. Foi mesmo o argumento político do Vereador Duarte Cordeiro enquanto interrompia fervorosamente a intervenção do PCP na Assembleia Municipal de Lisboa no debate anual sobre o Estado da Cidade de Lisboa.