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O velho exame da velha escola

terça-feira, 19 de maio de 2015

A criança tem 9 anos e vai de rosto fechado pela rua fora, como todos os dias. Mas hoje, ao contrário do que é habitual, não me disse bom dia. A princípio, não percebi muito bem porquê. Os pequenos também têm as suas “consumições”, dizia a minha avó, foi o que pensei. Depois despertei. É dia de exame. A criança está absorvida por preocupações. Dia de martírio. De ser encostada à parede. Dia em que, pela primeira vez, aquela criança será sujeita à solenidade terrível de uma espécie de julgamento precoce em que todo o ambiente, todo o contexto à sua volta não propicia senão o nervosismo, a ansiedade, o medo e a insegurança. Os exames finais não são pedagogia em parte nenhuma do mundo. São apenas tormento.

Caos? Qual caos?

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Não há caos absolutamente nenhum. Na Justiça está tudo normal. Tirando o facto de o sistema estar paralisado, o curso dos processos suspenso, a confiança dos cidadãos na justiça contaminada e os juízes falarem de uma situação “gravíssima” e “preocupante”, tirando isso, está tudo bem.

Na Educação também não há caos absolutamente nenhum. Tirando o facto de o concurso ter sido anulado, de haver milhares de professores sem colocação, de haver turmas sem professores há semanas, de o ministério se descartar atirando responsabilidades para cima das escolas, tirando isso, está tudo bem.

O bullying não acaba na Escola

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Nélson tinha 15 anos e era vítima de bullying na escola. Este fim-de-semana o Nélson não aguentou mais e decidiu deixar de ser humilhado, matou-se. Apesar de já ter acompanhamento psicológico no próprio estabelecimento de ensino, o director da mesma consegue afirmar que na quinta e na sexta o Nélson esteve na escola e não estava a viver uma situação diferente do normal. Só que o normal do Nélson era sair de casa com medo. O director diz que realmente tinha havido uma "brincadeira". É assim que o bullying continua a ser encarado por alguns, como uma "brincadeira".

O Ministro da Educação, Nuno Crato, já reagiu: é necessário ser inflexível com o bullying. A Confederação das Associações de Pais também já disse ao Ministro que se ele continua a cortar na Educação, é muito natural que a vigilância destes casos e o apoio às vítimas sofra consequências sérias. E este mesmo Ministro que se mostra intransigente com o bullying, é o mesmo que desde que ocupa o lugar não faz outra coisa que não seja coagir os trabalhadores que tutela. O bullying não acaba na Escola. Este governo e o capital sabem disso, e praticam-no a cada dia, sem olhar a danos colaterais.