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Eles vivem acima das nossas possibilidades

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Em 2008 era assim. Por incrível que pareça, e apesar da campanha ideológica de apologia da distribuição de rendimentos do Ocidente, a verdade é que cada um dos 100 mil portugueses mais ricos têm um rendimento superior a cada um dos 13 500 milhões mais ricos da República Popular da China ou do que cada um dos 12 milhões de indianos mais ricos.


Apesar de os Estados Unidos terem um PIB 60 vezes maior que o de Portugal, e apesar de os 1% americanos corresponderem a 3.200.000 pessoas (32 vezes que os 1% portugueses)  cada um dos 1% mais ricos de Portugal conseguem obter praticamente o mesmo que cada um dos 1% mais ricos americanos. Quem é que anda a viver acima das nossas possibilidades?

Gostar de futebol não é alienação

sábado, 14 de junho de 2014

Quando era puto, não havia muito que fazer. Enquanto os nossos pais e avós trabalhavam nas oficinas, na construção e nas fábricas, sobrava tempo para intermináveis jogos de futebol. As balizas do ringue não duraram muito. A partir desse dia passámos a usar pedras ou as próprias mochilas quando regressávamos da escola. Às vezes, quando entendíamos que tínhamos direito aos nossos mágicos duelos em campos mais apropriados, arriscávamos. Atravessávamos um descampado, onde nos duros tempos da heroína se injectava toda uma geração, fugíamos duma matilha de cães que guardava várias oficinas e saltávamos um muro que protegia o ringue de uma associação.

Às vezes, tropeço em análises exageradas sobre a tragédia que representa o futebol para certo tipo de intelectuais. Não é tão simples. Os mecanismos que o capitalismo usou para transformar o desporto numa arma de alienação não são diferentes dos que usa para fazer de outras esferas da nossa vida uma arma ao seu serviço. Contudo, acreditar que a maioria dos portugueses que festejam a vitória das suas equipas são politicamente descerebrados é escamotear o facto de que boa parte dos portugueses, entre os quais muitos adeptos de futebol, participaram nas manifestações que trouxeram para as ruas gente como há muito não se via.