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Gálatas 5:1

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Fátima Romaneiro era militante do PCP, foi resistente anti-fascista e morreu no passado dia 1 de Novembro. Era católica praticante, frequentava a igreja todos os domingos e nos últimos 15 anos fora anualmente a Fátima, a pé, em peregrinação. Era conhecida do pároco e de toda a gente na paróquia. Quis como última vontade que na hora da sua despedida estivessem presentes ou simbolizadas as duas vertentes da sua vida: ter funeral católico e a bandeira do PCP pousada sobre o caixão. Dentro da igreja, ao ver a bandeira sobre a urna, o sacerdote ordenara de imediato a sua retirada. Como é evidente, por decisão da família, a bandeira foi mantida. O sacerdote decidiu então retirar-se ele próprio, negando-se a prosseguir as exéquias. Conclusão da história: esta fiel católica, devota, cumpridora dos rituais sagrados, por ser também comunista e querer expressar simbólica e livremente a sua militância num país que consagra a livre expressão, livre opinião e livre filiação partidária, acabara por ser sepultada com um Pai-Nosso e palmos de terra. Uma longa vivência espiritual. Tão triste e revoltante fim.

Da pobreza: o elefante rico e a formiga desorientada

domingo, 6 de julho de 2014

Escrever uma história é difícil, mais difícil ainda é escrever uma boa história, daquelas que prendem desde o início, que nos fazem apaixonar pelas personagens e pelos seus trajectos. Não esquecer que uma boa história deve conter algumas mudanças inesperadas na narrativa, para ficarmos de boca aberta e com vontade de ler, ouvir ou imaginar mais. O final é o mais difícil, é aquela parte em que há quem prefira finais felizes, há quem goste de finais realistas, "porque a vida é mesmo assim", e há quem goste de finais dramáticos, cheios de sangue, suor e lágrimas, muitas lágrimas.

Uma história que meta gente pobre tem todos os condimentos para se tornar numa boa história. Há a possibilidade de estarmos perante personagens que se apaixonam fatalmente por personagens ricas, apostando num amor impossível; personagens que nascem pobres, vivem pobres e morrem pobres, estas servem para nos mostrar a sorte que temos em não sermos famintos; e personagens que ascendem na hierarquia social a pulso. Esta última categoria de personagens é aquela que oferece as maiores possibilidades de nos dar uma belíssima história, um(a) "self-made man/woman", um(a) lutador(a), um(a) vencedor(a). Começar do zero, do nada, e chegar ao interminável é encorajador, empolgante e tem ainda o condão de nos mostrar que para chegarmos lá basta querermos muito e trabalharmos para isso.