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Drone bomb me*: como os EUA constroem monstros universais

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Chamem-lhe teorias da conspiração, chamem-lhe fanatismo, chamem o que quiserem, mas basta procurar um bocadinho pelos sítios onde a informação não é detida por senhores da guerra e do dinheiro e o rasto está lá: para quem o quiser ver.

O Daesh, esse último grande monstro universal, afinal quer o quê e está ao serviço de quem?

Turquia, a nossa grande raiva*

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

De todos lugares do mundo para fazer explodir uma bomba, uma manifestação pela paz é, por ventura, o mais sórdido. Talvez por isso seja ainda tão difícil compreender o inenarrável manifesto de desumanidade que, este sábado, ceifou pelo menos 130 vidas em Ancara, na Turquia. Depois, atingiram-nos, perplexos, aquelas imagens brutais da polícia a bater nas famílias que choravam os mortos. Ligeira e sem mais perguntas, a comunicação social dominante tratou de abreviar conclusões: «o maior atentado terrorista da Turquia moderna teve a assinatura do Estado Islâmico», repetiram, «assunto encerrado. Já cá não mora o Charlie». Se, por acaso, se tivessem perguntado «quem beneficiou com este ataque», teriam sido obrigados a lembrar-se que, afinal, não foi este, mas outros, como o Massacre de Maraş, em 1978, o atentado mais mortífero da Turquia moderna. Nessa ocasião, foram precisos quase 30 anos para se apurar a autoria do governo, com a colaboração da CIA, na matança de quase 200 militantes de esquerda. Seja como for, há coisas que nunca compreenderemos, que não podem ser humanamente compreendidas. Talvez por isso, Adorno tenha escrito que depois de Auschwitz a poesia se tornara «impossível». Desviar o olhar é, contudo, o privilégio dos espectadores e Adorno podia até dar-se ao luxo de não ser prático, mas a poesia tem justamente o mérito de desvendar a essência dos cenários incompreensíveis. Sirvamo-nos pois, dos versos do poeta e comunista Turco, Nâzım Hikmet. (Hás-de saber morrer pelos homens/E além disso por homens que se calhar nunca viste/E além disso sem que ninguém te obrigue a fazê-lo/E além disso sabendo que a coisa mais real e bela é/Viver)

De Mossul à Babilónia: o triunfo da ignorância e da barbárie.

sábado, 7 de março de 2015

Imagem.
Totalitarismo e ignorância andam quase sempre de mãos dadas. Quando a estes se junta o mais completo e absoluto desprezo pela história de outros povos e de outras territórios  que não são compreendidos para lá dos recursos naturais que guardam, a coisa torna-se dramática, quando não criminosa.

Do Iraque chegam notícias da destruição de estátuas e peças arqueológicas de grande valor por parte de elementos do chamado "Estado Islâmico". A antiga cidade assíria de Nimrud, situada no norte do Iraque, junto à actual Mossul, encontra-se em acelerado processo de destruição às mãos do grupo. Qualquer semelhança com os tristes acontecimentos do vale de Bamyian, no Afeganistão, não são mera coincidência. As semelhanças em todo o caso não se limitam ao âmbito exclusivo do fundamentalismo islâmico de inspiração saudita. O Iraque tem a lamentar a acção directa das tropas norte-americanas sobre locais históricos e arqueológicos de grande importância...