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Doentes mentais

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Na sala de espera do hospital psiquiátrico a máquina de café é o centro das atenções. Não se percebe porquê. Mas também, que raio, há muita coisa incompreensível num lugar destes. E há outras demasiado claras, por vezes tão claras que ofuscam. É como na alegoria da caverna, quando o homem saiu da escuridão não podia ver. Não quer isto dizer que aqui se vê ou se deixa de ver a luz, mas apenas que muita da insanidade pode não ser.

Uma mulher grita que há demasiada gente na sala de espera e que está farta de aguardar, que está a ficar nervosa. É louca, diz o que todos pensam. Mas apesar da gritaria ninguém lhe leva a mal, afinal aquilo é o manicómio. E aqui não há país de brandos costumes. Duas enfermeiras aproximam-se e diagnosticam: “Tomaste dois cafés, só devias ter tomado um, depois ficas assim”. Lá está! A culpa é da máquina do café. Não é da degradação do SNS, da redução do número de médicos nem do encerramento de outro hospital psiquiátrico, e também não é da ideia que doença mental não é doença, é loucura.