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A poesia que arde

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Agora que a poesia não alimenta escaparates e se esconde nas velhas estantes dos alfarrabistas onde se refugiam também os livros daquelas revoluções de que falam os nossos pais talvez seja tempo de alumiar a madrugada. No tempo em que a verdade se vestia de sombras, Bertolt Brecht disparava sem medo demonstrando que às vezes a poesia é de facto uma arma. O dramaturgo e poeta comunista alemão escreveu que a «arte não é um espelho para reflectir a realidade mas antes um martelo para dar-lhe forma».

Os mesmos que queimaram o Reichstag, em 1933, pegaram fogo aos seus livros numa iniciativa pública. E às vezes os versos acertam no futuro como a melhor das balas. «Então, de que serve dizer a verdade sobre o fascismo que se condena se não se diz nada contra o capitalismo que o origina?», perguntou o autor de A Ópera dos Três Vinténs. Depois da derrota do nazi-fascismo, as autoridades da República Federal da Alemanha trataram de lhe responder proibindo-lhe a entrada no seu próprio país.

Um estatuto só para a CNB?

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Passam poucos dias sobre a aprovação dos vários projectos de lei sobre as condições de trabalho dos bailarinos da Companhia Nacional de Bailado. O Grupo Parlamentar do PCP apresentou um vez mais um projecto que dá corpo a um conjunto de velhas, mas urgentes, reivindicações dos trabalhadores da CNB e, juntamente com outros partidos, viu aprovado esse projecto numa primeira discussão - na generalidade - tendo os 3 projectos (do PCP, PSD/CDS e BE) baixado à discussão na especialidade, onde serão discutidos em pormenor e sujeitos a propostas de alteração. O caminho ainda é longo e nada está garantido.


A longa luta dos bailarinos da CNB tem tido o apoio do PCP porque são justas as aspirações dos que, como os bailarinos da CNB, entregam uma grande parte da sua vida activa, da sua criatividade, do seu esforço físico e intelectual, à salvaguarda de um repertório a que de outra forma os portugueses não acederiam e fazem-no através de uma Companhia Nacional, ou seja, de todos os portugueses, do Estado. Daí que a luta dos trabalhadores da CNB tenha vindo a ser desenvolvida junto da sua entidade patronal: o Estado, nomeadamente através do Governo e da Assembleia da República.

Guernica #1937_2017

segunda-feira, 27 de março de 2017