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Cada partido é como o seu congresso

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Decorre até ao final deste fim-de-semana, em Almada, o XX Congresso do PCP, reunião magna que, no entanto e sem que desse conta a comunicação social já começou há meses.

Ao contrário da maioria dos outros partidos, em que os Congressos são eleições ou coroações, os congressos do PCP representam o culminar de um vastíssimo processo de discussão. Ao todo, de acordo com Jerónimo de Sousa, terão sido mais de 2000 reuniões em que participaram cerca de 20 000 militantes. Para fazer um congresso que comportasse a amplitude destes números, qualquer outro partido precisaria não de três, mas de 500 dias.

Análise eleitoral: o Estado espanhol rompe com o bipartidarismo

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

As eleições gerais no Estado espanhol ditaram, este domingo, o fim da hegemonia eleitoral do PSOE e PP. À custa de uma extraordinária pulverização do sistema partidário, entraram no congresso 13 candidaturas, das quais se destacam os fenómenos Podemos e Ciudadanos.

Descaradamente promovidos pela comunicação social da classe dominante, estes dois partidos vêm assumir a herança ideológica dos seus padrastos políticos: Ciudadanos que alcança 40 mandatos, opera à direita a recomposição possível do PP, o grande castigado do escrutínio, com menos 63 eleitos; já o Podemos permite, aliás à semelhança do binómio grego PASOK-Syriza, esvaziar em segurança o desprestigiado e desgastado eleitorado do PSOE.

Quando a corja topa da janela

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Para além de entronizar António Costa como Mário Soares reencarnado e novo faraó do partido, todo o congresso do PS foi jogos de luzes, teatros de sombras e sinais de fumo. Um rolar em falso sobre a política para dar uma cambalhota populista e acabar estatelado no marketing. Afinal, o poder não espera sentado. Sócrates ainda mal chegou a Évora e, como dizia o Zeca, já a corja topa da janela.

Polido, consensual e sem tiques estalinistas, António Costa varre os seguristas, cala os socráticos e consegue votações na ordem dos 90% para praticamente tudo. Saciada a sede venatória e com a máquina partidária nas mãos de um homem, o Congresso do PS abre e fecha numa bizarra encenação panegírica de verbos e adjectivos: "encorajar", "sólido","mobilizar", "moderno", "acreditar", capacitar" mais três ou quatro ideias mais ou menos concretas sobre o IVA, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o IMI e a extensão do subsídio de desemprego. Durante dois dias, o espectáculo de publicidade só discutiu uma coisa a sério: como chegar ao poder e que novos nomes devem substituir os velhos. Já sobre questões essenciais, como a nacionalização de sectores chave da economia, a renegociação da dívida ou a reposição dos direitos e salários roubados, nem uma palavra. No fundo, a única diferença entre um Congresso do PS e um concurso miss mundo é que estas têm que tentar explicar como é que vão salvar o mundo enquanto que Costa não tem que explicar nada, só tem que parecer.