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Carta aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Exmo. Sr. Presidente
Fernando Medina

Tal como o Sr. Presidente, não nasci em Lisboa mas tive que vir para cá trabalhar e viver, foi onde encontrei trabalho relativamente melhor remunerado. Quando cheguei a Lisboa, há cerca de 11 anos, pagava 125 euros de renda, num quarto onde dividia a casa com mais 4 pessoas. Depois passei a pagar 240, mas dividia apenas com mais uma e assim fiquei. Vivi sempre em bairros típicos da cidade - Campo de Santana, Madragoa, Graça, Anjos - sempre a mudar de casa porque de 2 em 2 anos as rendas subiam e o salário descia.

PàF, PuM e Costa, o rei sol

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Da figura sisuda e altiva, de homem que parece vestir a pele da cega e, digo eu para este contexto, insensível justiça, do paternalista que dizia ao povo, a quem por determinação constitucional deveria caber o poder político, entre breves e poupados sorrisos, para não ser piegas, ou que, secundado por membros do seu governo, falava de emigração como vantagem competitiva ou de desemprego como oportunidade, da pessoa que chegou a afirmar, quase sem pestanejar, “Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal”, como se lhe coubesse a ele ditar os interesses de Portugal e aos que elegem coisa nenhuma, já pouco resta. Passos Coelho agora já não oferece enxadas a quem o desafia, ouve e diz “pois, pois” aparentando interesse, olha para o recibo da pensão de um homem e até simula espanto, fala de regras fiscais que determinam cortes como se não tivesse sido seu autor, abranda caminhadas e pára para ouvir as “pieguices” das pessoas anteriormente julgadas como incapazes para decidir o que convinha ao país, não encolhe os ombros, não vá a populaça achar que ele é o verdugo que os castiga e ignora, e até, causando assombro nas massas, dobra-se para beijar velhinhas num lar, exibe um crucifixo, do qual diz não se conseguir separar, e afirma que tem fé nas pessoas. Uma fé súbita que até suscitou do seu correligionário e antigo apoiante, Ângelo Correia, a piadola “nunca é tarde para se converter”.