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Ser docente/investigador no país da austeridade

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Série "Ser no país da austeridade"


1. Investigação e “excelência”

Era uma vez um jovem que gostava de história natural e de estudar fósseis. Passava a vida no campo ou num gabinete a comparar asas de aves ou “perninhas” e “antenas” de borboletas. Fascinado pela enorme diversidade do mundo biológico que o rodeava, este nerd mergulhava a fundo na sua paixão: o estudo da morfologia, comportamento e evolução das espécies. Se vivesse nos dias em que a “excelência” obedece sobretudo a critérios economicistas, este jovem nunca teria conseguido obter financiamento para embarcar no navio Beagle, cartografar a costa da América do Sul e andar pelo arquipélago das Galápagos. Este nerd é o Charles Darwin e jamais teria obtido financiamento para um projecto I&D (Investigação e Desenvolvimento) para estudar a morfologia dos tentilhões, as suas asas, os seus bicos.

Pela Ciência em Portugal

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Protesto de bolseiros a 21 de Janeiro de 2014
Num dia quando se discutiu o Sistema Nacional de Saúde e como este tem sido sistematicamente depauperado, sua rede reduzida com encerramentos, seus recursos humanos forçados a emigrar, com efeitos directos e dramáticos sobre a saúde dos Portugueses, quase parece mau tom referir uma outra área onde as políticas de austeridade (cabe até dizer de morte lenta) dos governos de direita tem tido assinaláveis efeitos. Quase. Estas políticas têm sido tão transversais, atacando até áreas predilectas da direita, como a segurança interna e a defesa, que é imperativo que não nos esqueçamos que não se trata de um mau ministro numa área, má organização ou gestão de um qualquer sistema, mas do culminar de políticas de vários governos da troika nacional de estrangular toda a esfera pública e atentar os interesses nacionais, e a Constituição da República e os direitos nela consagrados. Vem este texto a propósito do estado da Ciência em Portugal.

Amanhã (5/Fev), pelas 14h, os bolseiros e candidatos a bolseiros vão realizar um protesto junto à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) "a fim de exigir uma avaliação verdadeiramente científica para todos os candidatos e o aumento do número de bolsas atribuídas", segundo se lê no apelo da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) que convoca o protesto.

"Onde pára a política científica" - por Tiago Domingues

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Novo paradigma, competitividade, starvation, diferenciação, racionalização, transferência de conhecimento, mérito e excelência são algumas palavras acrescentando léxico à novilingua da direita liberal. Já utilizada para graçolas em qualquer café de esquina, para justificar a destruição do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN), cavalgada a trote por uma FCT de tiranetes e corroborada pelo respectivo ministério e governo PSD/CDS, como parte da agenda ideológica que pretende desmantelar o ensino universitário público em conjunto com a investigação científica, onde reside uma das nossas melhores hipóteses de ombrear com países de tecido industrial desenvolvido e deixar para trás, de vez, o analfabetismo designado pelas políticas fascistas do Estado Novo.