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Miguel Urbano Rodrigues, o que a terra lhe deve

sábado, 27 de maio de 2017

Miguel Urbano Rodrigues morreu hoje, aos 92 anos. Há poucos meses, o revolucionário que entregou toda a vida à causa da libertação dos deserdados do mundo, escrevia em O Diário:

«Recordo que em São Paulo, ao tomar o avião para Lisboa em 2015, disse à minha companheira: esta será a minha última travessia do Atlântico, o oceano que cruzara dezenas de vezes. Era uma decisão e uma certeza.

A escolha de Hobson

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O capitalismo reduz a democracia a um debate entre Macron e Le Pen, entre Merkel e Le Pen, entre Macron e Schäuble, entre um corte salarial ou o desemprego, entre levar um murro no estômago ou um pontapé na cara, entre o neo-liberalismo e o fascismo.

O derradeiro debate antes da segunda volta das eleições presidenciais em França foi o último acto de uma farsa grotesca: Macron, que alguns queriam que fosse a alternativa ao fascismo, assumiu-se como o banqueiro que é e cantou loas à austeridade e à destruição das funções sociais do Estado; já Le Pen, não precisou de se assumir como a fascista que é: bastou-lhe recordar os franceses de que duas décadas a evitar a Frente Nacional votando no neo-liberalismo foram duas décadas a ir de mal para pior.

O «crime» de Clemente Alves

terça-feira, 2 de maio de 2017

Segundo quase todos os jornais, Clemente Alves, vereador da CDU na Câmara Municipal de Cascais, cometeu hoje um crime, casuisticamente inserido na secção noticiosa homónima e de cujo auto constam: «manifestação ilegal», «partir para a agressão» contra um agente e «impedir o trabalho das máquinas». Há, à partida, um problema óbvio nestas notícias: em Portugal não há manifestações ilegais (não é uma questão de opinião). Outra questão se impõe: se os jornalistas que escreveram estas peças (quase todas iguais porque roubadas umas às outras) não estavam lá, como é que souberam o que aconteceu?

A resposta certa é: «não sabem». Limitaram-se a pedir a versão do PSD de Cascais e a contrastá-la com a da polícia que, coincidente mente, é a mesma. Melhor trabalho teriam feito se tivessem perguntado a quem lá esteve o que realmente se passou. E até podiam deixar a notícia na secção «crime», porque é, de facto, de um crime que se trata.