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Medina e o amarelo da Carris

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Carta Aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Fernando Medina.

Caro Fernando,

Ouvi-o dizer há alguns meses que o conceito de "turistas a mais não existe. Não tem sentido". Em plena época de recreio gostava de o incitar a fazer um teste: viver durante uma semana na cidade cujos destinos tem gerido apenas com o passe nas mãos, o mais básico, mantemos o teste dentro da primeira coroa da cidade.

O que sugiro é que vá viver para um local da cidade de Lisboa e que, todos os dias, imagine que trabalhe num sítio diferente. Nesta sua semana sugiro então um conjunto de tarefas:

- apanhar o 28E no Martim Moniz tendo que chegar em meia hora ao final da linha, leve o protector, que a exposição ao elemento solar é perigosa!;
- apanhar o 15E no Cais do Sodré em direcção a Belém, a qualquer hora do dia, aqui terá duas experiências diferentes, a da sardinha em lata ao sol e a da sardinha em lata à lua, porque o eléctrico maior não deve conseguir andar de noite... sugestão, se tiver sono, saia meia hora mais cedo, porque naturalmente não vai apanhar o primeiro eléctrico;
- apanhar a linha verde do metro no Cais do Sodré às 8h30 da manhã (ainda bem que agora Arroios fechou, senão era sardinha em lata subterrânea);
- esperar pelo 760 no Desterro, por exemplo. Mas não se esqueça de mandar sms para a Carris e confirmar que o próximo autocarro chegaria a si dentro de 15 minutos, isto durante 25 ou mais...;
- apanhar a linha azul em São Sebastião por volta das 16h e ver que o próximo metro chega dentro de 9 minutos. Esperar 2 minutos, voltar a olhar para o tempo e ver que o próximo metro chega dentro de...9 minutos. Esperar mais 2 minutos...já percebeu, certo?
- para terminar, aconselho-o a fingir que é carteiro e que trabalhar na Baixa, de preferência tem de entregar cartas na Rua Augusta. Coisas com que terá de ter cuidado: pessoas que travam de repente para a selfie; círculos espontâneos que ocupam toda a rua para verem um artista de rua; empregados de restaurante que, tentando dar o seu melhor, o param a cada passo lhe dizerem "hello!"; e enfim, todo um labirinto de pernas, gadgets, pára-arranca a caminho.

Pronto, fiquemos por aqui.

Maio130: A História do 1º de Maio

segunda-feira, 8 de maio de 2017


Vídeo feito para o espectáculo "Maio 130", apresentado na Festa do Avante (Café-Concerto de Lisboa) a 4 de Setembro de 2016.

O espectáculo feito "a partir dos acontecimentos de 1886 em Chicago, que marcaram a luta dos trabalhadores e definiram o 1.º de Maio como o seu dia internacional de celebração e de luta", cruzou "componentes documentais, poéticas e artísticas de diferentes geografias e momentos históricos.

Vídeo de Ana Nicolau, texto de Joana Manuel.
Locução de Joana Manuel e André Albuquerque.

Carta aberta - 1% salva mil cornucópias

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Carta aberta - 1% salva mil cornucópias

Desta vez foi anunciado o fim do Teatro da Cornucópia. Naturalmente, não somos indiferentes a esta decisão e notícia, mas também não ficamos surpreendidos. É cada vez mais frequente vermos estruturas e projectos a encerrar ou a prosseguir à custa da descaracterização profunda do seu projecto artístico. Quem seguiu o trajecto de desinvestimento público na criação artística sabia bem que os actos resultariam em empobrecedoras consequências, o encerramento da Cornucópia é uma das mais visíveis.

Entre muitas declarações públicas, ouvimos o Presidente da República, debaixo dos focos da comunicação social, indagar o Ministro da Cultura sobre possíveis soluções para um caso concreto. Preferíamos que o Presidente da República se tivesse indagado publicamente sobre como foi possível, décadas a fio, sucessivos governos desrespeitarem a Constituição e terem activamente contribuído para o definhamento do tecido social da criação artística em Portugal. O esvaziamento contínuo da criação artística conduz a um consequente empobrecimento da sociedade e da sua capacidade de expressão. Contrariar este esvaziamento é garantir-lhe a liberdade a que tem direito.