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Recuperar as 35 horas, uma luta de todos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A imposição das 40 horas semanais de trabalho aos trabalhadores das administrações central e local foi uma das mais violentas agressões do governo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas. Esta decisão, sob a orientação do FMI e da União Europeia e correspondendo aos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros, representou um dos mais graves retrocessos para os direitos de quem trabalha na função pública. Na prática, quem trabalha para o Estado, passou a exercer a sua profissão de forma gratuita durante cinco horas por semana, o que corresponde a 20 horas por mês. Ou seja, mais de um mês de trabalho que em cada ano o Estado deixou de pagar.

Esta decisão foi tanto mais grave quando a batalha pela redução horária das jornadas laborais é, desde sempre, uma bandeira central na luta da classe trabalhadora ao longo da sua história. Desde os mártires de Chicago que, em 1886, caíram abatidos pela polícia durante uma manifestação pelas oito horas diárias de trabalho, e cuja tragédia levou à decisão de se assinalar o primeiro dia de Maio como o Dia Internacional dos Trabalhadores, às lutas do proletariado agrícola que nos campos do Alentejo conquistaram as mesmas oito horas em pleno fascismo.

O tempo disse ao tempo que o tempo tinha quanto tempo o tempo tem: quanto tempo tem o teu tempo?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Adaptabilidades e flexibilizações. Adaptabilidade total do trabalhador ao tempo e vontade do patrão. Adaptar a sua vida, a vida da sua família, a sua actividade política, o seu direito ao repouso e ao descanso à necessidade de maior ou menor exploração. Uma espécie de mealheiro, onde o patrão guarda as horas que entende, para gastar quando entende, como entende.

A adaptabilidade grupal, a adaptabilidade individual, o banco de horas. Tudo mecanismos que aumentam a jornada de trabalho pelo mesmo salário, porque estas horas a mais são pagas como horas normais ou não são pagas, em troca de horas de descanso. Cabe ao patrão dizer se sim, se não e quando. E de que horas a mais se fala? 50 horas por semana. 60 horas por semana. 40 horas na administração pública. Fim do pagamento do trabalho suplementar ou o seu pagamento irrisório. Em dias que o patrão decide, sem plano nem antecipação. Traz-me à memória uma cena de um filme sobre um pugilista operário: em frente ao portão o capataz escolhia os mais musculados, os que pareciam ter menos fome para trabalharem naquele dia, nos idos de 1929. As nossas praças de jorna que chamavam os trabalhadores com a sirene. Se esta não soava, era um dia sem trabalho, sem pão.