Armas de intoxicação massiva

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016


Qual é a diferença entre um terrorista em Paris, um saqueador em Palmira ou um sanguinário em Aleppo? É que se ele estiver em Aleppo, na grande imprensa, não terá nenhum destes adjectivos e será apenas um "rebelde" ou um "insurgente", provavelmente acrescentarão ainda que é "moderado". É o que tem acontecido.

A grande comunicação social construiu uma gigantesca e sinistra distopia mediática em que um mercenário de guerra fanatizado é apresentado como um "rebelde moderado" que luta por liberdade e democracia  ao passo que simultaneamente um soldado sírio que arrisca a própria vida pela libertação de uma cidade do seu país se vê transformado num carniceiro contra o seu próprio povo capaz de bombardear o vigésimo-sétimo "último hospital para crianças" de Aleppo.

Nos últimos dias, aproximando-se a derrota militar em Aleppo dos terroristas do daesh/al-qaeda/al-nusra entre outros mercenários animados pelos incansáveis e mal-disfarçados apoios de países e organizações como os EUA, UE, Turquia, Israel ou Arábia Saudita, os níveis de intoxicação mediática atingiram patamares absolutamente insuportáveis, pela natureza e cadência. Desta vez também, por exemplo, através de videos de "mensagem final" que chegaram às redes sociais e televisões nos últimos dias.

Se por um lado é verdade que uma análise atenta desmonta facilmente estas sucessivas farsas, por outro lado, através das brutais armas de intoxicação massiva que o capital e o imperialismo têm ao seu dispor para a sua difusão, as aldrabices, as mistificações e manipulações de toda a ordem e feitio acabam por atingir os seus fins em larga escala.

Independentemente de casos de guerra, em que populações civis sequestradas são utilizadas como escudos humanos pelos miseráveis terroristas que insistem em comportar-se como cobardes até à última, e que objectivamente colocam em causa vidas civis, a verdade é que os interesses do império e do capital nestas sucessivas acções de intoxicação mediática à escala global visam a diabolização dos libertadores e o seu isolamento e, naturalmente, criar condições políticas que para já dificultem novas reconquistas, que impeçam o restabelecimento da ordem e a reconstrução do país, bem como preparar no futuro novas escaladas belicistas.

Além dos tradicionais meios e formas de conformação de realidade e intoxicação, de facto hoje por força de novos meios tecnológicos e do seu acesso massificado em vastas áreas do mundo, importa acompanhar e denunciar estas "novas" vertentes da intoxicação até porque são elas próprias muitas vezes causa ou meio difusor para as tradicionais fontes de manipulação de massas. Por exemplo, estes videos que iniciaram a sua circulação em redes sociais rapidamente(esse seria seu objectivo) foram utilizados em televisão ganhando ainda maior projecção. E sim, estes são só um exemplo.

6 comentários:

  1. A maioria dos portugueses consumiu esta (des)informação.
    À conta da televisão (Henrique Dentinho) e a imprensa, a maioria dos portugueses acredita que, afinal, estes que fogem de Alepo são santos e guerreiros. Os capacetes brancos nada têm a ver com o «ISIL». São anjos da paz. Não ouvem ou lêem «ISIL» nas televisões ou jornais, porque entretanto o guião deste confronto foi alterado. Hoje, aqueles que eram vistos como «ISIL» são «rebeldes». Nunca viram as fotografias dos mesmos mercenários tratados em hospitais israelitas e visitados por Netanyahu (dispostas na internet). Esqueceram os vídeos dos mesmos bandidos a deceparem civis e soldados prisioneiros. Isso nunca existiu. É «teoria da conspiração».

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Exacto Nunes, entre tantas outras provas e factos que são apagados do espaço mediático.

      Eliminar
  2. O pressuposto maior é que a alternativa política à ditadura de Assad é a bomba para cima dos seus opositores e de quem estiver por perto.
    Para os lambe-cús a ditaduras nada há mais simples de aceitar!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O teu papel, como o da «Chispa» (como também o do PNR), é olhar para o lado destas questões. Quanto muito, vir aqui provocar em meia dúzia de disparates, numa obcecação tremenda de querer ser engraçado mas sem graça nenhuma.

      Eliminar
    2. Preferível a um iletrado político que escreve: «O pressuposto maior é que a alternativa política à ditadura de Assad é a bomba para cima dos seus opositores e de quem estiver por perto.»

      analfabeto político, bronco e estúpido.

      Eliminar