Mais uma «liana» de PSD e CDS

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Primeiro foi a mais que provável, adivinhável, programada queda do governo: não resultou. Depois foi a tentativa de granjear simpatias com a polémica dos colégios privados: também não lhes trouxe simpatias nenhumas, pelo contrário. A seguir vieram as sanções e as ameaças “da Europa” contra “o país”, contra o governo, numa “previsível catástrofe” que só se resolveria se Maria Luís Albuquerque “ainda lá estivesse”: também foi o que se viu. Ora, a que espécie de “liana” se hão de agora agarrar CDS e PSD, que navegam à vista, sem rumo definido, notoriamente incapazes de fazer oposição política com o mínimo de seriedade e bom senso? Quase que se podem ouvir as ordens a ecoar pelas paredes da São Caetano à Lapa: «Para atacar o governo, o PCP ou o BE qualquer coisa, pá! Qualquer coisa serve!»

Há escassos meses, por proposta do PCP, foi votada no Parlamento uma descida do valor máximo do IMI de 0,5% para 0,45%. Adivinhe-se lá quem é que então se absteve.
Depois de eles próprios terem passado legislaturas inteiras a “aprimorar” as maiores dores de cabeça dos portugueses em relação ao IMI, com "inevitabilidades", agravantes e subidas desregradas impostas pelos seus próprios governos, aparecem agora, com a cada vez mais habitual falta de vergonha na cara, a rasgar vestes por causa de uma mexida nas ponderações percentuais de factores que já existiam e já estavam em vigor, ao contrário de o que andou a berrar o mais agitadiço e fiel propagandista da direita na SIC, José Gomes Ferreira. E convém ainda recordar este facto notável, demonstrativo, uma vez mais, da hipocrisia reinante na direita que por cá vamos tendo: há escassos meses, por proposta do PCP, foi votada no Parlamento uma descida do valor máximo do IMI de 0,5% para 0,45%. Adivinhe-se lá quem é que então se absteve. Pois. Um dos que durante a legislatura anterior não parecia tão disposto assim a aliviar fiscalmente os contribuintes foi o “extraordinário” Nuno Magalhães, o mesmo que hoje apareceu, ufano, em conferência de imprensa, a acenar com a plena autoridade de, a respeito do IMI, ter falado com “TODAS as câmaras do CDS no país!" Com “TODAS"! E "do país”. Isto é, fez cinco telefonemas!

Não contentes com a hiperbolização dessa matéria, a direita decide cavalgar agora numa nova e muito oportuna polémica: a viagem feita por um Secretário de Estado das Finanças a um jogo da selecção, em França, que foi paga por uma entidade privada que tem dívidas ao fisco. Independentemente do julgamento ou avaliação sempre subjectiva que cada um possa fazer do acto em si, não se mascare ou se menospreze, contudo, o carácter mediático da questão como nova “liana” de uma direita completamente entorpecida, esvaziada, às aranhas. E é isso mesmo que é preciso sublinhar.

E não há como não levantar a questão: como se atreve o PSD a falar destas questões? Como se atreve o PSD a apontar o dedo acusador da ética e da moralidade quando um seu na altura deputado, mais tarde primeiro-ministro e ainda hoje líder do partido, esteve cinco anos sem fazer os devidos descontos para a Segurança Social? Onde pára a ética e a moralidade do PSD, afinal? Onde parou a ética e moralidade também do CDS, parceiro desse mesmo governante na precisa ocasião em que o caso se tornou público, e que optou por um rotundo, cúmplice e vergonhoso silêncio? São estes os arautos do bom comportamento dos políticos? Haja decoro.

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