Paz sim, NATO não

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A NATO alarga a sua composição, em particular incluindo um crescente número de países da Europa de Leste (prepara-se para entrar o Montenegro), mas não só: discute-se a possibilidade de integração da Finlândia e Suécia (cujos ministros dos Negócios Estrangeiros participaram na reunião ministerial no passado Junho). Os países da NATO são responsáveis por metade da despesa militar mundial, sendo os EUA responsável pela fatia gorda: 37% da despesa mundial, 1.6 biliões de dólares (10^12) em 2015. A NATO tem conduzido guerras mesmo quando os seus países membros não foram ameaçados, casos da Jugoslávia e Líbia. Tem conduzido exercícios militares de crescente dimensão. Tem um sistema de escudo anti-míssil global. E tem o desplante de negar que as suas actividades possam constituir uma ameaça à Rússia, ou que a NATO esteja sequer a cercar a Rússia. Mais, justificam as suas acções com base na "ameaça" da Rússia. Jogos de guerra e retórica, com o mundo em risco.

Uma das prioridades da próxima cimeira da NATO, a ter lugar em Varsóvia, em 8 e 9 de Julho, é a sua expansão na Europa –incluindo a formação de batalhões da NATO na Polónia e Países Bálticos e uma frota no Mar Negro – mas também no Médio Oriente e Norte de África. Outro objectivo é a criação da «Força de Intervenção Rápida», composta por 5 mil homens e capaz de intervir em qualquer parte do mundo em 48 horas.
Em vésperas da Cimeira, em Junho, tiveram lugar dois grandes exercícios militares da NATO na Europa de Leste: o Anaconda, na Polónia, envolvendo mais de 30 mil soldados de 24 países; e o Rapid Trident 16, na Ucrânia, com quase 2 mil soldados de mais de uma dezena de países da NATO e de fora da NATO.

Tudo isto contribui para uma crescente tensão entre a NATO e a Rússia, sendo cada vez mais claro que esta tensão crescente é activamente fomentada por elementos nos EUA, como comprovam os correios electrónicos do General Philip Breedlove dos EUA, até Maio o comandante das forças da NATO na Europa.

A Ucrânia é um bom exemplo, pois é recorrentemente usado como exemplo da agressividade da Rússia, quando pelo contrário é exemplo da sua contenção. A região autónoma da Crimeia decide juntar-se à Rússia num referendo que contou com uma participação de 82% da população (e 96% dos votos favoráveis ao retorno), mas tal é descrito como uma anexação. A população de etnia Russa na Ucrânia pega em armas como reacção ao golpe de estado conduzido por elementos de extrema-direita, mas tal é descrito como uma invasão da Ucrânia pela Rússia. (Importa recordar que o recursos às armas não foi imediata, mas após os apelos a maior autonomia e federalismo terem tido como resposta ataques violentos por parte de forças de extrema direita, incluindo o de Odessa, no qual o edifício onde se localizavam os federalistas, em Odessa, foi incendiado resultando na morte de mais de 50 pessoas.) O caso do voo da Malaysian Airlines (MH17) por pouco não serviu de pretexto para uma escalada militar. Mas outros eventos se seguirão certamente. Faíscas que no clima de tensão podem rapidamente deflagrar em guerra.

A Rússia é pintada de agressiva pela sua acção na Síria, embora as suas acções militares tenham sido coordenadas com o governo legítimo da Síria, contrariamente às múltiplas acções dos países ocidentais, assim como o financiamento e armamento que vai direccionando a forças contrárias a Assad. É também de registar a retórica usada contra Putin, descrito como ditador (embora tenha sido eleito) e equipado a Hitler, entre outras pessoas por Hillary Clinton. O sacar da carta 'Hitler' (usada contra Milosevic, Saddam Hussein, Qaddafi,  Assad) sinaliza que qualquer via de diálogo e diplomacia foi abandonada por parte de quem usa esse tipo de retórica.

Por estas e muitas mais, é claro que a principal ameaça à paz mundial é a própria NATO, e que a defesa da paz passa pela dissolução na NATO, objectivo aliás preconizado na Constituição da República Portuguesa. Em simultâneo com a cimeira da NATO decorrem várias iniciativas. Participa.

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