A luta é dos trabalhadores e só ela conquista direitos

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A situação na Grécia tem sido elemento noticioso essencialmente por questões humanitárias e pelas condições em que os refugiados têm chegado às suas várias ilhas.

Mas há algo que tem passado ao lado dos meios de comunicação social. Desde a tomada de posse do governo Syriza, a luta dos trabalhadores tem sido intensa, reiterada e tem enchido as ruas gregas com as reivindicações a que se aliam estudantes, reformados, movimentos sociais anti-racistas e antifascistas, numa unidade e solidariedade que tem chegado de vários países e de trabalhadores dos sectores privado e público. E intensa solidariedade também da PAME e dos trabalhadores com os refugiados, que têm estado ao lado destes, com distribuição de alimentos, abrigos e com a exigência de uma política que os respeite e dignifique como seres humanos.

48 horas de Greve Geral, nos dias 6 e 7 de Maio, convocadas pela maior central sindical grega - a PAME - contra as medidas antissociais promovidas pelos grupos de negociação do governo grego como a União Europeia e o FMI.

Anos, como em Portugal, de ataque aos direitos dos trabalhadores a fim de promover o grupo das multinacionais, cortes salariais, despedimentos, roubo de direitos da segurança social, nas pensões, privatização na saúde e educação, a precariedade, etc. As novas medidas impostas pelo terceiro «memorando» que atacam essencialmente os jovens e os pensionistas.

Têm sido as lutas contínuas dos trabalhadoras gregos que têm conseguido conter as medidas antissociais, como sempre foram as lutas dos trabalhadores que permitiram os avanços e impediram retrocessos em todo o mundo, mesmo quando as condições de luta se revelam difíceis e tantas vezes põem mesmo em causa as suas vidas.

No dia 1º de Maio, esse dia em que relembramos que a luta pelas 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas para o que nos apetecer, luta que custou a vida de operários em Chicago, enforcados por exigirem o que hoje ainda nós exigimos, ecoaram na Alameda, em Lisboa algumas palavras que devem servir de compromisso e exigência:

Não desistimos e não claudicámos! Pelo contrário denunciámos o roubo organizado, lutámos, resistimos e combatemos a poderosa ofensiva ideológica com que nos tentaram intoxicar e anestesiar.
(...)
Não se estranha por isso que o Presidente do PSD tenha afirmado que este ano não há razões para celebrar o 1º de Maio. Para ele poderá não haver, mas para nós existem razões acrescidas para dizer que valeu a pena lutar, que Maio está na rua e a luta continua pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, por um Portugal com futuro.
Este é o tempo de concretizar a esperança e lutar pela mudança!
(...)
O cumprimento das promessas credibiliza os políticos e a política e reforça a democracia.
(...)
Mas, nesta nova fase é preciso ir mais longe. Há muito caminho para fazer, um conjunto vasto de problemas para resolver e uma luta que não pode parar!

Este é um processo que tem, necessariamente, de evoluir quanto antes na resposta às necessidades dos trabalhadores, do povo e do país, sob pena de se transformar o sentimento positivo que hoje se sente um pouco por todo o lado, em desilusão e contestação. Este é um processo de mudança que não pode nem deve ficar estagnado ou fazer marcha-atrás.

E para que não haja marcha atrás, a luta, como sempre, foi e é o único caminho. E a luta também se faz da solidariedade internacionalista com todos os povos que lutam na Europa e no mundo contra o capitalismo, o imperialismo, as alianças burguesas dos governos europeus, os ditames da UE e da Comissão Europeia que queres os povos obedientes e calados.

Mas, como dizia o sindicalista irlandês Jim Larkin (Big Jim), em 1916: The great only appear great because we are on our knees. Let us rise! Os grandes só parecem grandes porque estamos de joelhos. Ergamo-nos!


Lista de Sindicatos que já se solidarizaram com a Greve Geral na Grécia:

Itália (USB), Turquia (Naklyat-Is, Sosyal Is), Suécia (SEKO Klubb 111), Catalunha (INTERSINDICAL-CSC), Espanha (CSU, Central Sindical Unitaria de Pensionistas y Jubilados, AST Alternativa Sindical De Trabajadores), Dinamarca (3F Youth), Palestina (Jawwal Union, AST Alternativa Sindical De Trabajadores), Áustria (Left Bloc), República Checa (Trade Union Association of Moravia, Silesia and Bohemia, OSCMS), Iraque (Federation of Workers' Councils and Unions in Iraq), Paquistão (APFUTU), País Basco (LAB), África do Sul (NEHAWU), Federação Internacional de Educação– FISE, FSM, UIS de Pensionistas e Aposentados de la FSM, UIS de Serviços Públicos da FSM, UIS de Transporte da FSM, Federação Sindical Mundial, FSM, Chipre-SYXKA PEO, Albania-OSNP Patos, Italia-SGB, Gambia-Gambia Labour Congress, Portugal-CGTP-IN.

1 comentário:

  1. Reconfortante ler a lista dos sindicatos e ver reforçada a ideia de que as fronteiras não estão desenhadas onde a UE quer mas onde os povos alcançam.

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