A ficção da finança.*

terça-feira, 3 de maio de 2016

Era uma vez um banco que emprestava dinheiro à fundação X que comprava casas e arrendava ao Partido X. Esse banco também emprestava muito dinheiro aos seus acionistas A e B.

O banco emprestou à fundação X 10 milhões de euros e aos acionistas A e B, 150 a cada um.

As casas compradas pela fundação X valiam, no entanto, apenas uma parte do valor do dinheiro emprestado pelo banco. 

O Partido X não pagava as rendas pelas casas da fundação compradas com o dinheiro do banco que, por sua vez, era dinheiro dos depositantes. 

Como o Partido X não pagava, a fundação também não conseguia pagar ao banco as prestações dos empréstimos. O banco podia ficar com as casas de volta, mas já não valiam nada. 

Os acionistas pegaram no dinheiro emprestado e investiram no seu próprio luxo. 

O banco ficou sem 310 milhões de euros e precisou de ajuda do Estado para poder continuar a remunerar os depósitos dos cidadãos. O Estado emprestou o dinheiro necessário e ficou dono do banco porque o valor do banco era já muito pequeno  ou mesmo negativo porque tinha emprestado dinheiro a mais e cobrado a menos.

Portanto, a fundação X ficou a dever 10 milhões ao banco, e os acionistas A e B, 300 milhões.
Aparece a empresa-internacional-assim-meio-desconhecida-de-toda-a-gente, e oferece ao banco 40 milhões para que o banco lhe venda o buraco de 310 milhões deixados pelo não pagamento. A empresa-internacional-assim-meio-desconhecida recebe 40 milhões dos acionistas A e B, que assim lhe compram de novo a dívida por 20 milhões cada um. Portanto, como tinham ficado com 150 milhões de crédito, precisam apenas de despender 20 desses 150, levando de borla para casa 130 milhões roubados ao banco, pagos pelo Estado. Ao mesmo tempo, como o banco era do Estado, a Ministra das Finanças do Partido X que deve 10 milhões à fundação X, autoriza ou fecha os olhos à venda daqueles empréstimos à empresa-internacional-assim-meio-desconhecida-de-toda-a-gente. A empresa-internacional retribui vendendo também à fundação X por um euro a dívida de 10 milhões. A fundação X fica com 9.999.999€ de borla e sem dívidas a ninguém. A empresa-internacional apresenta lucros com a operação de 1 euro. O acionistas A e B apresentam lucros de 130 milhões cada. A fundação tem um lucro de 9.999.999€. O Banco perde 270 milhões. Não faz mal, o Estado paga. Ou melhor, fica o Estado a dever a um banco alemão qualquer. 

A Ministra do Partido X trabalha hoje para a empresa-internacional-assim-meio-desconhecidas-de-toda-a-gente.

* este pequeno conto é baseado em factos, mas ficciona em torno de possibilidades hoje não desmentidas nem comprovadas. Como no mundo da finança, a realidade supera, muitas vezes a ficção, o conto serve apenas como ilustração das grandes potencialidades do empreendedorismo no mundo da banca e do partido X.

2 comentários:

  1. Excelente exercício do Miguel Tiago.
    Diria mesmo: qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!

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  2. Banqueiros fazem empréstimos a amigos, fazem aplicações financeiras em 'gigajogas' de amigos... o dinheiro 'desaparece'... e o contribuinte é 'chamado' para que o banco não vá à falência.
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    -» Tem sido golpada atrás de golpada: o lobby da banca já golpeou o contribuinte em mais de 16 mil milhões de euros!!!!!!
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    A actividade bancária é, de facto, UMA ACTIVIDADE ECONÓMICA DE ALTO RISCO PARA OS CONTRIBUINTES; como tal, o Regulador (Banco de Portugal) deverá ser obrigado a apresentar periodicamente relatórios minuciosos e detalhados aos contribuintes.
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    Uma opinião um tanto ou quanto semelhante à minha:
    Banalidades - jornal Correio da Manhã (antes da privatização da transportadora aérea):
    - o presidente da TAP disse: "caímos numa situação que é o acompanhar do dia a dia da operação e reportar qualquer coisinha que aconteça".
    - comentário do Banalidades: "é pena que, por exemplo, não tenha acontecido o mesmo no BES".
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    P.S.
    -» A ocasião faz o ladrão!
    -» O contribuinte PAROLO_ista faz o golpista!
    -» Ao passar um cheque em branco aos políticos... o contribuinte PAROLO_ista está a incentivar o golpista... a aplicar um 'chega-para-lá' no adversário político... porque o golpista sabe que ao fazê-lo fica com a faca e o queijo na mão para realizar as mais variadas negociatas com os mais variados lobbys...
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    -» O contribuinte não pode passar um cheque em branco a nenhum político!!!
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    O CONTRIBUINTE TEM QUE SE DAR AO TRABALHO!!!
    -» Leia-se: o contribuinte tem de ajudar no combate aos lobbys que se consideram os donos da democracia!
    ---»»» Democracia Semi-Directa «««---
    -» Isto é, votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco... isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa/endividamento poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a ‘coisa’ terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
    -» Explicando melhor, em vez de ficar à espera que apareça um político/governo 'resolve tudo e mais alguma coisa'... o contribuinte deve, isso sim, é reivindicar que os políticos apresentem as suas mais variadas ideias de governação caso a caso, situação a situação, (e respectivas consequências)... de forma a que... possa existir o DIREITO AO VETO de quem paga!
    [ver blog « http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/ »]

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