Titanic Amarelo

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Todos sabemos a razão pela qual a UGT foi criada. Todos sabemos qual o papel histórico desta auto-proclamada “central sindical” no processo contra-revolucionário. Sabemos que espectro político e financeiro a alimentou, sabemos a quem ela serviu e quem dela tirou vantagem. Também sabemos que durante anos teve um líder que garantiu e assegurou, mesmo no meio de algumas e abafadas dissonâncias internas, a sua fidelidade à causa do patronato, disfarçada sob o nome de “sindicalismo” ou de “sindicatos”. Não foi por acaso que, nos últimos anos, a UGT recebeu elogios vindos directa e abertamente de PSD e CDS, de Passos e Portas, numa conjuntura em que se verificou a mais grave ofensiva contra trabalhadores desde o 25 de Abril. Tais elogios da direita e da extrema-direita, que seriam e são um vitupério para qualquer trabalhador consciente da realidade, foram, para a UGT, um prémio e um reconhecimento absolutamente justo. A política da ajuda aos bancos e de empobrecimento dos trabalhadores muito deve à UGT e aos seus dirigentes. Sem eles, esta desgraça social a que PSD/CDS continuam a chamar «política de sucesso», não teria sido objectivamente possível.
Não foi por acaso que, nos últimos anos, a UGT recebeu elogios vindos directa e abertamente de PSD e CDS, de Passos e Portas, numa conjuntura em que se verificou a mais grave ofensiva contra trabalhadores desde o 25 de Abril.

De igual forma, não restam quaisquer dúvidas acerca do papel que o actual líder, Carlos Silva, tem desempenhado pessoalmente no garante da continuidade, e até do extremar de posições, da UGT, naquela que continua a ser a linha política e ideológica “em nome de trabalhadores” e na prática “contra” os trabalhadores. Basta ler hoje, uma vez mais, as frases que fazem capa de um jornal diário para o perceber. De forma muito clara e directa, o antigo funcionário – amigo, admirador e mais do que isso, pelos vistos, bajulador incansável – de Ricardo Salgado, tenciona continuar a colocar a UGT no encalce dos "donos disto tudo". E não foi por acaso – nem por causa “do desemprego”, como de forma atabalhoada tentou justificar Carlos Silva – que esta espécie de Titanic Amarelo que é hoje a UGT, viu saltar fora qualquer coisa como80 mil filiados (!) nos últimos quatro anos. Em contraste com a realidade, mesmo com declarações estapafúrdias e ao arrepio das posições da própria central – num episódio que deveria ter feio corar de vergonha todo e qualquer filiado com o mínimo de bom senso –, Carlos Silva lá continua “a tocar o seu violino” à medida que o barco vai afundando. A música que lhe sai está a agradar, com toda a certeza, aos banqueiros deste país. Mas jamais a quem se recusa a aceitar o “aguenta aguenta” e a ditadura “das inevitabilidades” vinda de quem, a troco do salvamento de bancos, levou o resto do país à miséria. O governo PSD/CDS, esse, já foi derrubado. A UGT também terá de o ser. E, ao que parece, já não faltará muito.

1 comentário:

  1. Confirma-se. Nada de novo para quem assume que lacaio do estado só mesmo do estado novo. Ou que lacaio do partido só mesmo do partido do Salazar ou do Mussolino ou do Hitler.
    O cânone carlossilvÓugetista: assalariado que não serve os desígnios do patrão é perigoso comuna.
    Estas fidelidades caninas e enraivecias quando os respectivos idolos e do patronato são assim desmascarados!

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