Impostos Ideológicos

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Paulo Portas descobriu a sua nova campanha populista. Com medo de voltar às feiras, envereda agora pelo seu chavão favorito; os partidos que criticam a acção do seu governo e propõem alternativas são ideológicos.

Como a maioria dos chavões do faceto tal afirmação não tem crédito em lugar algum, com excepção na demagogia ou de alguma forma tautológica que, na sua boca, é habitual.

A questão surge invariavelmente quando se discute a questão público/privado: para Paulo Portas o Estado é um mau dono e um mau gestor, o que não deixa de ser inteiramente verdade quando o próprio se encontra como ministro da nação.

Para o anterior governo PSD/CDS, as nacionalizações e as privatizações desapareceram, uma vez mais fruto de operações de linguagem que a comunicação social resolveu aceitar sem grande controvérsia. Assim, quando o Estado usava fundos com origem no erário público para regularizar a “boa gestão” da banca privada dava-se uma compra ou uma injecção de liquidez sem que se operasse uma nacionalização (termo que outrora se usou quando um Estado adquiria qualquer coisa). No verso da medalha, o Estado, quando chegava a hora de alienar, estaria a vender o dito banco ou dita empresa em vez de privatizar (termo que outrora se usou quando um Estado alienava uma parte do seu património).

Deste modo, não se nacionalizou o BES quando se injectou mais de 4 mil milhões de euros, e a sua alienação, feita por ordem e acção do Estado, é sempre referida como a venda do Novo Banco. O mesmo é válido para todas as outras operações de privatização operadas pelo governo PSD/CDS que foram quase tão numerosas como ruinosas para a nação.

Semântica resolvida, Paulo Portas vende-nos que navega num discurso político limpo de sujeira da ideologia. A sua mentira, longe de ser nova, remonta já aos tempos de Adam Smith (provavelmente até antes) que na sua obra “Riqueza das Nações” depressa descobriu que as classes trabalhadoras tinham interesses claramente contraditórios aos Fundiários e aos Capitalistas. Este economista, tal como muitos do que a partir daqui delinearam a economia liberal baseados na sua obra, afirmaram várias vezes que tal facto deveria ser o mais omitido possível pelo bem da estabilidade da sociedade. Smith vai mais longe afirmando que a sua descoberta não corre perigo de causar tumulto social porque os trabalhadores, mantidos no limiar da sobrevivência para lucro dos Fundiários e Capitalistas, por força das longas horas de trabalho e fraca educação não passariam de bestas de carga (objectificando o trabalhador como uma máquina de produção) que nunca compreenderiam que o seu lugar na sociedade era o de obedecer e produzir para sobreviver, nunca se questionando porquê.

Paulo Portas tem muito medo do escrutínio à privatização da TAP. Sabe que a fez sem qualquer tipo de legitimidade e de forma obscura e ilegal. O governo PSD/CDS privatizou a TAP sem que para tal tivesse poder, principalmente quando em menos de 24h assegurou a estatização das garantias bancárias necessárias no caderno de encargos, entre outras ilegalidades que serão agora postas a nu.

O que Paulo Portas não diz, mas sabe muito bem, é que impostos ideológicos são os milhares de milhões que estamos a pagar pela “boa gestão” privada da banca que representa o maior problema sistémico da nossa economia e que onera os contribuintes cada vez que há prejuízos. Impostos ideológicos são os que pagamos nas rendas crescentes dos principais meios de produção já privatizados como são os produtores de energia. Impostos ideológicos são os que empobrecem a classe trabalhadora para pagar uma crise de origem financeira. Impostos ideológicos são os que pagamos diariamente para sustentar a opção de desindustrializar o país para nos tornarmos consumidores das maiores indústrias europeias. Impostos ideológicos são os que nos custa manter uma moeda que não controlamos e que serve apenas as grandes economias europeias. E claro, os submarinos que o Paulo Portas comprou ou a sua gigantesca dívida são também pagos por impostos ideológicos!

1 comentário:

  1. Como ser humano, Paulo Portas é um parasita. Como estadista, idem idem, aspas aspas.

    ResponderEliminar