"É tempo de acabar com o fadinho da vítima", por António Filipe

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Afirmou ontem António Costa que nunca viu um Governo de direita ser derrubado pelos votos dos partidos à esquerda do PS, mas que já viu os partidos da esquerda aliar-se à direita para derrubar governos do PS. Pois bem: esta afirmação é factualmente errada e politicamente falsa. Senão, vamos aos factos.

Em Abril de 1987, o 1.º Governo de Cavaco Silva foi derrubado com os votos PS/PCP/PRD/PEV.

E se verificarmos os últimos 25 anos, ou seja, a partir dos Governos de Guterres, vemos que:
Em 4/11/99 as moções de rejeição apresentadas pelo PSD e pelo CDS foram inviabilizadas pelos partidos da esquerda (abstenções PCP/PEV e votos contra do BE).

As moções de censura do CDS (em 5/7/2000) e do PSD (em 20/9/2000) foram inviabilizadas pelas abstenções do PCP, do BE e do PEV.

Em 30/5/2001 foram o PSD e o CDS que inviabilizaram uma moção de censura do BE.

Guterres demitiu-se sem qualquer votação parlamentar que o tenha derrubado.

O Governo de Durão Barroso (de maioria absoluta) enfrentou 4 moções de censura que tiveram os votos convergentes PS/PCP/BE/PEV.

O 1.º Governo de Sócrates (de maioria absoluta) enfrentou moções de censura do BE (em 16/1/2008) e do PCP (em 8&5/2008) em que o PSD e o CDS se abstiveram. Mais tarde, enfrentou moções de censura do CDS (em 5/6/2008 e em 17/6/2009) em que o PCP, o BE e o PEV se abstiveram.

O 2.º Governo de Sócrates (minoritário) teve moções de censura do PCP (em 21/5/2010) e do BE (em 3/10/2011) que foram inviabilizadas pelas abstenções do PSD e do CDS.

A demissão de Sócrates não se deveu a qualquer votação parlamentar que o determinasse, mas à rejeição do PEC4, depois dos 3 anteriores terem sido viabilizados pelo PSD e pelo CDS e não sem que, para despedida, tivesse sido assinado o pacto com a troika, negociado e aceite precisamente pelo PSD e pelo CDS.

Na presente legislatura, o Governo PSD/CDS enfrentou 6 moções de censura (3 do PCP, uma do BE, uma do PEV e uma do PS). O PCP, o BE e o PEV votaram a favor de todas. Já o PS absteve-se em 3: na moção do PCP em 25/6/2012 e nas moções do PCP e do BE em 4/5/2012 (ou seja, no tempo em que o PS pautava a sua oposição ao Governo pelas abstenções violentas).

O moral desta história é que o PS só tem razões de se queixar de si próprio e que já era tempo de acabar com o fadinho da vítima que de tão repetido de campanha em campanha já se torna enjoativo.

*Autor Convidado

4 comentários:

  1. Não levem a mal!
    A saudade dos tachos leva à melancolia; e são tantos e tão necessitados...

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    1. Lá tinha de vir este idiota com o seu comentário. Não é capaz de passar um dia, sem vir aqui.


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    2. Alegra-te Anónimo que a situação mudou!

      Sócrates está em casa com a sua equipa a planear a partilha do saque. O seu nº2 está a fazer o serviço de que o MP o afastou.
      O Costa estava hesitante em imitá-lo e pôs-se com aquela treta da confiança – verdadeiro slogan anti-Sócrates.
      Agora que adoptou o tom trauliteiro, que se junta ao ruído numa Aliança de Esquerda, esta já pode dizer ‘não ouço nada…’ e o entusiasmo é geral.
      Chegou a política à medida da cretinice dominante.
      Segue-se o filme do costume…

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  2. A Táctica de António Costa é «tudo ao molho e fé em Deus».

    Algumas coisas que me chateiam neste Costa: O oportunismo disfarçado e medíocre. A maneira como pôs os lisboetas a pagar mais pela água e depois fugiu, sem dar contas a ninguém. De ter tido um pai comunista e continuar a atacar os comunistas, como também a reclamar votos para um partido que representa a «mafiocracia» deste país.

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