Ei-los que chegam*

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

São esquisitos, baixos e com bigodes e barbas. Chegam, na esmagadora maioria, homens. Elas, quando vêm, cobrem os cabelos com panos e não usam saia acima do joelho. Muitas são proibidas pelos maridos de cortarem o cabelo. Por vezes, eles ameaçam-nas com uma chapada ou um murro; elas, subservientes, baixam a cabeça e colam as mãos ao ventre. Trazem com eles uma paixão fervorosa pela religião. Usam colares com o símbolo das suas crenças e são capazes de dar mais do que têm para que o seu local de culto, na sua terra natal, tenha um relógio ou um telhado novo. Rezam, pelo menos, de manhã e à noite. Se puder ser, ao final da tarde, cumprem mais um ritual.

Chegam sem falar uma palavra da nossa língua. Parece que fogem de uma guerra qualquer lá no país deles, da fome e da miséria. Não têm, por isso, noção de amor à nação. Fogem em vez de defenderem o seu país e lutarem por uma vida melhor lá, na terra deles, vêm para aqui sujar o nosso país com a sua imundície. Atravessam países inteiros a pé ou à boleia para chegarem aqui. Pagam milhares para saírem do seu país e vêm ficar na miséria. Alguns têm muitos filhos, muito mais do que aquilo a que estamos habituados. Deixam-nos sozinhos ou com os irmãos mais velhos, que não vão à escola. Mas são muito trabalhadores.

Bem, na verdade, não roubam exactamente o nosso trabalho, porque aqui há leis que não nos permitem trabalhar 18 horas diárias, embora isso exista e dê jeito a alguns patrões. Mas de certeza que nos roubam qualquer coisa. São diferentes de nós e isso causa-nos má impressão.

Não são muito limpos, cospem para o chão e as suas maneiras em público deixam muito a desejar. Vivem em bairros de lata que mais parecem campos de refugiados. Não sei como conseguem. Se é para viverem na miséria, mais valia ficarem na terra deles.


Diário de um Parisiense,1969

*Embora pudesse ser um relato verdadeiro, demonstrativo da nossa estupidez colectiva, este texto é ficção. É da minha autoria. Não está em mais lado nenhum que não no blogue nem é excerto de coisa alguma.


* Foto de  Gérald Bloncourt (http://bloncourtblog.net/2014/07/l-immigration-portugaise.html)

28 comentários:

  1. Era exactamente de um texto destes que precisávamos: Um francês a reagir à presença dos portugueses como os portugueses estão a reagir à dos sírios! Parabéns!

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    1. Seguramente que entre os portugueses não havia dúvidas sobre a possível penetração de terroristas, mesmo porque o coletivo português nunca teve a intenção de conquistar a França, país este que não tinha nacionais a passar a miséria que muitos portugueses passam, sem que recebam apoio algum oficial. Ser altruísta é um louvor muito grande, mas ser idiota não o é. Há França ninguém de fora do país, lhe impôs receber os portugueses e obtiveram uma grande contrapartida com gente séria, trabalhadora e com fácil integração social, não lutando contra os seus costumes sociais nem religiosos. O mesmo não se pode dizer dos Muçulmanos, que a França também já recebeu e com provas de que a integração é muito diferente da dos portugueses e NÂO PACÍFICA !!

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  2. Se a propósito de refugiados é uma comparação estúpida em tudo o que se refira a culto e cultura.

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  3. De onde é tirado este texto?

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    1. Diário de um Parisiense,1969

      *Este texto é ficção. Não está em mais lado nenhum que não no blogue nem é excerto de coisa alguma." BASTA LER !!


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    2. Caro Anónimo, essa frase foi introduzida DEPOIS de terem sido feitas as perguntas que são perfeitamente legítimas. NÃO PRECISA DE SER AGRESSIVO OU RUDE NA RESPOSTA

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  4. Qual a origem deste texto? Obrigada.

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  5. Parabéns! Onde estavam estes franceses corajosos aquando a ocupação nazi??? UAU simplesmente UAU. Estão decerto mais satisfeitos com a ocupação magrebina que lhes suga os recurso, impõe as suas crenças religiosas e cria tumultos pelo país afora!! Franceses...

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    1. Sabes que a França ocupava a Algeria Marrocos Guiana e Congo etc etc!???

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    2. Se foram colonialistas merecem o pior....!

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    3. Aí está o «Demasiado estrogêneo» ou «O Fedorento» no seu máximo esplendor, seguido de outro ainda mais fedorento, chamado «Jose» ou «JgMenos», amigo das deportações nazis, com ajuda do Pétain.

      Faites vos jeux!

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  6. O texto tá bem conseguido, pois enfatiza a tragédia dos portugeses que também tiveram que emigrar. Hoje temos porém uma emigração massiva, corredores de gente ( eu passei por ela em Belgrado no mês passado), que vem de cenários de guerra, a guerra Síria muito por culpa da instabilidade criada pelos EUA com a guerra "contra o Saddam", criando esta cisão sunitas xiitas, mas também afegãos, paquistaneses, e qualquer dia vem a malta toda. Eu também acolhia uma familia siria pois por amigos já me disseram que é dos povos mais pacificos e porreiros que por ai andam, como todos os povos em geral. Mas também acho que depois da questão ideológica e moral , se deve pensar em fazer algo que trave este fluxo massivo. Não é fácil entrar em cenários de guerra nestes países....

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    1. O «fluxo massivo» tem ajudas e compensações, como até desculpas para acalentar a guerra contra a presidência de Assad.

      Julian Assange disse, com certidão, que a ideia de derrubar Assad, vem a seguir à derrota de Israel na guerra contra o Líbano, em 2006. Portanto, não foi a primavera árabe. O discurso de vitória de Assad, a seguir à derrota de Israel, deixou a junta militar de George Bush em estado de nervos, como também em desespero.

      Fala-se e escreve-se muito acerca de Assad, mas esquece-se o papel da Turquia e de Israel, por detrás desta campanha mentirosa e fabricada sobre os refugiados.

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  7. Posso levar? Claro que assinalando a autoria e colocando link para aqui?

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  8. Não conheço a idade nem o grau de inteligência do/a autor deste texto. Mas conheço o "politicamente correcto" da sua expressão e o grau de ingenuidade que encerra.
    É claro que a europa primeiro e depois o novo imperio americano destroçaram o mundo inteiro e o seu chamado desenvolvimento é o resultado da rapina feita nesse mundo.
    Mas o que uma sociedade desenvolvida, esclarecida e decente devia fazer era reconhecer esse erro, ajudar a desenvolver esses paises em vez de continuar a explorá-los, para que essa gente pudesse ter a vida que merece na sua casa.
    Comparar isso com as migrações dentro da europa é confundir a nau com a tormenta. Estes vêm com uma cultura inconciliável com a nossa, com desejos de vingança, cheios de raiva e À mistura, ninguém tenha dúvidas disso vêm guerrilheiros islâmicos. A europa não aprendeu nada co a cultura antiga. Reconheço que a Iliada é um texto dificil de tal modo que muita gente fala dum cavalo de Tróia sem saber bem o que isso significa. A europa, não é de agora, está a meter o inimigo em casa e o resultado disso vai ser um desastre como nunca a humanidade conheceu.
    Esperem para ver, não precisam esperar muito. Gostaria de puder ouvir o "mea culpa" de quem tão ingenuamente aposta no "politicamente correcto" em vez do realismo.

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    1. Mas o seu comentário também não é tão realista e, ao mesmo tempo, visa outro modo de estar «politicamente correcto», senão vejamos...

      Esqueceu-se do papel da Turquia neste conflito e do seu presidente, Erdogan.

      Esqueceu-se do papel de Israel, desde a guerra que fez no Líbano, em 2006 e as operações secretas, para derrubar o presidente Assad.

      Esqueceu-se também que muitos destes refugiados fogem dos terroristas do chamado «ISIL».

      Deste grupo, fazem parte cerca de dois mil bandos terroristas (que os americanos chamam de rebeldes), como o caso da Al-Nusra (ajudada por Israel).

      Neste momento, Israel ajuda a guerrilha do Al-Nusra a lutar contra o exército sírio e o Hezbolah. Os guerrilheiros do Al-Nusra feridos, são tratados em hospitais de Israel.

      Há mais...

      Sabia o tão «politicamente correcto» comentador que parte destes refugiados vêm do norte do Iraque (actual Curdistão) sob a presidência de outro amigo de Israel, chamado Barzani?

      Não se tratam dos curdos do PKK, porque esses estão a lutar contra o ISIL e já estão a desenvolver uma guerra civil na Turquia.

      Já agora, sabia que o Curdistão, sob a presidência ilegal de Barzani (contra as decisões do governo iraquiano em funções) está a exportar petróleo (iraquiano) para Israel a baixo custo?

      Sabia que em troca, Israel financia os paramilitares curdos «Peshmerga», conhecidos pela atrocidades contra o povo iraquiano sunita?

      Pois, mas isso é falar de outros refugiados que já vêm de muito de trás, do tempo da ocupação americana no Iraque.

      Escrever um texto assim: «Reconheço que a Iliada é um texto dificil de tal modo que muita gente fala dum cavalo de Tróia sem saber bem o que isso significa.»

      É muito bonito, mas mais difícil é saber as voltas que levaram a contribuir para a tragédia dos refugiados. Não só os que estão a chegar à Europa, mas também aqueles que saíram do Iraque (devido à ocupação americana). Falta ainda mencionar os refugiados palestinianos e o povo do Iémen que se vê dificuldades, numa guerra, sem quartel, travada pela Arábia Saudita contra o seu país.

      JN

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    2. O amigo anónimo ali de cima é um erudito.

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    3. «Não conheço a idade nem o grau de inteligência do/a autor deste texto. Mas conheço o "politicamente correcto" da sua expressão e o grau de ingenuidade que encerra.»

      «Reconheço que a Iliada é um texto dificil de tal modo que muita gente fala dum cavalo de Tróia sem saber bem o que isso significa.»

      São boas maneiras de escrever e, na verdade, muito eruditas.

      Serão, ao mesmo tempo, uma forma hábil de esconder a ignorância que vai lá por dentro, em relação a todas as matérias que fazem parte desta chamada crise dos refugiados.

      Um abraço, Ricardo

      And keep fighting!

      JN

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  9. Levei... http://anabelapmatias.blogspot.pt/2015/09/a-palavra-ricardo-m-santos.html

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  10. Abdullah Kurdi, pai da dita criança que aparece morta na praia e que deu origem à campanha mais agressiva sobre refugiados que há memória, é de origem curda. Uma mulher já o acusou de ser um traficante de pessoas ou refugiados que querem atravessar a Síria para a Grécia.

    Abdullah Kurdi, também disse ter pedido asilo ao Canadá. Esta notícia já foi desmentida.

    Aparentemente, Abdullah Kurdi tem uma página na facebook, onde aparece com miúdos, mas nada diz que são seus filhos ou se tem família.

    Thierry Meyssan, da «Voltaire Net» foi mais longe, dizendo que «as imagens (da criança morta) são fabricadas. (...) elas servem os propósitos do patrão dos patrões alemães, Ulrich Grillo, e da NATO».

    Na verdade, assim que a imagem da criança (Aylan) foi publicada, a NATO acusou a presidência de Assad e disse estar preparada para um intervenção militar na Síria.

    Sobre a fotografia da criança morta, Meyssan explica que «A vítima (...), é suposta ter sido devolvida pelo mar. No entanto, o seu cadáver está perpendicular às ondas em vez de lhes ser paralela. A presença, sobre a parte direita da imagem, de um fotógrafo turco oficial confirma a ideia de uma encenação. Ao longe, distinguem-se alguns banhistas.»

    Sobre a tragédia do povo sírio que já dura há anos, permanece a indiferença das redes sociais e da comunicação social, até à publicação desta fotografia.

    Por último, ninguém ainda explicou como «O presidente da Federação da indústria alemã, Ulrich Grillo, pretende 800. 000 trabalhadores estrangeiros suplementares na Alemanha. Uma vez que os acordos europeus o interditam, e a opinião pública é hostil a isso , ele participa na encenação da «crise dos refugiados» afim de fazer evoluir a regulamentação.»

    Pois, ninguém explicou, mas os refugiados serão muito agradecidos a uma Europa, cada vez mais, rendida ao capitalismo selvagem ou até mesmo à escravatura.

    JN

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  11. Arábia Saudita não aceitou os refugiados, mas tem capacidade para receber cem mil e dar habitação a três milhões de refugiados. Ler aqui:

    http://www.globalresearch.ca/saudi-arabia-takes-zero-refugees-despite-having-100000-tents-able-to-house-3-million-people/5475650

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  12. Hoje, bom debate no canal «RT» no programa «Cross Talking», sobre a crise dos refugiados.
    Refugiados ou migrantes?
    Não percam!

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  13. Steiner (Rudolf)muere en 1925....ya anticipó la GUERRA DE TODOS CONTRA TODOS...Mas allá del exhaustivo conocimiento que demuestran los comentarios...se muestra la activa presencia de EEUU y de Israel tanto como las superextremistas ideas acerca de la JIHAD....La política no es entendible y por ello pueden elucubrarse infinidad de argumentos....lo que no se puede es dejar de VER que nadie creo arrastraría su familia en un éxodo (recordar la salida de Egipto) hacia la muerte y la miseria.Los pueblos SON MANSOS HASTA QUE LOS ESCLAVIZA LA CODICIA SALVAJE de sus congéneres....Da fe de esto la miseria moral de CHARLIE HEBDO en sus aberrantes interpretaciones del menú de niños o de cristianos y musulmanes frente a la lucha por vivir en el atravesar el mar hacia una esperanza....

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