O implacável rugir do motor da História

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Implacável. Ainda mal arrefeceu o corpo da União Soviética e já o edifício do capitalismo europeu mostra brechas em todas as paredes: o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que insiste em empurrar a Grécia para fora do euro à bruta, já choca com a chanceler Angela Merkel, que teima em fazer do povo helénico um engenho de escravos moderno, que por sua vez choca, aliás à guisa de todas as grandes guerras europeias, com a posição francesa, que já teme pelas consequências políticas de desligar a ficha do doente terminal, que não é a mesma da Comissão Europeia, que aposta forte num resgate usurário comparticipado por toda a UE, que choca com os interesses do capital britânico, que não quer o mesmo Euro que o Syriza deseja, que por seu turno foi partido ao meio, como as águas do Mar Vermelho, as esperanças do Bloco de Esquerda ou a coerência do Podemos, que também já veio dizer que não quer renegociar coisíssima nenhuma.

Há dez, vinte anos, quando os comunistas falavam da morte do Euro e condenavam a União Europeia, havia sempre algum imbecil, pós-moderno e bem-citado, que atirava um «anti-europeísta» e dizia qualquer coisa sobre o norte da Europa. Mas quem, neste ano do Senhor de 2015, veja o que vai pelo velho continente, não pode deixar de ouvir o implacável rugir do motor da História. É o som do fim da velha e caduca social democracia, do retorno do fascismo e também do regresso do socialismo, nos termos ousados em que Lenine o plasmou no mundo, como única solução para quem trabalha.

E, mesmo em Portugal, a percepção do mundo que o momento político está a parir não voltará nunca mais ao vocabulário de António Guterres: não se falará mais em «pelotão da frente» nem em «europeísmo», nem tão pouco em «democracia europeia». As ferida são demasiado profundas e já todos compreendemos que não se tira a carne da boca da fera com palavras mansas. O referendo grego provou-o taxativamente.

A Grécia abriu a caixa de Pandora: a confusão reina da direita neoliberal à esquerda social-democrata. As fracturas, que até agora pareciam superficiais tornam-se letais e violentas; o futuro tem a marca de uma incerteza violenta; os velhos nacionalismos vomitam novos fascismos: as premissas dos comunistas provam-se acertadas com os mais terríveis exemplos: é este, meus caros, o implacável espírito do tempo. É esta a luta final.

18 comentários:

  1. A luta continua, mas até eu acho este post, embora positivo, um tanto exagerado lol.

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  2. Por acaso, não me parece nada exagerado ou desajustado. Pelo contrário, parece-me que o tiro acerta exatamente no centro do alvo. O tempo obscuro da paz podre, tem que ceder o seu lugar aos dias claros e luminosos. Não é uma mera aspiração: é antes uma inevitabilidade histórica. E esse tempo já está em marcha. Disso, não tenhamos dúvidas.

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  3. Em plena ofensiva do capitalismo, "a alternativa do socialismo é mais actual do que nunca".
    (O Militante nº 337- pags 57/59).
    Lutemos por ele!

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  4. Acabaram-se os campos neutros, a partir de agora ou se está de um lado ou de outro. O nazi/fascismo já por aí está em força e sem disfarces.

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  5. Há quem pretenda parar a roda da "história",sempre houve,mas o mundo avança e os povos pela sua dura luta ,com muitas derrotas, por vezes ,aparentes ,mas acumulando também vitorias chegará à vitoria final numa luta que continua e em que cada cidadão ,cada povo terá de ser obreiro e guardião de uma Nova Sociedade mais justa e sempre em transformação para superiores níveis. Utopia ,sonho ? Sim ,mas que pela força da luta será realidade ,uma realidade que muitos como eu já não iremos conhecer ,mas até ao ultimo suspiro de vida devemos ajudar a construir . Força ,confiança e Luta !.

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  6. Bom post!
    Á medida que o tempo avança as contradições do capitalismo acentuam-se, já não apresenta nenhum futuro para os povos, mais do que nunca estes tempos provam que para além de necessário o fim do capitalismo é inevitável, embora não seja um caminho simples e sem dor.

    A.Silva

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  7. Lá está o «J.» ou «José» disfarçado. Uma boca tão estranhamente estúpida e traiçoeira, como «A luta continua, mas até eu acho este post, embora positivo, um tanto exagerado lol.» só poderia sair desta mente, alinhada com os corrompidos da «troika» e seus parceiros nazis.

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    1. Sou seu fã. Continue. As caixas de comentários são uma boa terapia ocupacional já que o custo de alguns medicamentos, em capitalismo, está pela hora da morte.

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    2. Sim, «Jose»... (enorme bocejo).

      Por ventura já pensou naquelas coisas que disse sobre Pétain e na defesa que fez sobre o holocausto nazi aqui neste blog?

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  8. REVOLUÇÃO!!! estive em 1974!
    PRESENTE!! agora!

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  9. Queda da URSS: "A maior desgraça do sec.XX para os Povos". ACunhal

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  10. Ser de esquerda ( a que se diz verdadeira) é sobretudo um exercício continuado de wishful thinking...e juntam-se em corais que constroem 'realidades' efémeras mas altamente estimulantes!
    E assim está o capitalismo para ruir e a arruinada URSS a ponto de se reconstituir...

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    1. Olha, agora aparece o «Jose», em vez do «J.»
      Nós já sabemos da enorme fraude que este doido representa. Primeiro tenta vender os seus comentários em «J.» Depois, em «José».

      Uma coisa é certa. A mente por detrás dos comentários de «José» ou «J.» pertence a um manicómio.

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    2. És idiota e não sabes...serás feliz para sempre.

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    3. Já foste apanhado... Um fascista é sempre apanhado.

      No teu caso, a doença e a perversão, vão de mão em mão.

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    4. Se a URSS estava arruinada sendo auto suficiente de tudo que necessitava, imagine-se aqueles que consomem mais daquilo que produzem, ou que a industria bélica já represente mais de 40% do PIB.

      A URSS foi traída.

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    5. Nenhum país pode gastar mais de 40% do PIB em indústria bélica. Foi Vernon Walters, ex-colaborador da CIA e exilado na Suíça (provavelmente morto numa operação americana secreta combinada). Os Estados Unidos estão a entrar por esse caminho que é suicida.

      A URSS foi minada por dentro, pelos chamados «aparatchiks», como o caso de Ieltsin e Gorbatchov. Se Iuri Andropov tivesse vivido mais tempo, a URSS não teria implodido.

      Os Estados Unidos querem uma guerra com a Rússia e muito provavelmente, já com Clinton ou Jeb Bush, vão tê-la, mas na correlação de forças, não vão conseguir vencer a guerra, porque não contam ser atacados no seu país. Quando isso acontecer, será o fim dos Estados Unidos da América... para bem de toda a humanidade.

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    6. Desculpe a correção. Vernon Walters foi um criminoso, colaborador dessa agencia tenebrosa até ao momento que exalou o ultimo suspiro.

      Um amigo de Mário Soares, logo em Agosto de 1974 deslocou-se a Lisboa secretamente para dar instruções a esse traidor. Foi Vernon Walters que o disse publicamente alguns anos depois.

      Talvez se esteja a referir a Philip Agee?

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