"A TAP vale o que derem por ela!"

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Tal afirmação pertence a Sérgio Silva Monteiro e poderia passar despercebida na alarvidade discursiva da cartilha neoliberal dominante na nossa sociedade (juntamente com afirmações idênticas sobre a “venda” do Novo Banco por Stock da Cunha) não fosse este senhor o Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações. Não entrando na eficácia desta maravilhosa técnica de vendas (só imagino os compradores a esfregarem as mãos de contentes!) assunto sobre o qual pouco me interesso, não deixo de ler na afirmação o lema da economia política vigente do actual governo.

Uma empresa como a TAP demora anos a construir. Representa milhões de horas de trabalho de milhares de trabalhadores que diariamente empregaram o seu tempo na criação de valor. Representa conhecimento expresso na qualificação e especialização destes trabalhadores que se contam entre os melhores do mundo na sua área. Por sua vez é constituída por um conjunto de edificações e maquinaria de elevada complexidade onde a história se repete, fruto do trabalho de outros tantos trabalhadores. Representa anos de uma política pública de investimento no transporte aéreo, onde se pensou nas vantagens geográficas e onde se procurou combater as desvantagens. Representa o sistema sanguíneo de uma comunidade já unida pela língua e um povo que não quer estar isolado.

O pensamento que olha para este valor e o arrasa substituindo-o por outro definido por leis de mercado erráticas e obscuras é o pensamento que nos tenta convencer que o preço é definido pelo interesse de alguns e que é este que traduz o verdadeiro do valor das coisas. Os exemplos são já bastantes para dessensibilizar os mais atentos ao ridículo que nos rodeia. Como o Novo Banco que vai ser “vendido” pelo Estado numa operação a que “antigamente” se chamaria privatização! Mas isso poderia desmascarar a origem do dinheiro usado para a sua capitalização, 3.9 mil milhões de euros, públicos até ao último cêntimo numa operação que nos convenceram não ser uma nacionalização. Mesmo no domínio privado a tónica é a mesma, se um dia a PT vale muito, no dia seguinte (para não dizer na hora seguinte!) já não vale nada. Como se o património de uma empresa fosse na realidade a avaliação e o preço que um qualquer investidor está disposto a pagar por este. Pelo caminho, estas desvalorizações financeiras súbitas arrastam para a miséria milhares de trabalhadores, cujo trabalho, único e verdadeiro, motivo acrescentador de valor é branqueado enquanto tal!

Os apetites financeiros de mercados que pouco ou nada têm de relações com a economia dita real abrem caminho à especulação de tudo o que possa ter uma cotação em acções ou obrigações. As apostas sobre estes preços, a sua subida ou a sua descida, decidem diariamente o valor de mercado de praticamente tudo, desde o cereal alimentar mais básico ao preço dos diamantes. Pelo caminho, conceitos como o valor de uso, de troca ou valor-trabalho são esbatidos pela economia de casino que só serve alguns e que leva à miséria a tantos.

Assim é este governo PSD/CDS recordista do esbulho do património público. Prova disso foi a rápida alienação da participação na CIMPOR (em minutos e sem sequer se discutir o preço!), o cobro das Golden Shares na PT, EDP e Galp (todas mal foram empossados e sem qualquer contrapartida!), privatizações parciais da EDP e da REN, venda de posições da CGD na PT e da totalidade da Caixa Seguros, privatização da ANA (pela competitividade apesar dos preços das taxas aeroportuárias não pararem de aumentar!), do BPN onde se enterraram mais de 600 milhões de euros para de seguida se vender por 40 milhões de euros (e como se não bastasse, contrapartidas do contrato de venda já garantiram ao comprador uma soma superior, dando novo alento ao ditado de “pago-te para ficares com ele”), os CTT empresa de elevado interesse público e de alta rentabilidade e agora a TAP por alguns trocos que tenho a certeza serão todos devolvidos no futuro em alguma cláusula obscura de um contrato a que ninguém teve acesso. Em breve, nem podia ser de outra forma, a vez do Novo Banco, mesmo que isso implique perdas para o Erário público e concentração da operação em mega estruturas que sabemos serem perigosas para a economia e garantirem controlo monopolista da actividade.

O processo é sempre o mesmo e está a vista de todos. O abandono do investimento nas companhias e o uso de má gestão para a sua degradação e se isso não for suficiente uma forte campanha pública de mentiras, sempre com o intuito de desvalorizar ao máximo o interesse que um sector industrial forte tem para o Estado. Por fim, quando as companhias estão finalmente fragilizadas vendê-las ao desbarato e ainda acrescentar no final do dia a tranquilidade e consciência limpa.

O que este governo esconde é que estas empresas não são dele. A sua legitimidade para estas alienações é nula. No dia em que nos voltarmos a lembrar que só o património público é que é de todos e a todos serve é que a economia avançará. No dia em que percebermos isto acaba-se a impunidade.

7 comentários:

  1. Uma prpopsta de compra da TAP custa pilhas de dinheiro, milhares de horas de estudos e consultas.
    No final subsiste a ameaça de sentenças judiciais e de palhaços reversores.
    10 milhões +500 milhões de reposição de capital + recuperar um dívida de mais de mil milhões + mais aturar uma cambada de sindicatos treinados em campanhas de extorsão - é muito bem pago.

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    1. UIm muito bom post.

      10 milhões. A TAP vendida por dez milhões. Uma companhia que era pública no tempo do fascismo e em "que a sanha privatizadora, ao contrário do que durante muito tempo foi dito, vai para além das nacionalizações efesctuadas pela Revoilução de Abril"

      O ódio de classe aqui patenteado, a mostrar que estas coisas são o que são.
      Dez milhões recebe o estado português pela TAP. E esta oleosa e viscosa coisa, ainda a cheirar ao cheiro dos cadáveres do negócio familiar, a patentear três coisas:

      -A clara opção pelo capital, assumindo ab initio que os interesses nacionais são para vender por tuta e meia, a quem dá menos, desde que os seus preceitos ideológicos sejam cumpridos e que o lucro unte as mãos igualmente oleosoas dos seus colegas de negócios.

      - o cheiro a pieguice insuportável, rasca e badalhoca, face aos compradores da TAP e aos que a vendem, tornados assim alvos da mais sórdida compreensão
      ( os rios de dinheiro e de estudos, os milhares de horas a ameaça de sentenças judiciais e de palhaços reversores, o capital e o capital empatado, os sindicatos, todo um alenbcar de situações para exprimir aquele sentimento "piegas" pela pulhice dos seus)

      - O ódio de classe aos sindicatos


      Ou de como mesmo 10 milhões, para a direita-extrema, para sergio monteiro ou para o seu alter -ego, velho e decrépito, igualmente oleoso e néscio jose, é muito.

      10 milhões. E ouve-se o salivar...

      De

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    2. E a propósito das tais milhares de horas e de estudos e doutras pieguices abjectas:
      "Depois do escândalo que foi, em 15 de Maio, a escolha em apenas três dias das propostas que passavam à segunda fase, fomos agora violentados por mais esta fraude, de em apenas dois dias úteis, o Conselho de Administração da TAP, a Parpública, os assessores e consultores vários, os escritórios de advogados e o Governo, conseguiram descortinar, decidir e escolher o feliz contemplado com mais uma empresa pública, por sinal a última grande empresa nacional ainda não entregue ao capital estrangeiro. Nem na roleta do casino se ganham prémios tão rapidamente.

      É inacreditável a impunidade com que este Governo destrói o país. Nos últimos anos foram alienados para o controlo do capital internacional mais de trinta mil milhões de activos, bem mais de 20% do PIB português. Este impressionante número, que aumentaria se o governo conseguisse concretizar mais esta patifaria, este autêntico crime de lesa pátria, dá bem a dimensão da catástrofe que tem sido imposta a Portugal, e que se acentuaria com a perda de mais este importante factor de soberania nacional."
      (Sitava)

      (De)

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  2. Há por aí uns cretinos que se proclamam furiosos ant-fascistas e que, sempre que se trata de tachos controlados pelo Estado, recuperam os valores que conduziram às opções adoptadas pelo Estado Novo.
    A TAP garantiu os transportes para África num tempo em que se fechavam espaços aéreos; a TAP era um activo estratégico de uma política para a qual havia um orçamento sólido, uma vontade política clara, forças armadas em prontidão.
    Vêem agora recuperar valores para o que não passa de uma corporação de interesses a fazer o serviço que qualquer fará enquanto vender bilhetes.
    Patriotas? De pacotilha...

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    1. O cheiro a cadáver persiste.Familiar e politicamente.Está certo.

      Provavelmente pelo facto de se relembrar que a TAP era pública no tempo do fascismo e que a governança teima em ir ainda mais longe. na sua sanha privatizadora Tal facto deve deixar à beira duma crise histérica quem pugnou e pugna pelo "estado novo" designação transcendente como a canalha designa o fascismo.

      Eis portanto o desbobinar enraivecido das virtudes da TAP , enquanto ao serviço da política colonialista e enquanto ao serviço do capital monopolista de estado, ambos tão do agrado deste "cretino" ( a palavra é a dele) enraivecido e em paroxismos histéricos.

      As missas outrora papadas nos Jerónimos em defesa da pátria e em defesa da mocidade portuguesa e pela alma de salazar foram agora trocadas por esta subserviência bacoca, reles, abjecta e fundamentalista de quem gosta de latir em alemão. No fundo os prrocessos mantém-se e tanto outrora em que o fascismo era o governo do próprio capital financeiro, como agora, quem jose defende, é o próprio capital. E a sua corporação de interesses.

      E basta que lhe lembrem o cheiro a cadáver que a sua própria pessoa emana mais o seu seu doutrinador que é cadáver há muito, salta como uma mola e compõe , em forma de missa cantada, uma ode cretina mas tão tão piegas aos seus cadáveres de eleição.


      Dez milhões de euros.É por quanto esta canalha vende a TAP. E , abjectamente ainda acham que é muito.

      De

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  3. Deolinda tem um caderno
    Que muito estima e preza
    Dá-lhe adjectivos e frases
    Que cobrem de ruido um vazio de ideias.
    Nada rima porque nem uma rima merece.

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    1. (Deolinda será provavelmente a governanta que lavava oa orelhas a este , quando o levava a papar as missas nos Jerónimos nas cerimónias oficiais do regime?
      Provavelmente também lhe acalmava as birras histriónicas,e lhe servia de auditório quando este declamava a versalhada medíocre que os cadáveres do negócio familiar testemunhavam.)

      "Novos donos da TAP só garantem sede em Portugal e rotas estratégicas por dez anos"

      Ouvem-se já os latidos...em alemão ou noutra língua que.

      De

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