UGT a voar baixinho

terça-feira, 31 de março de 2015

Foi conhecida ontem a decisão do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC)de desfiliar-se da UGT. O SNPVAC era um dos sindicatos com maior peso dentro daquela central e, após referendo, os associados decidiram deixar a estrutura liderada por Carlos Silva. Recordemos que Carlos Silva, antes de ser eleito representante de uma estrutura que alegadamente defende os interesses dos trabalhadores, foi pedir autorização a Ricardo Salgado, ex-Dono Disto Tudo, para pertencer à direcção daquela organização. E ficou desde logo claro a quem Carlos Silva presta contas.

O SNPVAC bateu as asas e foi para longe da UGT, ao que parece, por considerar que central é a favor da privatização da TAP e quebrou a solidariedade ao firmar um acordo com o governo que culminou com o cancelamento da greve agendada por aqueles trabalhadores em Dezembro passado.

Objectivamente, o que espanta é ainda haver sindicatos que depositam qualquer confiança na UGT. Depois do impoluto Torres Couto, Carlos Silva é o rosto da continuidade do trabalho - ou falta dele - de João Proença, dirigente do PS que até foi a estrela das jornadas parlamentares do PSD, estando, por coincidência, a trabalhar na AICEP. Proença e Silva, Lda. tentaram preparar outros caminhos e vão piscando o olho à presidência do Conselho Económico e Social, para render Silva Peneda. O primeiro nome a ser avançado no início do ano foi o de Silva, que não terá agradado a todos, seguindo-se Proença, que também não deverá ser o senhor que se segue. Ofereceram-se os dois mas nenhum deverá assumir o cargo.

Ao longo dos anos, a UGT foi fazendo o seu caminho e cumprindo a missão para que foi criada: dividir os trabalhadores e caucionar as políticas mais miseráveis dos sucessivos governos. No entanto, as coisas iam sendo mais ou menos dissimuladas, funcionando assim: o governo/patrões lançam para a opinião pública que se preparam para tirar 100 mas, na verdade, sempre pensaram em tirar 95. Assim, a UGT faz de conta que negoceia e concorda, dizendo que perder 95 é melhor do que perder 100. Foi assim durante anos e continua a ser assim. O governo sai como dialogante e a UGT como conciliadora dos interesses dos trabalhadores e patrões.

Não há muito a dizer sobre uma central alegadamente sindical que, nos piores anos depois do 25 de Abril, dos maiores ataques aos trabalhadores por parte do PSD/CDS, tantas vezes com o apoio do PS, pretende "um grande entendimento entre PS, PSD e CDS para mais do que uma legislatura".

O alarido mediático que seria feito caso um sindicato da CGTP ponderasse, sequer, deixar a Inter também merece nota, comparado com as notícias tímidas que vão saindo em relação ao SNPVAC, agora sindicato independente.

A UGT pretende assim a continuidade dos baixos salários, da exploração, da indignidade, dos sacrifícios para os mesmos de sempre. Não é novidade. Mas é sempre bom relembrar.

5 comentários:

  1. A UGT representa de facto o lado mais sórdido da política. Um pântano de interesses mesquinhos, em que sabujos aduladores se arrastam miseravelmente em torno das pernas dos donos, abanando a cauda na esperança de que aqueles lhes atirem alguma migalha, um osso que seja, vá lá...
    Infelizmente, no cume daquele organização - repito, para que não restem dúvidas: repugnante, porque traidora - tem estado sempre o PS, que ali, de forma muito clara e evidente foi evidenciando sempre a que interesses é que está vinculado, a que poderes a que se encosta, a quem é que presta contas. Evidentemente que se essa postura traidora, cobarde e mesquinha, em muito prejudicou os trabalhadores e o Povo, deu a muitos dirigentes a vide de nababo que exibem com mal disfarçado orgulho, vencedores de um sistema capitalista que se é mau para a maioria, sempre paga uns favores, ainda que por entre vómitos e náuseas, a quem nem respeito lhes merece.

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  2. convem não esquecer que esses vendidos só existem porque são eleitos pelos trabalhadores, e as questões que esse facto levanta sobre as divisões e os interesses de classe mesmo dentro da classe trabalhadora.
    a burguesia, o patronato, explora bem essas contradições e sabe que haverá sempre quem esteja à venda. quando este se for virá outro, eu não lhe daria mais importancia do que dou a quem vende o corpo pelas esquinas.

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  3. Nem todos podem ser funcion+arios de partido em missão de serviço.

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    1. Pois não.

      O funcionário dos especuladores e dos exploradores de alto coturno não sabe sequer o que diz: Completamente embrutecido pelo amor à UGT ( ou seja ao patronato) e / ou pela companhia do álcool que o acompanha nas libações com os sicários está neste estado.

      "Funcio+ario" de partido em missão de serviço, como ele próprio se define?

      (Foi apanhado na saudação típica aos especuladores e aos falcões fascistoides enquanto murmurava palavras de adulação características do seu género.

      Treteiros parece ser uma delas)

      Mas o que sobra mesmo é o odiozito de estimação a quem lhe desmascara os seus ídolos, como o fazem o Ricardo e o João.

      De

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    2. "Jose
      31 de março de 2015 às 23:00

      Nem todos podem ser funcion+arios de partido em missão de serviço"

      Os partidos de direita são mais sortudos, além de terem quem trabalhe gratuitamente (?) ainda são generosamente obsequiados com milhões por parte dos amigos ricalhaços.


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