Este texto não é sobre o Passos Coelho e a Segurança Social, é mesmo sobre a EDP e sobre como o capital é um monstro desumanizado que é preciso escavacar de alto a baixo

terça-feira, 10 de março de 2015

A história é simples e fácil de ser contada. A EDP anunciou lucros de 1.040 milhões de euros no ano de 2014. Eu escrevo por extenso: mil e quarenta milhões de euros. Extenso mas em números: 1.040.000.000,00. É muito zero. Melhor ainda, os lucros subiram 4% relativamente a 2013.

E a nossa, a que temos de dispender a imaginar como pagamos a conta da luz.
O que também subiu no início de 2015, foi o custo da electricidade. Parece que teremos de chegar ao fim do ano com uma subida de cerca de 3,3%, ordena Bruxelas. É preciso acabar com essa treta do défice tarifário, dizem eles. Por cá, quem fica com um défice bem estampado nas contas diárias, são as famílias e as pequenas empresas nacionais.


Aqui por casa, por exemplo, num edifício com 3 apartamentos e em que só 2 estão habitados - totalizando 3 pessoas a viver no prédio -, em 2012, com consumo zero, 0,0, pagávamos cerca de 2 euros/mês pela potência contratada e outras taxas. Em início de 2015, com consumo zero, 0,0, pagamos quase 8 euros/mês pela mesmíssima potência contratada e outras taxas. Assim é fácil ter lucro...

Melhor ainda é uma notícia de hoje que nos dá conta de uma acção conjunta da EDP e da PSP para cortar a electricidade em 15 casas no Entroncamento.

São 15 famílias que vão ficar às escuras até arranjarem dinheiro para pagar esse luxo do séc.XXI que é ter electricidade em casa. 15 famílias que quando passarem a ter dinheiro para pagar a factura da EDP vão pagar mais 3,3% do que pagariam em 2014, contribuindo assim para que em 2015 a EDP continue a ser uma robusta, forte, privatizada e lucrativa empresa, à custa dos bolsos mais vazios dos malucos e malucas que andaram a viver acima das suas possibilidades, vendo televisão, lavando loiça e roupa na máquina, utilizando caldeiras para aquecer o banho, lâmpadas para ler livros, etc.

E é a PSP a continuar a ser usada para amedrontar os cidadãos, mesmo quando estão a ser privados nas suas necessidades básicas - Aleixo, estás à escuta?

Sem saber ao certo nem procurando, para não me enjoar, quantos milhões de euros receberam António Mexia e os restantes administradores da EDP durante os anos de aperto de cinto e de Troika em Portugal, calculo que esse valor seja o suficiente para cobrir o que as famílias e as pequenas empresas pagaram em aumentos de electricidade durante o mesmo período. Pelo menos deve andar lá perto, que aquilo é gente que gosta de viajar para os melhores resorts...

Durante 2015, quando virem o António Mexia na rua, peçam-lhe 3,3% do que tem no bolso para pagar o aumento da luz. Mas descansem-no, informem-no que rapidamente receberá um generoso aumento no bónus anual pela sua magnífica gestão baseada no esforço e escuro alheio.   

5 comentários:

  1. Um bom e claro post.

    A propósito das privatizações esta curiosa confissão de um que tarde piou:

    Pode ler-se aqui:

    http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2015/03/privatizacoes.html#links

    De

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  2. Por se ter andado a escavacar capital na 'justa luta' da distribuição de tudo a todos é que a EDP é chinesa e é preciso lutar ainda para os Jerónimos não irem à praça.

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    1. Rasteiro , não?

      Quem privatizou foram os amigos do jose.
      Quem encheu e enche os bolsos são os amigos do jose.
      O tudo a todos do jose afinal não passa do tudo a uns poucos...amigos do jose

      Confere.A juuta luta do jose está de acordo com o babar contínuo em prol da barbárie.
      Do tal tudo a uns poucos...tão do agrado do jose

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    2. A este comentário de 11 de Março pelas 13 e 37 falta-lhe o "De" final

      De

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  3. Faltou falar nos donos da EDP: o Estado burguês chinês, os burgueses no aparelho de Estado e no "comité central" do mal chamado PCChinês. O KKE não se esquece denunciar esses abutres.

    https://peloantimperialismo.wordpress.com/2015/03/11/programa-do-kke-parte-iii/

    "O objectivo estratégico do KKE é a conquista do poder operário revolucionário, isto é, da ditadura do proletariado, para a construção socialista como fase imatura da sociedade comunista.

    A mudança revolucionária na Grécia será socialista."

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