"Callcenter - um operário em construção" por Paula Gil

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Comecei a trabalhar, num callcenter, na linha da NOS em Setembro de 2014. Fui contratada pela EMPRECEDE, uma empresa fantasma com o único objectivo de servir de intermediário à Teleperformance no recrutamento de recursos humanos. Uma empresa com 7000€ de capital social e mais de 1000 trabalhadores – bem mais de 1000 trabalhadores.

Os dias de formação são pagos a 5€ - as 8horas que lá passas (0,62€/hora) e que são obrigatórias -, mas só os recebes se completares a formação e em conjunto com o teu primeiro ordenado. Para que fique assente: toda a gente passa aquela formação. O único requisito é que não penses muito! Eu recebi 25€ pelos meus 5 dias de formação.

Durante a formação ensinam-te qualquer coisita (mas pouca!) sobre o produto e técnicas de venda – argumentar, argumentar, argumentar até ao final, em qualquer circunstância, a qualquer momento e face a qualquer obstáculo. Estou num funeral, não tenho computador, não vivo em Portugal, entre outras, são facilmente argumentáveis com: só preciso de 5 minutos do seu tempo, de certeza que os seus netos têm, mas não tem família cá?

Finalmente ensinam-te a falar horas sem nunca dar a tua opinião. Qualquer resistência deve ser respondida com um “Compreendo”, logo seguido de um argumento com enlace positivo, por exemplo:

- “Não tenho dinheiro nem para comer.”

- “Compreendo, mas ao menos tem televisão e pode esquecer-se dos problemas da vida” (e sim, eu ouvi colegas meus a utilizar este argumento).

Ao mesmo tempo pensas nos 2,81€ (2,91€ com o aumento do ordenado mínimo) e nas eventuais comissões (se conseguires fazer 4 vendas por dia) que te caem na conta ao final do mês e que te permitem chegar aos 650€/700€ se não faltares nenhum dia. Pensas no contrato que assinaste que te informa que as tuas férias não são pagas e que pode, nos primeiros meses e por uma questão de formação interna, ser-te exigido que trabalhes mais do que 40horas semanais e as extras não te serão pagas. Pensas que, a qualquer momento, podem deslocalizar o teu posto de trabalho ou simplesmente despedir-te – os contractos são semanais. Pensas! Mas não dizes a ninguém, porque pensar é proibido!

Depois começas a trabalhar. Trabalhar num callcenter é como entrar todos os dias para uma fábrica à boa maneira do fordismo, com chamadas a cair em sequências avassaladoras e o discurso que quase se embrulha quando terminas e recomeças sem respirar: “Posso ser útil em mais alguma coisa? Então, em nome da NOS, um bom dia. Muito boa tarde, o meu nome é Paula e estou a ligar-lhe da NOS”. Mas também há longas horas em que o sistema não funciona e tu não podes pegar no telemóvel, fazer uma pausa – por que as pausas estão quantificadas e só tens direito a 10 minutos por cada 1h30 de trabalho – ler um livro ou utilizar a internet. Trabalhar num callcenter é teres de pedir autorização para ir à casa de banho, para comer e até para te levantares e esticar as pernas. A tua função é esperar: que haja base de dados, que o sistema funcione, que te mandem fazer alguma coisa. E depois voltas a entrar na engrenagem: “Estou sim, muito boa tarde, o meu nome é Paula e estou a ligar-lhe da NOS”.

Trabalhar num callcenter é aprenderes a não te importares com os problemas do outro lado da linha. É venderes um serviço que sabes que o cliente não quer, não precisa e que funciona mal, utilizando argumentos que não são mentira, mas são falaciosos e amplificam pontos positivos, sabendo que os restantes não os compensam. É teres pessoas aos berros ao telefone porque foram contactadas mais de 50vezes num dia – e tu sabes que é verdade, porque até tu já falaste com aquela pessoa naquela hora – e mesmo assim responderes que “é na vez 51 que se adere!”. Sempre, sempre, com um sorriso na voz. Trabalhar num callcenter é ouvir que “não vendes porque não tens ambição”.

Trabalhar num callcenter é teres “reuniões de equipa” e motivacionais todas as semanas, mas o seu objectivo não é criar bom ambiente. Servem apenas para te informar quem está a cumprir os objectivos e de eventuais alterações das comissões. Servem para criar divisão.

Trabalhar num callcenter é teres um supervisor a ouvir as tuas chamadas e a falar contigo ao mesmo tempo que falas com o “Sr. Cliente” com dicas e argumentos ridículos de como impingir o produto, aos berros. E, no final, quando não vendes, ainda o ter a pedir-te explicações e a dizer que estás a “deixar mal a equipa”. Trabalhar num callcenter é olhar em volta todos os dias e sentir que se um dia gritassem que devias saltar da janela, terias um coro de pelo menos 10 máquinas que responderia: “Qual delas?”

Trabalhar num callcenter é seres colocada num cantinho da sala, longe, porque tens uma “atitude provocadora, desafiante e desrespeitadora da autoridade.” Trabalhar num callcenter é teres de explicar, constantemente, que és tão (ou mais!) pessoa, humana, de carne e osso que os teus supervisores. Trabalhar num callcenter é ouvir que “essa consciência que tens agora, vais perdê-la. Toda a gente a perde”. Trabalhei num callcenter 2 meses. E eu não a perdi.

Pediram-me para escrever um texto sobre callcenters. Ao fim de semanas, consegui juntar estas palavras. Não é fácil escrever sobre o único trabalho que continua a recrutar e tentar explicar que por dinheiro não vale tudo. Não é fácil explicar que este foi o único trabalho em que, todos os dias me arrancavam a alma do corpo, sobretudo por que há quem o faça e não se importe e, por vezes, até goste.

Trabalhar num callcenter é saber que não é o operador que se deve abater, mas o supervisor. O operador há que politizar, há que trabalhar com ele, é um operário fabril. O supervisor é o capataz. Mobilizemo-nos!

*Blogger Convidada Paula Gil

25 comentários:

  1. A nítida exploração do Homem pelo Homem!

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  2. Trabalhar num callcenter... É aprender e reconhecer que somos nós, juntos, que podemos lutar e fazer a diferença. E reconhecer que ter voz não passa apenas por atender telefones, é exigir os nossos direitos pela união e pela força. Nos callcenters EDP a batalha tem sido longa, mas não existem impossíveis. Continuamos a lutar sempre com o sindicato SIESI do nosso lado. Não denunciamos apenas, agimos. E sabemos que juntos somos mais.

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  3. Escravatura do Sec. XXI!!!
    ACORDAI!!!

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  4. Saudações,

    Hoje trago Marx precisamente sobre este assunto. O Capital, Volume III, Capítulo XVII. Segue:

    "The commercial worker produces no surplus-value directly. But the price of his labour is determined by the value of his labour-power, hence by its costs of production, while the application of this labour-power, its exertion, expenditure of energy, and wear and tear, is as in the ease of every other wage-labourer by no means limited by its value. His wage, therefore, is not necessarily proportionate to the mass of profit which he helps the capitalist to realise. What he costs the capitalist and what he brings in for him, are two different things. He creates no direct surplus-value, but adds to the capitalist's income by helping him to reduce the cost of realising surplus-value, inasmuch as he performs partly unpaid labour. The commercial worker, in the strict sense of the term, belongs to the better-paid class of wage-workers — to those whose labour is classed as skilled and stands above average labour. Yet the wage tends to fall, even in relation to average labour, with the advance of the capitalist mode of production. This is due partly to the division of labour in the office, implying a one-sided development of the labour capacity, the cost of which does not fall entirely on the capitalist, since the labourer's skill develops by itself through the exercise of his function, and all the more rapidly as division of labour makes it more one-sided. Secondly, because the necessary training, knowledge of commercial practices, languages, etc., is more and more rapidly, easily, universally and cheaply reproduced with the progress of science and public education the more the capitalist mode of production directs teaching methods, etc., towards practical purposes. The universality of public education enables capitalists to recruit such labourers from classes that formerly had no access to such trades and were accustomed to a lower standard of living. Moreover, this increases supply, and hence competition. With few exceptions, the labour-power of these people is therefore devaluated with the progress of capitalist production. Their wage falls, while their labour capacity increases. The capitalist increases the number of these labourers whenever he has more value and profits to realise. The increase of this labour is always a result, never a cause of more surplus-value."

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  5. Num comentário a um texto de Lénine (O Programa Militar da Revolução Proletária) que aqui deixei, um anónimo terá insinuado que eu não era do "mundo operário" e que portanto não entendia o que era a "repressão". Ora o meu mundo é o da Paula Gil.. contratos mensais, a saltar entre ETTs, ordenados de 500€, etc. Considero que sou operário, mas que não sou produtor de mais-valia. Sou um operário improdutivo. Estou na realização da mais-valia e não na sua produção.

    Como duvido que o anónimo estivesse a afirmar que eu pertenço a outras formações sociais como a burguesia ou a pequena-burguesia, imagino que estivesse a atirar aos outros a sua particular definição sobre o que é o "mundo operário" e a marcas as linhas no chão.

    Sobre isto convém dizer o seguinte. Quem ignora o potencial revolucionário destas classes, em crescente proletarização, e aparece para dividir o proletariado tradicional do novo proletariado oriundo de classes que agora se decompõem, ou entre os que qualitativamente fazem mais trabalho produtivo que outros, tal como seja, entre um operador de callcenter e um trabalhador da autoeuropa, um caixa de supermercado e um estivador, uma secretária e um condutor da carris.. esses, dizia, são apenas inimigos da revolução, sem mais.

    Cumprimentos

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    1. Camarada Argala.

      Vou dar-te uma ajuda para te facilitar a vida a ti a quem lê os teus escritos descontextualizados dos artigos aqui expostas.

      Ttens aqui praticamente de tudo de Marx e Lenine e em Português.

      http://vermelho.org.br/interna.php?pagina=biblioteca.htm

      Agora já podes ir descansar por uns tempos.


      Saudações Revolucionárias, por enquanto sem armas isto porque é um grande risco para a luta do proletariado pegar em armas sem estarem garantidas as condições para se obter a vitória, embora ainda haja quem pense o contrário.

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    2. Camarada Carlos Carapeto,

      Estamos em desacordo sobre essa questão, mas respeito a tua opinião e o facto de vires a debate. Convém no entanto que definas com maior precisão exatamente onde é que aparece a discordância

      Eu não defendo o levantamento em armas para amanhã. Isso é uma caricatura e uma tentativa de virar o bico ao prego: é por não estarem reunidas as condições subjetivas que devemos preparar a insurreição. E essa é uma tarefa de um partido revolucionário, uma vez que as condições objetivas se estão a reunir - todos percebemos o que aí vem.

      E se na minha opinião estamos a chegar ao fim de linha, exige-se a preparação agora, não quando o lobo estiver à porta. A insurreição é uma arte, e para passar no exame, começa-se a estudar com antecedência, não é na véspera.

      Lénine fala disto em vários textos. Não vos vou maçar com citações muito longas, vejam só como começa esta carta ao comité central. Marxismo e Insurreição:

      "One of the most vicious and probably most widespread distortions of Marxism resorted to by the dominant "socialist" parties is the opportunist lie that preparation for insurrection, and generally the treatment of insurrection as an art, is "Blanquism"."

      Os reformistas dirão que nada se passa até o chão ruir. Dirão até que estamos a avançar.. a chegar a um ponto de inflexão.. mas que temos que esperar e não preparar nada sem que alguma coisa absolutamente estranha se passe. Colocarão sempre o problema do ponto de vista defensivo, e depois serão todos esmagados. Estas hesitações terão sempre explicações materiais, e de classe. Não nos enganemos.

      A barbárie imperialista já conseguiu reduzir um partido comunista a pó.. eclipsá-lo do mapa político. O que é que era perigoso para o proletariado? Esperar que o lobo chegasse ou preparar o embate? O proletariado está agora a ser arrebanhado à força para ir combater os seus irmãos de classe em Donbass. E agora quem é que defende o proletariado da barbárie? Quem é que foi aventureirista? O que é que era perigoso? Era o "aventureirista" que avisou para a chegada do lobo ou quem pura e simplesmente cagou d'alto para o problema?

      O governo prepara-se para introduzir a apologia pública do terrorismo no código penal. Para quê? Se não há movimentações, aparentemente não haveria necessidade. Mas há! O problema é as transformações hoje em dia dão-se a uma velocidade muito maior. "Prever antes de preparar" é já pôr pé em ramo verde. Quando dás por ti já o inimigo está a dançar na tua campa. A revolta e a violência vêm aí, mas se não somos nós a prepará-la, ela virá desorganizada, sem efeitos práticos. É só essa questão.

      Na prática, já sei que montar estruturas de embate com o estado burguês cria enormes problemas. Ao comparares com a actual situação de paz social - onde a burguesia te deixa existir a troco de que não chateies muito -, só te deves preocupar com os limites que a tua prática coloca à articulação com as massas, com evidência concreta na mão. Quando a luta ascendente começar a tirar o sono à burguesia, é ela quem te põe os limites. Esta é a experiência dos movimentos revolucionários mais recentes. Quais são os nossos limites nos dias de hoje? Nem sabemos.. sem prática revolucionária não se sabe isso. E sem prática revolucionária não se está a estudar para o exame. E sobre isto podes dar as voltas que entenderes, podes embrulhar o reformismo com mil e uma palavras de mil e uma bíblias, podes torcer e retorcer a coisa. Não há volta a dar. Isto são verdades como punhos. Sem prática revolucionária concreta hoje não se constrói teoria revolucionária para os nossos dias, e sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário. A revolução não nasce do nada.

      Abraços

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  6. Ora inimigos da revolução temos nós bastamente e em barda.

    É ver por exemplo o inquilino de Belém e os que objectivamente lhes servem as manhas
    e os ranhos.

    E é ver por contraste este texto de Paula Gil que apela à luta e à mobilização.

    E porque é mais do que justo e é necessário combater com a firmeza de aço os contra-reolucionários de todos os matizes é bom relembrar a postura dum verdadeiro revolucionário

    "Álvaro Cunhal foi uma personagem irrepetível.

    Tinha a marca do diferente sem que para isso fizesse o menor esforço.
    ...

    Foi um grande revolucionário. A memória mais densa que dele vai perdurar é a do dirigente e ideólogo comunista de prestígio mundial. Mas o êxito acompanhou-o sempre em todas as frentes de intervenção. Escreveu um romance notável — Até Amanhã Camaradas — e contos, ensaios e narrativas de elevada qualidade literária. A sua tradução do Rei Lear, de Shakespeare, para alem da intimidade profunda com dois grandes idiomas, deixa entrever a complexidade da sua reflexão sobre a obra do genial inglês. Como artista plástico os Desenhos da Prisão anunciam o talento criador do grande pintor que poderia ter sido.

    A sua obra teórica será pelo tempo afora de consulta indispensável para a compreensão do Portugal do século XX. Ninguém como ele ilumina as lutas do tempo do fascismo e desce tão fundo na compreensão das estruturas sociais do povo que foi sujeito da breve mas luminosa saga da Revolução de Abril.

    Como ideólogo ele tinha a capacidade muito incomum de fazer a ponte entre a teoria e a pratica. Fazia nos recordar Marx pela maneira como do estudo e do conhecimento profundo da história retirava conclusões que o empurravam para a inovação.

    Duas gerações de simuladores de cultura que vociferam contra Lenine sem nunca o terem lido teimam em exorcizar Álvaro Cunhal pela sua firme defesa do marxismo-leninismo.

    Um partido revolucionário é sempre uma obra colectiva. Mas é transparente que foi decisiva a contribuição de Álvaro Cunhal para a transformação do PCP num grande partido de massas preparado para assumir tarefas históricas que não era possível prever em Abril de 74. "


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  7. (Cont)

    Lenine dizia que sem organização revolucionária não há revolução possível. A sua teoria do Partido — combatida pelos mencheviques — aparece como a coluna vertebral do leninismo.

    Obviamente, o PCP não cresceu como partido moldado pelo figurino do partido bolchevique, tal este se apresentava na Revolução de Fevereiro de 17. Mas o leninismo, em Portugal — o fantasma que feriu a sensibilidade de "dissidentes" e "renovadores" ansiosos por aderir a um capitalismo "reformado" e "humanizado" — funcionou como a seiva que permitiu ao PCP manter uma organização e uma firmeza sem as quais não poderia ter respondido a exigências da historia. O centralismo democrático, tal com Lenine o concebia, é infinitamente mais democrático do que os mecanismos de falsa participação montados pelas ditaduras da burguesia de fachada democrática.

    Atrevo-me a afirmar que a poderosa criatividade de Álvaro Cunhal, como estratego se afirmou sobretudo nos anos da escalada contra-revolucionária. Repito aqui o que então escrevi: "Se é um facto que as grandes conquistas de Abril se concretizaram sobretudo no breve período compreendido entre o malogro da intentona da "maioria silenciosa" e o 25 de Novembro, cabe recordar que a tenaz defesa dessas conquistas, quando principiou a contra-revolução, não teria sido viável se na época uma percentagem importante dos trabalhadores não houvesse resistido com lucidez e firmeza à ofensiva restauradora das forças da direita tradicional dirigida pelo Partido Socialista".

    A intervenção pessoal de Álvaro Cunhal na estruturação de um colectivo partidário mobilizado para uma luta permanente e dificílima aparece-me como determinante naqueles anos. A sua capacidade de estratego, servida por uma sensibilidade que lhe permitia adoptar as inflexões tácticas indispensáveis com uma rapidez impressionante tornou possível aquilo que desesperou sempre o PSD e o PS: a vitalidade revolucionária do PCP como partido que num batalhar ininterrupto havia adquirido, no quadro de uma democracia já castrada, a estrutura e o perfil que o projectaram no mundo como paradigma de organização que na luta utilizava como guia para a acção o marxismo-leninismo, não com o breviário escolástico a que fora reduzido nos países do Leste e na URSS, mas como teoria (e praxis) criadora em permanente renovação. Tal como Lenine o imaginara.

    A atenção dedicada à morte de Álvaro Cunhal como acontecimento — atenção inseparável da ambiguidade que caracteriza a actuação dos dirigentes da burguesia portuguesa — não pode esconder uma evidência: nenhum português contemporâneo (com excepção de Vasco Gonçalves) foi tão caluniado e injuriado como o ex-secretário-geral do PCP.

    A sua grandeza feria os inimigos da Revolução.

    Li trabalhos sobre Álvaro Cunhal agora publicados no México, no Brasil e noutros países da América Latina que deixam transparecer uma profunda e comovida admiração pelo revolucionário e pelo cidadão. Admiração que se expressa também pela reprodução de paginas dos seus livros e de ensaios e artigos da última fase da sua vida.

    Li textos que, sendo berros de ódio, mancharam os jornais que os divulgaram. Os autores ficam nus na praça pelo seu primarismo.

    Muitos anos passarão até que volte a nascer entre nós um homem com a dimensão de grandeza de Álvaro Cunhal. Foi a enterrar o maior português do século XX. Essa evidencia não pode ser apagada. O seu grandioso funeral foi simultaneamente uma herança carregada de lições para o Partido revolucionário que conferiu sentido à sua existência. Oxalá os comunistas portugueses saibam colectivamente interpretá-las, levando-as à prática nas grandes lutas que se esboçam no horizonte. "

    Ecertos dum muito belo texto do Miguel Urbano Rodrigues de homenagem a um Revolucionário.A um Marxista-Leninista. A um Comunista

    De

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    1. Ó homem. Acorde para a vida!
      Isso foi escrito duas semanas depois da morte de Cunhal. Eu também estive no funeral de Álvaro Cunhal. Já percebi que vossemecê vem da escola do elogio mútuo e por isso nem sequer lhe peço que me dê a sua opinião sobre as teses de Cunhal (que, como já expliquei, a história e a experiência trataram de não validar). Neste caso só lhe peço um pouco de tacto social, para colocar esse texto no seu devido sítio.

      Os méritos e qualidades de Álvaro Cunhal não devem ser misturados com a análise fria e objetiva das suas teses políticas, que a história provou que estavam erradas e que por isso devem ser superadas.

      Volto a citar um discurso de Álvaro Cunhal que contém o ponto central das teses que quero ver discutidas:

      "Isto não significa que o único caminho para o socialismo será uma insurreição. Poderá não soar o tiro do nosso Aurora nem se verificar o assalto ao nosso Palácio de Inverno. Tudo faremos para tornar possível o caminho pacífico para o socialismo. Tudo faremos para que seja explorado ao máximo de profundidade o potencial revolucionário original revelado no processo da Revolução portuguesa. Outubro significa mais que insurreição.

      (...)

      A Revolução democrática portuguesa avançou tanto que, sem a destruição das liberdades, sem uma nova ditadura reaccionária, a reacção não conseguiria liquidar as conquistas revolucionárias alcançadas, anular as nacionalizações e forçar a recuperação das terras pelos agrários.

      A recuperação das posições do capitalismo não é possível existindo as liberdades, porque, exercendo as liberdades, o povo português não consentirá que lhe sejam roubadas as conquistas da Revolução, Só pela violência e o terror seria possível roubá-las. Por isso dizemos que as alternativas de reassimilar a Revolução portuguesa e forçá-la aos moldes da social-democracia conduziriam não a um regime democrático, mas a uma nova ditadura fascista." Álvaro Cunhal, 7 de Novembro de 1975, Pavilhão dos Desportos em Lisboa.

      Isto está correto ou está errado? Existe ou não existe caminho pacífico para o socialismo? O capitalismo recuperou ou não recuperou as suas posições "em liberdade"? É só isto meu caro.

      Cumprimentos

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    2. Um provocador parido nos cueiros dos rebolucionários de 1975, a repetir desta forma obscena o repetido pelos pulhas da altura.

      Era o que mais faltava
      "Cunhaiismo só o ouvi da boca de tipos que são os pais e mães ) de coisas como o argala

      Na altura do verão quente, pululavam como cogmelos. Depois desaparecidos sem combate.Agora reaparecidos nas fraldas do argala a tentar fazer o trabalho falhado dos eduínos , dos barrosos e dos arnaldo matos

      Fedem

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    3. Mais duas notas breves.

      Percebe-se que argala fique incomodado e vomite o seu ódio de claase a Álvaro Cunhal.
      O Miguel tem inteira razão:"nenhum português contemporâneo (com excepção de Vasco Gonçalves) foi tão caluniado e injuriado como o ex-secretário-geral do PCP. "Argala repete apenas o estribilho nauseabundo

      A segunda nota é para avisar o argala que se ele é um aldrabão e um troca-tintas, os demais não o são.
      E é abjecto,próprio da escumalha acreditar que alguém como o Miguel Urbano diz uma coisa duas semanas após a morte de alguém , para substituir mais tarde a sua opinião sobre o que disse e sobre quem disse.

      Nada lhe dá o direito , nem objectiva nem subjectivamentr para pensar que os demais são feitos à sua imagem e semelhança

      De

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    4. Quanto ao que o argala matos quer discutir...
      Este não deve estar bom da cabeça.

      Chegou atrasado. Os peditórios em torno da masturbação de revolucionários de opereta já foram feitos.Quando se descaem estão a defender objecrivamente o cavaco. E a tentar vender o seu paleio reformista travestido de radical... de sofá.

      O ódio de classe está à vista.O coitado faz o que pode.Mas só lhe saiem estes desesperados e patéticos articulados repetindo ad nauseam o já discutido com os futuros contra-revolucionários assumidos

      A falta de vergonha do fulano vai ao ponto de querer discutir a mais valia de tipos como o próprio Argala, o basco, o alter-ego de argala matos ?

      Mas é melhor não ir por aí para não manchar o que pode ser injusto ser manchado

      De

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    5. Homem, vossemecê está chato!

      Como se diz em castelhano, deje de marear la perdiz e responda às questões:

      Existe ou não existe caminho pacífico para o socialismo? A burguesia recuperou ou não recuperou as suas posições no quadro da democracia burguesa?

      É só isto pá! Se lhe faz confusão pensar sem a referência de Cunhal como contraposição para todos os debates, então esqueça-o, façamos o seguinte exercício: imaginemos que Cunhal e Lénine nunca existiram. Feito isto, junte apenas os factos históricos que conhece sobre o movimento operário e responda então às duas questões a negrito, procurando justificar com evidência histórica.

      Cumprimentos

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    6. Chato?

      O argala já devia saber que nesta história de luta de classes "chato " não é qualificativo que se aplique.

      Eu percebo o que incomoda argala e as suas dificuldades.Está numa de rebolucionário. Mas ao contrário do verão de 75, em que existiam uma série de grupúsculos aliados objectivamente da contra-revolução, agora é o deserto nesse lado do espectro partidário.

      O que resta a tais seres? Fazerem-se à pesca e tentarem converter os demais num processo pseudo-revolucionário de chamar os fiéis ao curral, de acordo com os seus postulados ideológico-religiosos.

      Quando desta forma tola e tonta argala quer fazer crer que a causa de estarmos como estamos resultou da acção de Álvaro Cunhal e do PC demonstra logo aqui várias coisas:
      -Que é desonesto, esquecendo-se que os companheiros ideológicos de argala nada fizeram e que se passaram em massa para o adversário directo; que a mudança que se operou no mundo teve a contribuição notável daquela gentalha que faz parte do circo denunciada superiormente por Lenine ( e por Álvaro Cunhal)-E que o ódio ao PC e aos seus dirigentes é manifesto, matizado apenas pela necessidade de eficácia do seu processo de catequização.Mas é ver os menages (ideológicos ) que argala fazia com outra dandy de rebolução, a raquel e o seu companehiro o Paço.

      - Que os resultados da ETA e do basco argala estão à vista de todos. Com as suspeitas várias da utilização do próprio argala para outros interesses que não os da classe operária basca. Mas já disse que agora vir falar de quem beneficiou com toda esta jogada em espanha pode de facto ser duma grande injustiça para o personagem de carne e osso,inspirador de nicks aos órfãos ideologicos e sem ser ideológicos

      Os exercícios sobre o "apagamento" de Lenine e Cunhal não são para levar a sério. Apagar os factos não conduz a nada. Contraditar a História apenas reforça a minha teoria que os onanismos podem ser o forte de argala.Mas que não me interessam mesmo para nada nem para os reptos em jeito de desespero do argala-nick

      De

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    7. As perguntas de argala ( a negrito) revelam também outra coisa: uma infantiidade e um primarismo absoluto que são elas próprias uma refutação do leninismo. A primeira por fazer parte dum quadro mental próprio duma criança com o seu mundo muito próprio de valores religiosos inexpugnáveis ( esta de tirar conclusões do que vivemos hoje para as aplicar desta forma primária em qualquer situação futura é mais próprio dum cartomante.A superação do modo de produção capitalista é que terá que ser inevitavelmente revolucionária ..)
      A segunda nem vale a pena comentar porque o já foi.

      Mas argala tem outro objectivo concreto. O de apagar a figura vergonhosa que fez. E mais alguma coisa.
      Na sequência dum belíssimo texto de Miguel Urbano Rodrigues sobre um Revolucionário e um Leninista, Álvaro Cunhal, aragala o que vem dizer?
      Que "os méritos e qualidades de Álvaro Cunhal não devem ser misturados com a análise fria e objectiva das suas teses políticas"
      Mas o que diz MUR? exactamenteo o contrário: que o "êxito o acompanhou em todas as frentes de intervenção.Mas que "foi um grande revolucionário. A memória mais densa que dele vai perdurar é a do dirigente e ideólogo comunista de prestígio mundial."Leia-se ou releia-se o texto para se confirmar que de facto a "análise obectiva e fria das suas teses polítcas o situam num patamar superior ( sorry mas é mesmo isto)

      O que faz então argala? Faz uma coisa muito feia. Não podendo desmentir o que está escrito preto no branco, avança com algo indescritível.Põe em causa o conteúdo do texto em função do tempo em que o Miguel o escreveu "Esquecendo" como já dito que não há o mínimo registo de qualquer mudança no pensamento deste sobre o Álvaro" e mostrando assim processos de intenção mais próprios dos tribunais plenários.E dos seus sequazes

      Assim as teses políticas, que a "história" provou que estavam erradas não resultam da História, mas da opinião da estória de argala. Que assim mostra que confunde a sua opinião com a realidade dos factos e que a sua leitura destes tem a "universalidade" que só um aldrabão de feira insiste em manter.

      Com esta posição asssumida de classe argala mostra também duas coisas: que nos toma por parvos e que toma o Miguel por desonesto e papagaio que voa ao sabor dos ventos suprados por parte de argala.

      O mais do resto é o debitar de princípios religiosos em torno de personagens ou de ídolos. Esta de ter deuses na terra e querer mostrar que os outros não são deuses tem destas coisas.É que não há mesmo deuses.
      E que a dimensão dos homens é apenas humana mas é isso que confere a alguns a sua verdadeira grandeza

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    8. Conclusão: não há resposta a nenhuma das questões. Nem sabemos onde anda o De.. provavelmente à espera de indicações do banco.

      E deixe lá a ETA e Argala em paz. Se vossemecê se recusa a discutir o que conhece vagamente, como é que vai debater aquilo de que nada sabe. Está com vontade de soltar a cantinela.. vá diga lá: Argala era espião da CIA, a ETA está ao serviço da reação, a eliminação de Carrero Blanco foi uma ação de terrorismo individual - isto era o que diziam os seus amigos carrillistas.

      Não vou insistir mais consigo. Pode continuar a vomitar o seu ódio mesquinho. Como já lhe disse, gente da sua laia acaba sempre por cair.. é só uma questão de tempo.

      Cumprimentos

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    9. Que pena que argala passe um atestado de menoridade à sua própria condição de "intelectual".Mas sobretudo à nossa condição cognitiva

      Que pena que argala não perceba que as respostas às questões estão lá todas, explicitas e chapadas, para que até mesmo o mais recôndito e pacato ser o consiga perceber

      Que pena que argala queira arrastar a ETA e argala para os esconderijos da cia e do carrero blanco , salivando pelos "amigos " carrilistas ,quando inequivocamente ( e de forma superior) o Álvaro e todo o colectivo do PC já ajustaram há muito as questões ideológicas com este senhor ( para desespero de argala é certo)

      Que pena que argala não perceba ( ou melhor finja que não perceba) que os resultados da luta do povo basco estão à vista de todos e também ( infelizmente) muito longe dos resultados pretendidos pelos que lutaram pelo país basco.

      Que pena que argala silencie os disparates que diz e que fuja como da peste quando confrontado com o seu próprio arrazoado.

      Que pena que argala não veja as semelhanças que apresenta com as jornalistas dondocas ( mas tb os jornalistas) que desesperavam quando faziam aquelas perguntas de polichinelo a Cunhal e este respondia de tal forma que aqueles andaram metade da sua vida a dizer que o Alvaro (por não lhes confortar os egos e os propósitos achinelados), não respondia ás questões Contribuíram assim, involuntariamente é certo, para um dos mitos das entrevistas do ex-secretário -geral do PC. mas o que é certo é que a mediocridade intelectual dos plumitivos de serviço é que não lhes permitia ir mais longe

      Que pena que argala não seja ao menos coerente com um intervalo mínimo de 48 h e que salte das afirmações pueris e infantillóides sobre a queda para breve dos "cunhalistas" ( ah,este sabor tão requentado), para outras em que alerta para o putativo mal irremediáve destes e agora protele o tempo da queda para as calendas gregas, abandonando os salmos emitidos há tão pouco tempo.

      Não, não é uma questão de tempo. É uma questão de luta de classes

      De

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    10. (" indicações do banco"?

      Francamente .Que desespero rasca)

      De

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  8. O Mundo gira...
    http://www.avante.pt/pt/2149/trabalhadores/134164/

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  9. Excelente texto!! Contudo ainda consigo acrescentar: "Trabalhar num callcenter é utilizar tanto vocabulário num só dia de trabalho que se chega a casa sem qualquer vontade de abrir a boca para socializar com a família! É uma exaustão de palavras!"

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  10. Tal como a Paula, também eu trabalhei para a TP, com contratos mensais da Em precede. A 20/10/2014, fui informada que o meu contrato não seria renovado, porque causei mau ambiente à equipa, porque tentei saber através do departamento de recursos humanos, o porquê de não me mostrarem como foram retirados 260€ de comissões e porque não me foram retiradas 2 horas do "meu" banco de horas, quando me senti indisposta e faltei 2 horas ao trabalho.
    Desde 22 de Setembro de 2014, data em que apresentei denúncia à ACT, que aguardo uma resposta dos mesmos. Os 60 dias legais que tinha para dar resposta, a Autoridade, que também não respeita a lei laboral, ultrapassou-os há muito!
    Também eu, vi a minha alma ir-se por entre aquelas portas!
    Felizmente que fui um elemento que causei mau estar à equipa de supervisão do Barclaycard!
    Felizmente, que consegui um trabalho na minha área, onde finalmente, no sou apenas mais um número, sou uma pessoa que está a contribuir para a empresa com a contribuição dos seus conhecimentos, da sua experiência de vida e profissional.
    Sinto-me finalmente útil, sinto que ali não vou subir na horizontal, nem sendo lambe botas! Deixei finalmente os antidepressivos, que comecei a tomar 3 meses depois de entrar na Teleperformance. Lamento apenas pelas grandes pessoas e profissionais que por lá estão, que têm que aguentar a tirania dos números, aqueles que não podem tentar saber para onde vai o seu dinheiro, porque ao final do mês, o salário é necessário para pagar contas e alimentar filhos. A todos os massacrados com os telefonemas dos call center's, lembrem-se que do outro lado do telefone, maioritariamente está alguém que até sabe do massacre que está a ser alvo, mas não tem opção, ou trabalha na "escravatura" apoiada pelos vários governos do nosso país, ou não tem trabalho de todo.

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  11. Tive o privilégio de trabalhar num dos melhores Call Centers de Lisboa, também na NOS (mas na altura ainda era Optimus), podíamos ficar sentados ou em pé, conversar nos tempos mortos, desde que não abusássemos, estava tudo bem.
    No entanto reconheço que para quem está nas vendas, ou mesmo na área comercial, a história já é diferente. Os meus supervisores eram excelentes, tanto técnica como humanamente, mas percebi que os da equipa ao lado (área comercial) eram uns snobs arrogantes de primeira.
    Gostava de dizer que os Call Centers não tinham que ser assim. As pessoas não tem que ser gananciosas para ser ambiciosas, não tem que enganar para vender, não tem que ser tratadas de forma desumana para produzir.
    Falta neste país uma mudança de pensamento. A nossa revolta não pode trazer só a queda dos supervisores arrogantes, tem que trazer pessoas preparadas para vencer a(as) batalha(as) do dia-a-dia com a capacidade de usar o melhor de cada um de nós, que à conta da arrogância (mas também do medo e do receio, da ganância sem escrúpulos de quem quer à força mostrar resultados) não se deixa ver, e assim as qualidades de cada um ficam sufocadas debaixo do tapete que eles pisam.
    Em suma, a nossa luta tem que ser por uma mudança de mentalidades, uma mudança com sentido, onde todos tem valor, e ninguém perde o seu lugar.
    Carla Tavares

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  12. A solução dos call centers é muito simples: acabar com as empresas de trabalho temporário. Estas empresas produzem zero e existem só para roubarem 50% do vencimento dos trabalhadores o que leva as empresas clientes a exigirem muito pois pagam muito. Simples.Nem se dá pela falta delas.

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  13. Adorei o seu texto, muito bem escrito.Retrata bem o que são os call-centers, mas também as firmas de recrutamente, que são tudo menos aquilo que dizem nos seus sites. Confiar-lhes o nosso currículo, é quase fazer um pacto com o Diabo, se é me entende...Ainda assim, o desemprego, levou-me a inscrever em várias delas, mas talvez por nunca mostrar interesse em trabalhar em call centers, do outro lado é só ouvidos de mercador. Onde está o encaminhar o perfil dos candidatos para os lugares certos, ou somos todos carne para canhão?! Força para si, Paula e para todos nós que andamos na luta.

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