Um novo ano, uma nova Europa

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A crise europeia continua bem presente nas nossas vidas, quem só ouvir os discursos da propaganda habitual poderá, por breves momentos, pensar que vivemos na Europa do progresso e que estes anos de recuo foram um lapso que será rapidamente corrigido por actos messiânicos, que prometem elevar a União Europeia (UE) à sua posição de potência mundial. A realidade mostra-nos uma UE a trote dos poderosos, um mercado único que vende a dignidade humana como outra qualquer commodity e políticas comuns que acentuam a, já evidente, divergência entre países. O domínio económico cresce com as assimetrias de crescimento impostas pelos mecanismos criados e apoiados por PS, PSD e CDS. Pelo caminho, o capital voraz serve-se dos reféns do euro para engolir todos os serviços públicos e funções sociais do Estado, sobre a égide das que se chamam “reformas estruturais”. Aos trabalhadores ficam as dívidas ilegítimas, deixadas para trás por governos em conluio com a alta finança, que especulou, e especula, com dinheiros público e privados num deboche cuja dimensão estamos longe de saber o fim. Dívidas pagas com suor do trabalho, cada vez mais precário, pior remunerado e tantas vezes sobre a humilhação de direitos duramente conquistados esfumados de um dia para o outro, para alimentar a máquina da maximização do lucro. Junker que se sucede a Barroso, normal dança de cadeiras, não configura nenhuma mudança e muito menos uma alternativa. É mesmo a figura perfeita da UE deste modelo económico podre, responsável pelo branqueamento e evasão fiscal, de somas equivalentes a orçamentos de países inteiros, por parte de várias empresas enquanto ministro do Luxemburgo - tudo legal está claro!

É preciso uma acção imediata na UE que se configure uma alternativa às políticas erradamente seguidas até hoje.

Uma alternativa que não tente asfixiar prontamente o desejo de mudança nos países mais devastados e que não classifique como instabilidade política actos tão necessários à democracia como eleições.

Uma alternativa que seja compatível com a renegociação das dívidas soberanas, principal garrote imposto aos países. Esta renegociação é não só inevitável como o único caminho para o crescimento económico e progresso social. Já se encontram isolados os que afirmam, com planos baseados em exercícios numéricos delirantes, que a dívida é sustentável, quanto mais pagável! É hora da Europa enfrentar quem vive da usura da dívida pública e da dívida externa de nações, em vez de cobrir os povos sobre uma austeridade desenhada para transferir os rendimentos do trabalho para o capital.

Uma alternativa que reveja a União Económica e Monetária e do Pacto de Estabilidade, que mantém países reféns da moeda única liderada por um BCE com falsa autonomia e orientado pelas políticas monetaristas alemãs. Que siga o caminho da restituição do poder de decisão sobre os fundamentos da economia ao povo, soberanos da nação, tal como o controlo sobre a moeda. Se ao povo não foi pedida a opinião sobre a entrada na moeda única, que seja agora claro quais as vantagens e desvantagens do euro e soberana a sua decisão sobre a sua permanência. É essencial que os países, que agora são reféns da sua própria moeda, tenham condições para se prepararem para reporem em circulação uma moeda própria que possam controlar.

Uma alternativa que revogue de imediato a União Bancária tal como o Mecanismo Único de Resolução, o primeiro que objectiva a concentração e centralização do sector bancário e o segundo que se demonstrou, com o caso BES/GES, ruinoso para os recursos públicos, impondo uma reprivatização com dinheiro público.

Uma Alternativa que revogue de imediato o Tratado Orçamental, instrumento fundamental da continuidade e legitimação das políticas de austeridade nacionais. É já claro que os tratados, longe de estarem escritos na pedra, são alterados ao sabor das vontades dominantes.

Uma Alternativa que traga um fim imediato às negociações do Tratado Transatlântico de Comercio e Investimentos (TTIP), negociações estas que se encontram rodeados de um secretismo impróprio e indigno numa democracia. O TTIP tem capacidade de representar o maior retrocesso ao progresso social europeu e mesmo mundial. Representará a agudização da lei do mercado sobre os Estados, estando mesmo os interesses privados protegidos das leis e tribunais nacionais!

Uma alternativa que seja baseada na defesa do emprego com direitos e das funções sociais dos Estados. Não haverá crescimento enquanto milhões de desempregados se mantiverem marginalizados da economia. É preciso eliminar a precariedade laboral e trazer de volta o caminho da redução dos horários de trabalho. Todos os cidadão têm direito a uma vida digna e para isso o direito ao trabalho e ao ócio.

Uma Alternativa que se bata pela defesa dos sectores produtivos e dos serviços públicos. Políticas como a Política Agrícola Comum devem ser revistas tendo em conta as necessidades agro-alimentares nacionais, dando protecção à produção local e sustentada. Políticas de apoio ao desenvolvimento industrial, tendo em vista a modernização industrial dos países deficitários eliminando diferenças nos índices de produção tantas vezes usados na humilhação dos trabalhadores, que em nada estão relacionados com estes. Restituição da soberania aos Estados permitindo o seu direito de intervenção nos sectores e indústrias que sejam estratégicos ou de interesse nacional, tal como nas Zonas Económicas Exclusivas e na sua exploração. Políticas concretas que defendam e promovam os serviços públicos, classificando-os como direitos fundamentais e inalienáveis ao interesse de privados ou a fins lucrativos, estando incluídos nestes a saúde, educação, transportes entre outros.

Uma alternativa que alicerce a Europa na solidariedade, onde a convergência, a cooperação e a paz sejam os grandes objectivos. Onde o progresso social seja a nossa bandeira.

17 comentários:

  1. É fantástico como se fala em emorego sem falar em investimento senão para eliminar um tratado em que a palvra consta!!!!!

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  2. (Talvez melhor o jose corrigir o texto.)
    A pressa - e a raiva - no acto de , dá nisto.

    Quanto à diatribe contra o eliminar um tratado já que a palavra "emprego" lá consta...(Ou será que a palavra em causa é o "investimento"?
    (o pretuguês também dá nisto...)

    Isto é a sério?

    Isto é mesmo um"argumento"?

    No livro de memórias sobre salazar do franco nogueira também consta a palavra "emprego" ou a outra hipótese "investimento"?

    Será que a proibição de venda do mein kampf pode ser contestada pelo facto das ditas palavras lá constarem?

    Mas o que vem a ser isto?

    Já se desistiu dum mínimo de actividade cognitiva e só saem destas pérolas?

    De

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  3. Boas tardes,

    Estou só a passar por cá para deixar um texto de Miguel Urbano Rodrigues, um comunista comme il faut que defende a teoria revolucionária ' Da leitura de Bernstein e Kautsky à teoria e prática Marxistas de Lenine'. Eis um trecho que o resume:

    "O debate sobre a Questão do Estado não perdeu atualidade. Os defensores da via institucional para o socialismo sustentam que não será necessário destruir o estado burguês, mas transformá-lo através de reformas revolucionárias. Mas no Chile, quando dois partidos marxistas – o Socialista de Allende e o Comunista – chegaram ao governo, o desfecho da experiência foi um sangrento golpe militar. Na Venezuela bolivariana, as forças progressistas no poder optaram também pela via institucional. Mas apesar de mudanças muito positivas, a Venezuela continua a ser um país capitalista e o futuro imediato apresenta-se ali carregado de incertezas. O mesmo acontece na Bolívia. "

    Subsídios para o combate teórico ao reformismo e para a autocrítica..

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  4. Também de Miguel Urbano Rodrigues, a ' Modernidade de Marx '.

    "Neste tempo de barbárie capitalista e de luta creio que a leitura da obra de David Harvey seria útil a dirigentes de partidos comunistas europeus que acreditam ingenuamente na possibilidade de contribuírem para a futura construção do socialismo utilizando as instituições criadas pela burguesia."

    Trigo limpo farinha amparo! O combate ao reformismo continua..

    Cumprimentos

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  5. Então talvez fosse de começar por combater o reformismo de David Harvey, que, na expressão muito inteligente de alguém, tira do marxismo aquilo que lhe aprouver, como quem escolhe os ingredientes para uma salada numa linha de self, e que nunca digeriu bem algumas das leis básicas da reprodução global do capital.

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  6. Caro anónimo,

    Se poupar assim nas palavras, os leitores não vão ficar a saber quais as insuficiências de David Harvey (admitindo que as possam haver).

    Cumprimentos

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  7. É verdade, mas o caso é que dava para muitas mangas. Não posso fazer aqui a crítica da obra do Harvey. Mas, para não ficar tudo escuro, posso deixar a referência da observação anterior:

    https://www.youtube.com/watch?v=-ZJrNgb-iiY

    Ver a curta observação do Shaikh, o mais sólido e mais profundo economista marxista vivo, aos 50:15 do vídeo. Infelizmente em inglês.

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  8. "Um comunista comme il faut"?

    Ahahah.O Miguel deve gostar de ouvir essa

    Fica o registo um pouco irónico sobre o registo um tanto apressado e um pouco inapropriado para o caso, a fazer lembrar aulas de educação de outros educadores.

    (Embora o registo da auto-crítica seja sempre de louvar).

    E fica o registo irónico sobre o registo das insuficiências, perdão, da admissão da possibilidade de não insuficiências de alguém.


    Já que foi chamado ao debate desta forma tão...pueril, eis o último artigo de Miguel Urbano Rodrigues sobre os Diálogos de Havana, e a difícil luta pela paz na Colômbia
    http://www.odiario.info/?p=3527

    E o texto "Solidários com Cuba" do Luís Carapinha
    http://www.odiario.info/?p=3526

    E a subscrição do apelo do Tiago para a luta e para a acção que conduzam a uma alternativa real

    De

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  9. Caro anónimo,

    Esse é um debate interessante. Creio que a explicação da polémica está aqui.

    Vou resumir a minha posição. Eu também me inclino mais para as teses de que a financeirização do capitalismo é uma consequência, e não a causa da incapacidade do capital se reproduzir. E também discordo de que políticas keynesianas possam recuperar as taxas médias de lucro do capital. Aquilo que ainda foi aguentando a rentabilidade do capital e contrariando a tendência para a queda da taxa média de lucro, foi a engenharia financeira: a capacidade de expandir o crédito, de o titularizar, de o empacotar e amontoar em veículos fora dos balanços dos bancos. A engenharia financeira conseguiu chutar a recessão para a frente. O 'neoliberalismo' é apenas um nome pomposo para as políticas de aumento da exploração - políticas essas que têm, obviamente, um efeito recessivo, que contraem a procura e levam as camadas intermédias à ruína.. mas isto é o capitalismo a funcionar..

    Vejo com muito cepticismo essa ideia de que a simples destruição de capital fictício nos mercados financeiros possa lançar o capitalismo num novo ciclo de crescimento. O anterior ciclo construiu-se em cima da destruição de capital físico depois de uma guerra mundial. O capitalismo só teve 30 anos de ouro depois da II Guerra Mundial, e no final desses 30 anos começaram os problemas - Bretton Woods foi à vida, emerge o neoliberalismo, avança a globalização financeira com toda a força e os capitais espalham-se por esse mundo fora em busca de reprodução, construindo bolhas aqui e ali, que rebentam e dão origem a novas bolhas. Chegámos, 70 anos depois da II Guerra Mundial, ao limite. Estão 700 triliões de dólares investidos no mercado de derivados, ou seja, capital que não encontra reprodução. Capital que vai ao casino porque não tem outro sítio para onde ir. O capital está tão desesperado que a Alemanha se dá ao luxo de emitir obrigações com taxas negativas (!!!!), ou seja, o capital paga para se resguardar.

    Como é que se limpa isto do sistema? Vem aí um buraco negro ou uma quinta-feira negra e faz reset? Porque é que o pânico de 2008 não foi capaz de limpar o sistema e pô-lo a crescer, nem que fosse por um pequeno período? Não dá. Já nem uma guerra mundial pode limpar o sistema antes de nos limpar a todos!! O sistema tem que vir abaixo.

    A questão com a qual tenho estado mais preocupado ultimamente é essa: como é que mandamos esta merda abaixo. Como é que começamos a construir processos insurrecionais. E é por isso que é tão importante o combate ao reformismo, ao revisionismo e toda a ganga teórica que aparece nestes momentos para negar a realidade, para tentar conciliar e evitar o choque eminente, como quem procura evitar um elefante na sala.

    Os próximos tempos serão de muita dureza e temos que estar preparados, do ponto de vista teórico e não só..

    Cumprimentos

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  10. Confrade De,
    Ongi etorri!!

    Pelos vistos não há apenas o caminho do caminho, também há o registo do registo =)

    Espero que tenha concordado com os artigos de Miguel Urbano Rodrigues, que é necessário destruir o estado burguês para construir o socialismo e que não existem vias pacíficas. Se estiver de acordo com isto, eu até estou disposto a esquecer a nep cubana e ponho um 'like' na página do Raúl Castro no facebook. É a plasticidade táctica do leninismo!

    Abraços benfiquistas!

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  11. Uma pena

    Argala estava a ir tão bem, reproduzindo e bem o clássico, até a esboçar uma auto-criticazinha e depois, no fim, dá uma argolada?

    A questão com que o Argala se tem preocupado.
    Ultimamente?
    Oh argala veja lá que essa é a preocupaçáo de tantos.Aqui e fora daqui E não é só ultimamente.
    E quantos mais melhor.

    Quanto ao combate ao reformismo, ao revisionismo, ao esquerdismo,a tanta coisa que por aí há...é coisa de longa data.como o deveria saber. E sabe-o

    Tal como essa coisa da ganga teórica.Ela não aparece só nestes momentos.Aparece nestes e em todos os momentos das "curvas na estrada".
    É bom lembrar os tempos do PREC e a ganga teórica a surgir como o cheiro a estrume em campo adubado.Ganga que tinha actores.Que desapareceram presto e durante tanto tempo como se viu,

    Fiquei há dias a saber , através dum comentário no Tempo das Cerejas, que o Heduíno Gomes (Vilar) é actualmente um militante do PSD, onde é frequentemente conotado com a facção mais conservadora.O Vilar era o "líder" da AOC, a tal dissidência m-l que elegera o PCP, o «Social-fascismo de Cunhal» e o «Social-imperialismo russo» como alvos primordiais. A que vem esta lembrança?
    A canga teórica que acompanhava este e congéneres partidos , grúpúsculos e outros opúsculos.Com a boca cheia de revisionismos e social-fascismos e social-imperialismos.
    Não é preciso citações pois não?

    (Um texto teórico que ajuda a combater a "ganga teórica" e não só:
    http://resistir.info/portugal/vilela_antifascismo.html )

    (O choque não está eminente.O choque está a dar-se diante dos nossos olhos.Que o argala ainda não tenha dado por ele,talvez derive dalgum facto teórico interessante, tão teórico que não consegue ver mais do que o que pensou ser a sua contribuição (pessoal e de certeza decisiva) para "mandar esta merda abaixo". )

    Que era bom que de facto fosse abaixo.

    De

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  12. Enviei este meu ultimo comentário e verifiquei só depois que Argala me tinha endereçado um outro

    Gosto do humor. Humor que infelizmente é raro nos comentários de Argala ( e nos meus).

    A, e não gosto do facebook. Pechas

    Saudações cordiais.

    De

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  13. Confrade De,

    Pensei que ia falar sobre o Durão Barroso pela enésima vez. Já devia saber que as ideias são justas por si só, e não devem ser insultadas pelas pessoas que as defenderam. A luta contra o reformismo e o revisionismo é uma tarefa revolucionária, apesar da carga histórica que ela traz pelo folclore de outros tempos. A maoísta Helena Matos também queria metralhadoras e um quartel general na Serra da Estrela. E se isto for usado para ridicularizar a necessidade de um dia ser necessário um?! Já viu o poder que vossemecê transfere para a Helena Matos?!

    Essa historieta sobre os esquerdistas (conceito mal aplicado.. era outra discussão..) que depois chegaram a idade adulta e descobriram que o carro, a casa e as férias não se pagam sozinhos, e que o melhor é fazerem-se à vida antes que seja tarde.. é uma história transversal. Tão transversal que peço-lhe que tenha atenção à dimensão dos telhados de vidro que pairam sobre a sua cabeça.

    Demais a mais, se isso vale como argumento político, então o que é que não vale como argumento político?! "Isso da luta contra o revisionismo também pregava a Ana Gomes, logo isso é folclore" - isto não lhe parece demasiado fácil?! Desconfie dos atalhos mentais e venha a debate.

    Fico feliz por citar um texto do João Vilela. O João Vilela tem dedicado parte dos seus textos a esta questão precisamente: ao combate ao revisionismo e ao reformismo. Passo a linkar alguns para reflexão.

    As armas da crítica e a crítica das armas:

    "O reposicionamento relativamente ao Estado, a recuperação da concepção do Estado como instrumento da classe dominante para legitimar e agilizar a exploração e opressão dos trabalhadores, adquirido fundamental do pensamento marxista e do pensamento leninista é, quanto a mim, o ponto essencial em torno do qual se deve organizar a luta contra o oportunismo e contra o revisionismo."

    Sobre o ataque à Linha Justa a pretexto do combate ao sectarismo:

    " A reforma, em suma, cria melhores condições para a revolução. O reformismo desarma o proletariado em face da reacção inevitável. Compreender isto ou não, lutar contra o oportunismo ou não, alinhar com a confusão propositadamente urdida entre firmeza de princípios, linha revolucionária, e sectarismo, ou não – eis o que distinguirá, no futuro próximo, os que estiverem genuinamente com o proletariado, pelo socialismo, dos que estão apostados em cavalgar o descontentamento popular para projectos puramente reformistas."

    E deixo também este curto texto, que podendo não ser do João Vilela, duvido que não o subscreva. Não há vias pacíficas, só há vias revolucionárias

    "No fundo até o Allende sabia (que não era marxista-leninista e por isso não era revolucionário), quanto mais não fosse no fatídico dia da sua morte: não há vias pacíficas só há vias revolucionárias!"

    Se estivermos de acordo com isto, ou seja, que é necessário combater o reformismo, o revisionismo e que não existem vias pacíficas para o socialismo, então poderemos superar os outros problemas, esses sim, apenas folclore de paróquia ou diocese.

    Saudações comunistas

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  14. Mais uma vez a tal estória ou estórias das gangas dava pano para mangas

    Mas tal como as classificações imberbes sobre os comunistas comme il falt são o que são, os telhados de vidro insinuados são um tiro ao lado

    Confundir todo um ribeiro que seca e que se esvai (a começar pelas suas nascentes) sem dar água vai, com um leito caudaloso que continua a sua marcha apesar de, é próprio de um distraído ou de um demagogo.

    De facto a questão não está nos exemplos individuais que se podem dar.O exemplo do vlar foi utilizado como exemplo da AOC...tal como outros exemplos se poderiam dar. O resultado não é A ou B terem achado que a vida era outra coisa. O resultado foi o abandono do combate de "coisas"inteiras" ,A,B,C,D,E and do on. E que "coisas"...
    Percebida a diferença?

    O exemplo da helena matos é também manifestamente infeliz. Estou-me nas tintas para o que ela defendeu ou defende. Não sabia que ela defendia um ninho de metralhadoras na serra da estrela. Mas o exemplo que dá é o exemplo acabado das posições ridículas e tolas de alguém cujos propósitos provavelmente eram ab initio outros. A ser verdade permite ver a vacuidade não só ideológica como de praxis daquilo que considero uma merectriz ideológica. E o ser eventualmente necessário um dia tal nicho, não alivia nem por um momento o ridículo de tal posição.Não é preciso explicar porquê,pois não?
    (Tal como (francamente) me estou nas tintas para o "poder transferido" para essa "coisa" chamada helena matos, com base nos ditos e reditos. Também não é preciso explicar porquê.)

    O essencial do meu comentário inicial mantém-se. Tal como o folclore que cito e cita. Um folclore deja vu e que se repete sempre que E ao qual não estou disposto nem a dar tempo nem a empenhar tempo alheio. O exemplo ( tb infeliz) da Ana Gomes apenas reforça a minha posiçao.

    Que é importante manter uma discussão teórica a esse nível sem sombra de dúvida. Mas transformar blogs com estas características em campos estéreis de discussões das do tipo que assistimos no 5 Dias , ou a uma raquelvalerizaçao do debate ou a um cozinhado à joão quaquer coisa aguiar é, no contexto actual, uma actividade que tem mais de onanista que outra coisa.

    Tal como as tentativas de arranjar facções e seitas e pessoas "comme il faut" . Faz lembrar a pesca em exército alheio por parte de quem não tem qualquer exército e cuja praxis se confina a tais exercícios de, na esperança que.

    Confesso que a colocaçao do texto de João Vilela não foi inocente. O resultado foi esse que se viu. O objectivo ( parcial) foi mostrar que um debate a esse nível era possível sem estes rodriguinhos de mau-gosto. Confirmar que os "iscos" são agarrados desta forma tão sofrega, confirmando que funcionam como tal . Sublinhar que a rotulação apressada das pessoas conduz a grandes "argoladas".(E não, não me estou a referir ao João Vilela).E sinalizar a minha própria posição sobre alguns assuntos. Com toda a imodéstia digo que todos os textos citados do João já eram do meu conhecimento. Mas também com toda a frontalidade digo que nem a minha posição é sequer o mais importante aqui, nem o meu conhecimento dos artigos tem qualquer validade argumentária no caso em apreço

    Por tudo isto e porque tinha que colocar alguns pontos ao que diz, não digo mais nada.

    Saudações cordiais

    De

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  15. Confrade De,

    A Helena Matos, a Ana Gomes ou o Durão Barroso, não reforçam a sua posição. O que lhe tentei explicar é que eles não são posição nenhuma. Tal como Vital Moreira, Mário Lino, Pina Moura, José Luís Judas, Barros Moura, Zita Seabra, Carlos Brito, entre outros, não são posição política nenhuma. Isso é baixa extração..

    Os blogues são uma boa ferramenta de debate teórico e de propaganda. A prova disso é que se juntaram vários escribas para fazer este blogue. Que o De não goste dos textos e comentários que eu aqui trago, e prefira textos de gestão corrente contra a austeridade, a troika e o CDS/PS/PSD, é outra questão.

    Esses textos, sem dúvida, fazem parte das necessárias tarefas de agitação, mas a minha sensação é que o movimento operário tem estado mergulhado num "practicismo mesquinho", onde é "preciso fazer qualquer coisa" para na prática evitar fazer qualquer coisa consequente. E a prática demonstra que não podemos continuar a navegar à vista. A forma como nos temos conduzido demonstra, pela enésima vez, as deficiências do reformismo.

    E nesse sentido, é óbvio que os textos do João ou do Miguel Urbano Rodrigues não são inocentes. Eu digo ao que venho. Eu não estou a inventar facções nenhumas, elas existem. A forma como superamos estas contradições é que nos poderá dividir. Eu procuro fazer estes debates com urbanidade.

    Eu limito-me a notar o seguinte: dizer que os "defensores da via institucional" não têm a história do seu lado (como diz Miguel Urbano Rodrigues), que é necessário destruir o estado burguês para construir o socialismo e que infelizmente não existem caminhos pacíficos, é diferente de dizer que a CRP é o programa dos trabalhadores, e que se chega ao socialismo realizando Abril no quadro da nossa lei fundamental. São duas coisas distintas, ou não são? Sou eu que estou a criar linhas ou as contradições existem?

    Portanto, como disse o De e bem, os textos não são inocentes. A minha convicção é a de que no momento actual, é necessário o aparecimento de um destacamento de vanguarda para desencalhar o barco. A função desse destacamento é defender e difundir a teoria revolucionária, aliá-la à prática revolucionária. Não acredito nesse fatalismo, que a classe operária esteja de tal forma prostrada perante a actual ofensiva, que nem este debate possamos fazer, ou que isto seja uma coisa tão espacial e distante da consciência média dos trabalhadores, que não estejamos preparados para aceitar o aumento da pressão e o aparecimento de novos cenários de luta. Pelo contrário. Noto em todas as conversas que tenho que a desmoralização geral é consequência dessa falta de horizontes, de combatividade e de novas formas de luta capazes de responder à ofensiva da burguesia.

    Se o De não estiver de acordo pode sempre dar a sua achega. Se não quiser fazer este debate por o considerar onanista, está no seu direito - quem é que anda à procura de protagonismo?! Um comentador que você não sabe quem é, vem aqui e assina 'argala'?! Grande fetiche!! Se eu ainda colaborasse num jornal, assinasse com nome e fotografia.. mas enfim, cada um lá sabe com o que se masturba.. Eu cá acho que este debate é cada vez mais importante, e pelos vistos não sou o único.

    Saudações comunistas

    P.S. Solidariedade com o camarada Alfon, de Vallecas, condenado a quatros anos de pildra.
    http://youtu.be/iQ8JR1pK0NU

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  16. Qual não gosto ou deixo de gostar ?

    O que não gosto é de Comunicados a dizer de mansinho mas com um tom próprio do martelar à força:

    "Estou só a passar por cá para deixar um texto de,,."

    O resto é chover no molhado,como a dança das facçoes e dos "communists comme il faut".

    O que eu disse sobre a pesca não o vou voltar a repetir,
    Daí que nem sequer aborde o seu tão tormentoso tema sobre o "destacamento de vanguarda" .Mas que reforça o que eu disse,lá isso parece-me inquestionável.E não posso deixar de sorrir ironicamente. Muito ironicamente.

    Quanto ao quem é que anda à procura de protagonismo?! Um comentador que você não sabe quem é, vem aqui e assina De.

    Está bem assim?

    O debate continuará da minha parte mas nos posts que o abordem e nos locais que tiver por adequados.Sem qualquer temor como parece que ainda não terá percebido
    Missas rezadas à força e a despropósito é que não, obrigado.Ainda não concicionam o meu juízo de intervenção como era uso nos t.plenários Sem que com isto queira dizer que o argala tenha a mínima coisa a ver com tal.

    Quanto à luta...essa é de sempre

    De








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    Respostas
    1. Ah,esqueci-me dum pormenor que não tem qualquer iportância mas que é justo:

      Saudações cordias

      De

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