2014: ano de lutas e resistência

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Resenha das lutas dos trabalhadores de 2014†, dando continuação à compilação feita em Maio também referente a 2014, e compilações feitas em anos anteriores (ver 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013), feito sobretudo a partir de uma recolha de notícias do jornal Avante! e sítios sindicais. É portanto incompleta, mas já dá ideia da intensidade da luta.

2014, à semelhança de os anos recentes, caracterizou-se por uma luta e resistência acérrima dos trabalhadores dos mais variados sectores, cuja intensidade é medida pelo número e forma de lutas, mas também pela resposta do capital e do governo e forças ao seu serviço.

Recorde-se a pressão exercida sobre os professores, os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, os trabalhadores da TAP, acusando-os de agirem contra os alunos, os restantes trabalhadores, as famílias separadas pela emigração, a saúde pública (durante o surto de Legionella), usando demagogia, calúnias, a comunicação social e armas judiciais contra os trabalhadores. Mas não esqueçamos que são as lutas destes trabalhadores que representam a linha da frente na defesa de uma educação livre e de qualidade, dos serviços públicos, contra as privatizações, pelos contractos colectivos de trabalho, pela contagem das horas extraordinárias, e promovendo o desenvolvimento soberano de Portugal, livre das condicionantes impostas pela Troika estrangeira. E o sucesso das lutas exprimiram-se nos tribunais, em algumas conquistas reivindicativas, no obrigar o governo a retroceder em "medidas de austeridade" que já se preparavam para tornar permanentes, e no atrasar sine die de várias medidas. Um sector que tende a inspirar muita tinta e bafo é o do Metro de Lisboa. Em 2014, os trabalhadores do Metro realizaram um total de oito paralisações. Em 2012 haviam sido 12. Por muito transtorno que estas paralisações tenham criado aos passageiros, as muitas horas "perdidas" ou "gastas" (como é frequente a comunicação referir o tempo de greve) têm conseguido evitar a privatização deste transporte público fundamental em Lisboa, algo que o Governo tinha por dado adquirido. Este ano marcou também o 40º aniversário do 25 de Abril, cujas comemorações pautaram todo o ano, com o reivindicar dos valores de Abril.

MAIO
  • Grande jornada de luta e celebração no dia 1º de Maio.
  • Greve (30/Abr-2/Maio) dos trabalhadores da Amarsul/EGF, empresa que efectua a recolha, valorização e tratamento dos resíduos sólidos em nove concelhos da Península de Setúbal, em defesa dos postos de trabalho, do acordo de empresa, do aumento dos salários e contra a privatização da Empresa Geral do Fomento (EGF).
  • Greve (30/Abr-2/Maio) dos trabalhadores das minas da Panasqueira, em luta por melhores salários e condições de vida.
  • Greve (8/Maio) dos ferroviários da EMEF, CP Carga, Refer e CP em defesa dos salários da contratação colectiva, dos direitos e de um país soberano, com políticas ao serviço das pessoas.
  • Manifestação (9/Maio) de milhares de trabalhadores da administração local de todo o País, em Lisboa, sob o título «Derrotar o Governo na rua e nas urnas, lutar pelo emprego, direitos e salários».
  • Manifestação (15/Maio) do trabalhadores das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, contra a extinção e encerramento de todos os quatro estabelecimentos fabris do Exército
  • Iniciativa pública (15/Maio) frente ao Ministério da Defesa, da Associação Nacional de Sargentos e a Associação de Praças , em defesa do sistema de saúde e da acção social complementar, bem como para dar pública expressão às suas preocupações.
  • Vigília (15/Maio) dos funcionários judiciários, frente ao Tribunal do Seixal (Quinta dos Franceses), contra a reforma do mapa judiciário e a desqualificação daquele órgão judicial, que passará a integral a Comarca de Lisboa.
  • Concentração (16/Maio), em Évora, dos trabalhadores da Kemet, contra o despedimento colectivo, em defesa dos postos de trabalho e da produção nacional.
  • Greve (15-16/Maio) dos trabalhadores da empresas TST, Grupo Transdev e Rodoviária de Lisboa, do sector rodoviário pesado de passageiros, contra a imposição do tempo de disponibilidade e a diminuição dos salários.
  • Semana de greves, concentrações e manifestações (26-31/Maio) em defesa da contratação colectiva, da redução dos horários de trabalho e do aumento dos salários.
  • Greves e concentrações dos trabalhadores do sector da hotelaria, pela actualização dos salários e defesa do contracto colectivo: em Lisboa, frente à sede da associação patronal AHP (Associação da Hotelaria de Portugal): Marriott, Corinthia, Tivoli, Sheraton e Ritz (19-13/Maio); em Faro, frente à sede da associação patronal AIHSA (Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve) (28/Maio); em Monte Gordo (Vila Real de Santo António), Hotel Navegadores (29/Maio); frente ao Praia d'El Rey Marriott, do Grupo Beltico (dia 29/Maio); Hotel Ipanema Park (6/Jun) 
  • Greve na Kemet, em Évora, contra o despedimento colectivo de 127 trabalhadores.
  • Greve na Restflight, pelo aumento dos salários e a defesa do IRCT,
  • Greve nas escolas públicas do distrito de Castelo Branco pela contratação de mais pessoal.
  • Greve (27-31/Maio) dos trabalhadores da Soporcel, em Lavos (Figueira da Foz), contra a «retirada de direitos que tem caracterizado a actuação da administração.
  • Greve de duas horas por turno (27/Maio-13/Jun) na Printer Portuguesa. Os 150 trabalhadores da gráfica não eram aumentados há oito anos.
  • Greve de 2 dias dos trabalhadores do Colégio Militar contra as alterações unilaterais aos horários de trabalho e em defesa do pagamento do trabalho extraordinário e da inclusão de todas as tarefas desempenhadas no processo de avaliação. 
  • Greve (30/Maio-2/Jun) dos trabalhadores da Divisão de Ambiente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC). Em causa estava o pagamento do trabalho extraordinário efectuado entre 2007 e 2012 (três horas e meia por semana) aos trabalhadores da recolha de resíduos sólidos, e o cumprimento da sentença do Tribunal Administrativo de Coimbra nesse sentido.
  • Greve no período da manhã (30/Maio) dos funcionários não docentes dos mega-agrupamentos Nuno Álvares e Amato Lusitano,  levando ao encerramento de 4 escolas, contra os ritmos excessivos de trabalho provocados pela redução de pessoal, entre outras questões apontadas pelo sindicato da Função Pública.
JUNHO
  • Manifestação (2/Jun) dos Vitivinicultores, na Régua, contra o o saneamento financeiro e a revisão do Estatuto da Casa do Douro, aprovado em Conselho de Ministros, um «esbulho» à lavoura duriense que vai atingir mais de 35 mil vitivinicultores. para denunciar este «roubo».
  • Greve (2/Jun) dos trabalhadores do centro de distribuição dos CTT de Rio Maior. Em causa estão a falta de pessoal (a redução e a substituição de funcionários por outros contratados a meio tempo, o alargamento das voltas), a diminuição da qualidade do serviço prestado às populações (em grande medida decorrente das alterações introduzidas pela administração dos CTT) e as péssimas condições de trabalho nas actuais instalações (amianto, ratos sobre o tecto falso, inalação de fumo de escape de veículos num espaço contíguo). 
  • Greve (4/Jun) e concentração dos trabalhadores da fábrica Amtrol-Alfa, em Brito (Guimarães), exigindo aumento salarial mínimo de um euro por dia.
  • Paralisação de uma hora e meia (6/Jun) do pessoal da fábrica da Vitrohm em Trajouce (Cascais) face à ausência de resposta da empresa à proposta de aumentos salariais e de melhores condições de trabalho apresentada em Fevereiro. 
  • Conclusão da greve dos guardas prisionais ao período de trabalho nocturno e aos fins-de-semana (entre 17/Abr-9/Jun), com uma adesão média superior a 90 por cento.
  • Greve duas horas por turno (9, 16, 17, 23, 24 e 30/Jun, 1/Jul) do pessoal dos call centers da EDP da Quinta do Lambert e do Parque das Nações, em Lisboa, exige à administração: aumento salarial de 30 euros por mês; criação de mais um escalão de vencimento; aumento da diuturnidade e criação de mais duas; melhoria das condições de trabalho; reposição do feriado de Carnaval. 
  • Protesto (10/Jun) no âmbito das cerimónias oficiais do Dia de Portugal, de mais de 200 professores na Guarda contra o ataque que tem sido desferido contra os serviços públicos, a Escola Pública e a profissão docente.
  • Greve (12/Jun) dos trabalhadores da Câmara Municipal de Lisboa e das juntas de Freguesia.
  • Greve (12-13/Jun) dos trabalhadores da distribuição postal de Santarém, pela melhoria das condições de trabalho e em defesa do serviço público postal. 
  • Greve (12/Jun) dos trabalhadores das empresas privadas de transporte rodoviário de passageiros, contra o aumento do horário de trabalho por via da imposição do tempo de disponibilidade, contra a redução dos salários e em defesa da contratação colectiva. 
  • Manifestação (21/Jun) de muitos milhares de pessoas, em Lisboa, pela demissão do Governo e para pôr termo à política de direita, por uma política de esquerda e soberana, que assegure ao povo e ao País um futuro de desenvolvimento, progresso e justiça social. Esta jornada foi precedida por manifestação no Porto (14/Jun) e Funchal (20/Jun).
  • Protesto (30/Jun) de mais de uma centena de pais, professores, alunos dos concelhos de Arronches, Avis, Castelo de Vide e Portalegre, frente às instalações da DEGEstE em Évora, contra o risco de encerramento de escolas no distrito.
JULHO
  • Greve (4,10/Jul) dos trabalhadores da Vitrohm, exigindo um aumento salarial de 35 euros, a gratuitidade das refeições no refeitório e a generalização do seguro de saúde, a atenuação das diferenças salariais entre mulheres e homens e entre trabalhadores do mesmo grupo profissional, bem como o acesso das mulheres da produção a profissões mais qualificadas e o cumprimento do direito à formação profissional.
  • Greve (8-9/Jul) dos médicos, por todo o País, contra a Portaria 82/2014 (cuja aplicação está a desmantelar e encerrar serviços hospitalares). Contrariamente às falsidades afirmadas pelo Ministro Paulo Macedo, não houve qualquer reivindicação de ordem salarial na greve.
  • Manifestação em Lisboa (10/Jul) de cerca de 40 mil pessoas, vindas de todos os distritos, condenando a maioria PSD/CDS e reclamando a demissão do Governo.
  • Greve (10-11/Jul) de enfermeiros, no Centro de Saúde Arnaldo Sampaio, em Leiria, face à grave carência de profissionais de Enfermagem  denunciada no início do ano. 
  • Greve (11/Jul) na Controlinveste, contra o despedimento colectivo de 66 jornalistas, num total de 140 trabalhadores (a que acrescem mais duas dezenas, para despedir por «acordo»), e vigílias simultâneas em Lisboa e no Porto (7/Jul). 
  • Greve (14/Jul) dos trabalhadores das empresas Cofely, GM.FM e ISS, que prestam serviços de limpeza na Mabor Continental, em Famalicão, por aumentos salariais.
  • Paralisação (18/Jul) na fábrica de pneus CNB/Camac, em Palmeira (Santo Tirso), para exigir o pagamento de salários e subsídios em atraso. Não foi pago o salário de Junho a cerca de 35 trabalhadores e que nenhum recebeu os subsídios de férias deste ano e o subsídio de Natal de 2013.
  • Semana e meia de greves (21-/Jul) por turnos nas centrais de tratamento de correio de Lisboa, Coimbra e Porto (centros de produção e logística de Cabo Ruivo, Taveiro e Maia, respectivamente), seguido de dois dias de greve (4-5/Ag) contra a intenção da administração da empresa de acabar com o horário contínuo, que prejudica os trabalhadores: conduz ao aumento da carga horária; dificulta a conciliação entre a vida profissional e familiar; aumenta a exploração e cria condições para a redução de postos de trabalho.
  • Concentração (28/Jul) de trabalhadores da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) em protesto contra a entrega das oficinas de Guifões à Refer, uma medida avançada pelo secretário de Estado dos Transportes que, para além de ameaçar os postos de trabalho, conduzirá ao esvaziamento das funções desempenhadas pela EMEF/Guifões e criará as condições para que o serviço de manutenção da frota do Metro do Porto seja entregue a empresas privadas.
  • Concentração (25/Jul) de dirigentes, delegados, activistas sindicais e representantes de comissões de trabalhadores em Lisboa, para rejeitar os cortes nas pensões, salários e direitos que nesse dia foram discutidos e votados na Assembleia da República, nomeadamente, novos cortes salariais na Função Pública e criação da Contribuição de Sustentabilidade, aplicada aos reformados.
  • Paralisações (31/Jul) dos trabalhadores dos Serviços Portugueses de Handling na escala do Porto, em protesto contra a degradação das relações de trabalho, patentes num processo disciplinar.
AGOSTO
  • Vigília durante vários dias (8-/Ag) à porta da fábrica da Moritex, em Pinheiro (Guimarães), para evitar qualquer tentativa de desvio de património. A empresa devia mais de 200 mil euros aos trabalhadores só em salários, sendo que as dívidas aos credores ascendem a 2,5 milhões de euros. A empresa deixou de pagar salários em Abril e, dos cerca de 130 trabalhadores que tinha em Maio, só 28 se mantêm em serviço, tendo muitos suspenso ou rompido os contratos
  • Greve 48 horas (7-9/Ag) no restaurante e nos oito cafés e bares da empresa no Aeroporto de Lisboa, motivada pela imposição de alterações aos horários, folgas e funções dos trabalhadores, só não teve a adesão de trabalhadores com contratos precários ou que estão a exercer funções como temporários.
  • Greve aos dias feriados dos trabalhadores dos refeitórios e lavandarias de hospitais (15,20/Ag) contra a redução da remuneração imposta pelo patronato desde Agosto de 2012, encerrando as cantinas da TAP, em Lisboa, e da RTP, no Porto, e outros estabelecimentos do sector.
  • Greve parcial (18/Ag) dos trabalhadores do Centro de Distribuição Postal 4800, em Guimarães, em protesto contra as consequências da falta de pessoal. A par do cansaço físico, o sindicato tem referido graves efeitos psicológicos das pressões para que não fique correio por entregar. Exigiu-se trabalho remunerado, digno e com direitos e também a garantia de um serviço postal público e de qualidade.
  • Greve nacional dos enfermeiros (19-22/Ag) alertando para redução do número de enfermeiros por turno, a organização de horários com excesso de dias de trabalho (o que representa trabalho extraordinário, que inadmissivelmente fica por pagar) e o encerramento de camas em vários serviços, que têm reflexo em intensos ritmos de trabalho, fadiga e exaustão. A este período de greve, juntaram-se outras greves locais durante o mês de Agosto, como no Centro Hospitalar do Alto Ave (5-7/Ag).
SETEMBRO
  • Manifestações (1/Set) frente aos Centros de Emprego de milhares de professores cujos contratos de trabalho terminaram no último dia de Agosto, juntando-se a muitos outros que já se encontravam desempregados ou afastados da profissão.
  • Greve (17/Set) dos trabalhadores da EMEF nas instalações do Porto, Entroncamento, Barreiro, Lisboa e Vila Real de Santo António, tendo-se depois dirigido a Lisboa e concentrado junto ao Ministério das Finanças contra o processo de destruição da empresa.
  • Greve (10 e 25/Set) dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa para exigir a manutenção da componente social do serviço público prestado pela empresa, a reposição do quadro de trabalhadores e o investimento necessário ao serviço com a qualidade e segurança a que os utentes têm direito, o fim dos roubos nos salários e nas reformas, e o cumprimento integral do Acordo de Empresa.
  • Greve nacional de enfermeiros (24-25/Set) 
  • Greve (26/Set) dos Funcionários Judiciais pelos seus direitos, mas também pelos dos cidadãos, pela Justiça e o Estado de Direito. Os funcionários judiciais exigem: a imediata abertura de procedimento para ingresso dos oficiais de Justiça em falta; o início imediato da negociação do estatuto sócio-profissional; o descongelamento imediato das promoções para todas as categorias e a abertura de concursos de acesso aos lugares de chefia; a regularização do regime de aposentação dos funcionários judiciais nos termos da excepção criada por deliberação da AR.
  • Manifestação (30/Set) dos trabalhadores dos Estabelecimentos Fabris do Exército, frente ao Ministério da Defesa Nacional, em Lisboa, em protesto contra o processo de extinção destas centenárias instalações movido pelo Governo, que põe em causa centenas de postos de trabalho.
OUTUBRO
  • Greve dos funcionários judiciais (comarca a comarca durante o mês de Outubro), com concentrações junto às sedes de comarca, exigindo a contratação urgente de oficiais de justiça.
  • Acção de protesto (2/Out), junto à sede da associação patronal da hotelaria e restauração (Ahresp), exigindo que desbloqueie a negociação colectiva e que aceite aumentar os salários dos trabalhadores.
  • Manifestações (2,5/Out) dos trabalhadores da administração local e professores para exigir o respeito pelos seus direitos e a defesa de importantes garantias constitucionais; e em defesa da escola pública
  • Tribuna pública (3/Out) dos trabalhadores da Fico Cables, dirigentes e delegados sindicais do Site-Norte, no centro das Taipas (Guimarães), exigindo melhores condições de vida e de trabalho para os trabalhadores do sector das cutelarias
  • Greve e concentrações (5/Out) dis trabalhadores da Portway, exigindo que a empresa de handling (integrada na multinacional Vinci, depois de esta ter adquirido a ANA) respeite a contratação colectiva e os direitos nela inscritos (em especial, quanto a majoração de férias e retribuição do trabalho suplementar). 
  • Greve em várias empresas de transportes dos grupos Transdev, na região Norte, e Arriva.
  • Greve ao trabalho extraordinário dos motoristas da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP)(13-19/Out) contra a degradação propositada do serviço público que este Governo tenta a todo o custo e pelos vistos a todo o preço.
  • Paralisação (9-10/Out) dos trabalhadores dos transportes do distrito de Braga, englobando dez empresas, maioritariamente pertencentes aos grupos alemão Arriva e francês Transdev.
  • Reunião, seguida de manifestação (15/Out) da Comissão Coordenadora das CT do sector bancário incluindo as estruturas representativas da CGD, BPI, Santander, Montepio, Banco Popular, BCP e Parvalorem, pela exigência de uma mais equitativa distribuição dos rendimentos entre capital e trabalho, manifestar solidariedade a todos os trabalhadores bancários vítimas de perseguição e apoiar os trabalhadores do Barclays e da Parvalorem na defesa dos respectivos postos de trabalho, objectivo extensível aos trabalhadores do Novo Banco, os quais, para mais, defendem manutenção da empresa «sob orientação do Estado». A jornada incluiu também uma tribuna pública frente à sede do Novo Banco, na Avenida da Liberdade.exigindo o apuramento das responsabilidades sobre a situação no grupo financeiro e «a manutenção do Novo Banco e da Tranquilidade como empresas autónomas sob controlo público», bem como «de todos os postos de trabalho, como o aproveitamento das reconhecidas experiências, capacidades e saberes de todos os trabalhadores» e o «cumprimento efectivo de todos os instrumentos de Regulamentação Colectiva de Trabalho em vigor»..
  • Três dias de Greve (15-17/Out) dos trabalhadores da POSTEJO Pré-fabricados de cimentos, para exigir o pagamento de subsídios em atraso, bem como as diuturnidades vencidas, e reivindicar melhores condições de segurança e higiene no local de trabalho.
  • Largas dezenas de amas participaram num protesto (16/Out), na sequência da entrada em vigor do novo regime que regulamenta a sua actividade profissional das amas e que, de acordo com o Governo, serviria para «abrir a actividade ao mercado».
  • Concentração (16/Out) dos trabalhadores da aviação e aeroportos com vista a defender uma aviação segura para todos, contra as perseguições, por melhores salários e horários mais justos e por um acordo colectivo para o sector.
  • Paralisação de 24 horas (21/Out) dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa.
  • Manifestação (23/Out) dos trabalhadores dos sistemas multimunicipais onde a Empresa Geral do Fomento tem participação maioritária realizam para exigirem que não seja entregue a um grupo privado o domínio de dois terços do tratamento dos resíduos sólidos urbanos do País.
  • Greve (24/Out) dos trabalhadores do sector da Saúde, pelas 35 horas de trabalho semanal; horários e condições de trabalho dignas; contratação de pessoal para suprir as necessidades dos serviços; igualdade de direitos; direito à carreira, à respectiva revisão e progressão para todos; estabilidade de emprego; defesa do Serviço Nacional de Saúde; recusa da entrega dos serviços públicos de saúde a IPSS e misericórdias.
  • «Tribuna pública de denúncia, protesto e luta» (27/out) junto à sede da Galp Energia. Enquanto a empresa anunciava lucros de 236 milhões de euros, os salários estão congelados há vários anos consecutivos e há ataques sistemáticos a direitos importantes, como os regimes de reforma e de saúde. A administração preparava-se para entregar a empresas exteriores (em outsourcing) diversos serviços, em todas as empresas, incluindo as refinarias, o que constitui uma ameaça a centenas de postos de trabalho.
  • Marcha de milhares de trabalhadores da Administração Pública (31/Out), em Lisboa, contra a proposta de Orçamento do Estado que os deputados do PSD e do CDS-PP tinham aprovado na generalidade poucas horas antes. 
  • Greve (31/Out) dos trabalhadores da Fermentopão (Beja) contra o pagamento irregular dos salários.
NOVEMBRO
  • Greve 2-3/Nov) dos técnicos de diagnóstico e terapêutica, revelou, contra a sobrecarga de trabalho resultante da não substituição dos técnicos que se foram aposentando.
  • Greve (3-/Nov) dos trabalhadores da Câmara Municipal de Arganil, à última hora de serviço durante o mês de Novembro, pela semana de 35 horas.
  • Greve (3/Nov) dos trabalhadores da limpeza da empresa concessionária do serviço, a Vadeca, pelo pagamento de salários e suplementos.
  • «Queremos que a Vadeca pague os salários no último dia útil de cada mês e de uma só vez; pague os subsídios antes dos trabalhadores começarem as férias; cumpra com o pagamento do subsídio de alimentação e com os descontos, e pague o trabalho extraordinário conforme a lei», explicou o delegado sindical do STAD, para quem os sucessivos atrasos são intoleráveis, «daí esta primeira greve» e a perspectiva de nova paralisação em Dezembro, caso as reivindicações laborais não sejam satisfeitas.
  • Marcha (6/Nov) dos trabalhadores ferroviários no activo e reformados contra o roubo do direito ao transporte, expressando a indignação e protesto contra a actual política e Governo e suas consequências.
  • Greve de 24 horas dos trabalhadores (8/Nov) dos bares e restaurante do centro comercial El Corte Inglés, em Lisboa. A empresa não negoceia o aumento dos salários contratuais há quatro anos. A situação agravou-se com redução de pessoal, falta de reforço durante a presente época de Natal, não pagamento de horas suplementares, adiamento de férias e ameaça de anular o gozo do feriado, no Natal ou no Ano Novo.
  • Greve parcial dos (13/Nov) para protestar contra as deficientes condições de trabalho, onde 11 pessoas laboram num espaço exíguo, com zona da bilheteira inadequada e sem instalações sanitárias nesta.
  • «Dia nacional de indignação, acção e luta» convocado pela CGTP (13/Nov), com acções por todo o país: 
    • Greves e paralisações na Cerdomus (Aveiro); Saint-Gobain Sekurit, em Santa Iria de Azóia (Loures); Rauschert e na Soplacas (ambas no concelho de Cascais); na Postejo (Benavente);  Bosch, Delphi e Fehst no Complexo Grundig (Braga); Groz Beckert (Vila Nova de Gaia); Sakthi (Maia); na Inapal Metal (Trofa), na Kathrein Automotive (Vila Real, com paragem total da produção), na CAMO (Vila Nova de Gaia); Isporeco (parque industrial da Autoeuropa); no sector dos transportes, incluindo CP Carga, oficinas da EMEF, SPdH (handling do Aeroporto de Lisboa), Metropolitano de Lisboa, Fectrans [incluindo cortes simbólicos da via, durante a tarde, nas estações de Santa Apolónia e Entroncamento, e um desfile no Porto]; no sector têxtil na Huber Tricot (Santa Maria da Feira) e na Trecar (Oliveira de Azeméis); na UNICER; entre os trabalhadores da alimentação colectiva, encerrando refeitórios de mais de quatro dezenas de escolas, mas também a área de serviço do Fundão, na A23, registando-se fortes níveis de adesão noutras, como a do Pombal, na A1, e a de Montemor-o-Novo, na A6, e também por completo o refeitório da Autoeuropa; os trabalhadores do Pólo Logístico Sul da Sonae (Azambuja); na a Misericórdia de Vila Nova de Gaia; na empresa municipal EGEAC (Lisboa);  trabalhadores do Castelo de São Jorge; e de milhares de trabalhadores na administração local por todo o país; 
    • Concentrações de trabalhadores da Petrogal e da EFATM (Sines), Petrogal e de empreiteiros na refinaria do Porto (Matosinhos); Portugal Telecom; junto às sedes da Eurest (Alfragide) e da Gertal e Itau (Matosinhos); sede do Pingo Doce; 
    • Plenários de trabalhadores da Multiauto (Setúbal, Beja e Évora); no estaleiro da Mitrena (Setúbal); trabalhadores da Lisnave e Lisnave Yard; realizaram um plenário e desfilaram até ao edifício da administração, a exigir aumento dos salários.
  • Concentração dos trabalhadores do Casino do Estoril à porta do Tribunal de Cascais (21/Nov), contra a demora do processo de despedimento colectivo iniciado pela Estoril-Sol em 2010.
  • Greve de 24 horas (14 e 21/Nov) na Soporcel, em Lavos (Figueira da Foz). Os trabalhadores, lutam em defesa de direitos relativos ao fundo de pensões e exigem resposta ao caderno reivindicativo.
  • Greve dos enfermeiros (14 e 21/Nov) contra a grande sobrecarga de trabalho, bem como pelo justo pagamento das horas trabalhadas para além do horário normal, a progressão na carreira e a reposição da semana de 35 horas.
  • Primeira greve do sector da Polícia Municipal visando exigir que a carreira, criada em 2000, seja reconhecida como especial e confira direito a um subsídio de risco, rompendo com uma situação em que os polícias municipais são tratados como assistentes técnicos.
  • Greve (24/Nov), nos serviços comerciais e de revisão da CP, contra o corte e congelamento dos salários que o OE 2015 preconiza; contra o roubo do direito ao transporte (concessões); pelo cumprimento integral do Acordo de Empresa; contra a redução de trabalhadores e pela reposição do efectivo; contra a redução das indemnizações compensatórias e das obrigações do Estado; pela revogação do Decreto-lei 133/2013 (que veio impor, no sector empresarial do Estado, o pagamento do subsídio de refeição, do trabalho nocturno, do trabalho extraordinário e das ajudas de custo e deslocações segundo os valores, substancialmente inferiores, que são pagos aos trabalhadores em funções públicas); e pelo pagamento das dívidas aos trabalhadores.
  • Acções realizadas por todo o País, de dia 21 a 25, contra o Orçamento do Estado para 2015, que os deputados do PSD e do CDS-PP fizeram aprovar, contra a política de exploração e empobrecimento e pela construção de uma alternativa. As acções culminaram com manifestação em Lisboa e concentração frente à Assembleia da República. Durante este período decorreram lutas Açores, Guimarães, Faro, Viana de Castelo, Beja, Castelo Branco, Porto, Aveiro, Évora, Portalegre, Viseu, Guarda, Leiria, Madeira, Coimbra, Grândola, Santarém, Lisboa e Setúbal.

DEZEMBRO
  • Greve (1/Dez) dos trabalhadores das lavandarias hospitalares da Região Centro, do SUCH (Serviço de Utilização Comum dos Hospitais), por aumentos salariais, pela reposição do valor do subsídio de alimentação, cortado há três anos, e pela negociação colectiva
  • Greve do pessoal da assistência em terra nos aeroportos (1/Dez) unindo os trabalhadores da Portway, da SPdH e das empresas de trabalho temporário, em defesa de um contrato colectivo de trabalho e exigência do fim da precarização do trabalho neste sector.
  • Manifestação (3/Dez), junto ao Meo Arena, trabalhadores subcontratados dos centros de atendimento (call centers) da EDP, a exigir a integração nos quadros da empresa. A trabalhar anos sucessivos através de empresas de trabalho temporário, os trabalhadores voltaram a reivindicar que, tal como são a voz da EDP quando atendem clientes, devem ser da EDP quando se trata de condições laborais.
  • Manifestação de trabalhadores da EMEF e de antigos trabalhadores da Sorefame (3/Dez) para alertar a população acerca do perigo que corre a empresa de manutenção e reparação do Grupo CP, colocada na mira do Governo como alvo de uma privatização que terá como consequência a sua destruição.
  • Greve de 24 horas e uma concentração (4/Dez) dos trabalhadores Instituto da Segurança Social frente ao Ministério da tutela, contra o despedimento de 697 pessoas e a garantia de um serviço com carácter universal, público e solidário.
  • Manifestação de milhares de trabalhadores da Administração Local, com concentração junto à Assembleia da República (4/Dez), contra o aumento do horário de trabalho e pelo cumprimento do direito à contratação colectiva, visando igualmente defender a autonomia das autarquias locais.
  • Greve dos trabalhadores da Conforlimpa na Biblioteca Municipal da Amadora, após meses sucessivos sem receberem os salários a tempo e horas. Também os trabalhadores da limpeza da Vadeca, no Museu do Oriente, fizeram greve (5/Dez) por a empresa não ter pago os salários por completo até ao fim do mês. 
  • Trabalhadores da CP Carga bloquearam a entrada do terminal da transportadora na Bobadela (5/Dez), em protesto contra as transformações que o Governo operou nestes centros de trabalho, com a sua passagem para a Refer.
  • Greve no STCP (9/Dez; Sociedade de Transportes Colectivos do Porto) pelos direitos laborais e o serviço público de transportes, tendo por objectivo a manutenção da STCP, enquanto empresa de referência no País, no que concerne à prestação de um serviço público de qualidade.
  • Acção pública (10/Dez), na baixa de Lisboa, contra a regulação dos horários de trabalho, apontado como um dos mais graves impedimentos à conciliação do trabalho com a vida pessoal e familiar. Foram referidos o aumento da semana de trabalho na Administração Pública, de 35 para 40 horas; a imposição de «bancos» de horas; a negação do direito a horários flexíveis para mães e pais trabalhadores com filhos de idade até 12 anos.
  • Jornada de luta (12/Dez) dos trabalhadores do município de Braga, das empresas municipais, escolas e outros serviços, contra um novo regulamento interno e em defesa do regresso à semana de 35 horas. 
  • Greve nas minas e concentração em Lisboa (16/Dez), contra mais graves prejuízos na antecipação da reforma, exigindo o alargamento do regime de antecipação aos trabalhadores das lavarias, dada a actividade de natureza penosa e desgastante.
  • Com greve convocada para todo o dia 16, o ponto alto da jornada nacional de luta será uma concentração junto ao Ministério da Solidariedade, do Emprego e da Segurança Social.
  • Greve na Exploração Operacional (17/Dez) no Metropolitano de Lisboa,  provocando a paralisação da circulação e o encerramento das estações. Esta greve, tendo como primeiro objectivo a exigência da contratação de mais pessoal para a área da tracção e movimento, mas unindo-se aos objectivos mais gerais de luta contra a privatização da empresa, desencadeada sob a forma de subconcessão, pela contratação colectiva e dos direitos nela inscritos, e contra os roubos nos salários e pensões.
  • Greve na Refer (18/Dez), contestando a fusão da gestora da infra-estrutura ferroviária com a Estradas de Portugal, colocando aquela serviço dos interesses das PPP, que vivem à conta da empresa das estradas.Entre as reivindicações que motivaram a greve estão a defesa da Refer ao serviço da garantia de qualidade e segurança do transporte ferroviário, a preservação dos postos de trabalho, a reposição dos direitos (incluindo o direito ao transporte), a resistência à destruição da contratação colectiva, o combate aos cortes e congelamento de salários, o respeito integral do Acordo de Empresa.
  • Greve de professores PACC (prova de avaliação de capacidades e conhecimentos) (19/Dez). A FENPROF viu o colégio arbitral dar razão aos sindicatos quando recusou decretar «serviços mínimos».
  • Entrega (20/Dez) pela Fenprof, na residência oficial do primeiro-ministro, de mais de 20 mil assinaturas de docentes contra a «municipalização» da educação, contestando o processo de transferência, para os municípios, de competências que são actualmente da responsabilidade do Ministério da Educação.
  • Greve de 24 horas no Metropolitano de Lisboa (dia 22/Dez), a oitava paralisação de 2014, no quadro da luta contra a privatização, por via da subconcessão, em defesa do serviço público de qualidade, pelo cumprimento do Acordo de Empresa e dos direitos nele inscritos, contra os cortes salariais. 
  • Trabalhadores da EMEG (22/Dez) deslocaram-se em protesto ao Min. da Economia, contra o perigo de ser adjudicada à Bombardier a manutenção da frota do Metro do Porto. O contrato de três meses, renovável, acabou por ser atribuído à EMEF.
  • Greve de 36 horas (23/Dez) dos trabalhadores do Lidl em Torres Novas, no Ribeirão (Braga) e na Marateca (Setúbal), para exigir actualização salarial, que não ocorre há quatro anos, e também a passagem aos quadros de todos os trabalhadores de empresas de trabalho temporário que prestam serviço em postos de trabalho permanentes, a equiparação das carreiras profissionais do pessoal dos armazéns às carreiras das lojas, a criação de um subsídio de frio para quem trabalha nas secções com temperaturas artificiais e a atribuição de dez por cento de desconto nas compras em lojas da rede.
  • Greve dos enfermeiros da Madeira (23/Dez) demonstrando a sua insatisfação e revolta pela falta de soluções para as suas difíceis condições laborais. 
  • Greve dos funcionários da cozinha da Unidade Local de Saúde da Guarda (23/Dez) para exigir uma solução que acabe com as deficientes condições de trabalho. Há mais de um ano que a cozinha funciona provisoriamente em contentores, sem espaço suficiente para todo o pessoal e com outras deficiências.
  • De manhã, durante a greve, os trabalhadores concentraram-se à entrada do Hospital Sousa Martins e da sede da ULS da Guarda, no Parque de Saúde da cidade.
  • Greve dos trabalhadores da transportadora (24-25/Dez) Scotturb, que nas instalações da Scotturb na Adroana (Cascais), contou mais uma vez como a presença da GNR para impedir o piquete de greve de ultrapassar a “linha amarela".
  • Face à ameaça, de longe anunciada, de privatização da TAP, todos os sindicatos dos seus trabalhadores anunciam uma greve de 4 dias (27 a 30 de Dez.). Em resposta, o governo usam de calúnias e falsidades para acusar os trabalhadores, enquanto dão a entender que a sua posição de privatizar a TAP é inalterável. No dia 18, recorrem a uma requisição civil para forçar os trabalhadores ao trabalho. Face à pressão, alguns sindicatos aceitam o compromisso de conversações sobre o processo de privatização (não a privatização em si), e desconvocam a greve. Tal é rapidamente anunciado pela comunicação social como a desconvocação da greve, muito embora os sindicatos que representam a maioria dos trabalhadores -- Sitava (Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, da Fectrans/CGTP-IN), Sintac (Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil) e o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil -- tenham mantido a greve contra a privatização, e avançado com pedido de impugnação da requisição civil.
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† Por motivo de férias, a lista de final de ano é desta feita publicada uns dias mais tarde.

4 comentários:

  1. ... e a luta continua, nas empresas e na rua!

    A insistência na luta de massas, até que uma seja a gota de água!

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  2. O devido registo e valorização das lutas silenciadas pela comunicação social dominante. Mais um trabalho precioso, André.

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  3. Nada como o patrão 'público' para potenciar greves! A ter fim logo após a vitória final...

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  4. De facto mais um trabalho precioso.

    Que nem a idiotia dum comentário dum mentecapto sobre um" patrão público" consegue ofuscar( deve estar a pensar naquele pires de lima ou cristas de quem recebe favores e a quem faz favores)

    De

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