O Macedo que ainda não se demitiu

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Sem que até aqui se tivesse percebido muito bem porquê, Paulo Macedo, à data e hora de redacção deste post “ainda” ministro da Saúde em Portugal, veio gozando na comunicação social dominante de uma invulgar «narrativa» que o «vendeu» - ou tentou «vender» - à opinião pública como «ministro bom» ou «ministro competente». A ocorrência verdadeiramente criminosa – não há outra forma de a classificar – de dois casos de extrema gravidade, no espaço de poucos dias, em que dois doentes acabam por morrer após horas de espera nas urgências de dois hospitais distintos – Lisboa e Santa Maria da Feira – só veio demonstrar aos olhos dos mais ingénuos ou dos mais distraídos acerca da verdadeira situação do sector da saúde neste país, o quão nefasta, fria, arrogante, desumana, indigna e criminosa pode ser a política do corte cego que norteia e perpassa todos – repito – todos os ministros e ministérios deste governo.
Não faltaram médicos porque não estivessem disponíveis para exercer a sua profissão. Faltaram médicos porque este governo não tem por bitola pessoas e necessidades humanas, mas sim tabelas, números, cortes, cortes e mais cortes a todo o custo.
À luz da razoabilidade mais elementar, nesta altura, já só por acéfalo seguidismo partidário, ou por manifesta e atroz ignorância, é que se pode continuar a chamar «competente» ao responsável político pela situação que a Saúde em Portugal atravessa. Não faltaram meios humanos – médicos e enfermeiros – nas urgências de dois hospitais (um a norte e outro a sul) por um mero “azar”. Não cola, e até roça o insulto, sequer a ideia de atipicidade de ocorrências clínicas, pois é precisamente nesta altura do ano que sempre se justifica e sempre se justificou o reforço de meios e o aumento da capacidade de resposta. Não faltaram médicos nos serviços porque não os houvesse. Faltaram médicos porque a política economicista em curso assim o determinou. Não faltaram médicos porque não estivessem disponíveis para exercer a sua profissão. Faltaram médicos porque este governo não tem por bitola pessoas e necessidades humanas, mas sim tabelas, números, cortes, cortes e mais cortes a todo o custo.

Por trás da propaganda e da postura tacticamente “silenciosa” do ministro, o panorama da saúde é caótico. Há milhares de utentes em todo o país sem médico de família. Há listas de espera de meses e anos, repito, meses e anos, para cirurgias e tratamentos oncológicos. Há sobrecarga de trabalho sobre o pessoal clínico e administrativo dos diversos serviços de saúde. Há serviços de pediatria a funcionar em contentores. Há medicamentos vitais e urgentes que não chegam a quem deles precisa. Em todo o país há serviços de saúde a funcionar a meio gás. Há doentes sem cuidados. Há idosos sem o devido apoio clínico. Há falta de gente, de meios, de soluções. Já muitos portugueses tiveram de se confrontar com tais situações e já perceberam, sofrendo na pele, o estado da incompetência que grassa na Saúde. Só Paulo Macedo é que ainda não percebeu. Só Paulo Macedo é que ainda não deu por nada. Só ele é que ainda não entendeu que o melhor que pode fazer neste momento é demitir-se.

5 comentários:

  1. Este governo não passa de um bando de bastardos criminosos!

    A.Silva

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  2. A partir de 1 de Janeiro o SASU de Paredes/Penafiel passou a ter a seguinte assistência médica: 1 médico das 9 h ás 11h, 2 médicos das 11h às 13 h, 3 médicos das 13h ás 16h, 2 médicos das 16 h ás 18h e 1 médico das 18 h ás 20h.
    Originalidade e criatividade. Turnos de 7 horas (os anteriores eram de 5h30). Semelhante carga horária em pagamento de horas extraordinárias (22h versus 21h). Início da manhã com um só médico. Se faltar o médico que entra às 9 h ou o que sai às 20h, Kaput! Criatividade e originalidade.
    No primeiro fim de semana de aplicação do novo horário do SASU de Paredes/Penafiel, a criatividade e originalidade foi tanta, que ao que consta... transbordou ! Aguardam-se depoimentos...
    Paredes e Penafiel já parece o Amadora /Sintra. Como diz o José Mário Branco, consolida, meu filho, consolida...

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  3. Um muito bom post que coloca o dedo na ferida,perdão, nas feridas tantas são elas.

    O SNS tem sido a pouco e pouco desmantelado. A pouco e pouco assiste-se à passagem para os privados dos bons "negócios" na saúde .Mais.O estado financia directamente tais actividades privadas, com o dinheiro dos subsistemas de saúde, com o dinheiro do SNS

    No Castendo: de António Vilarigues podia-se ler em Setembro de 2014:
    "há 1 600 000 utentes sem médico de família;

    •entre 2007 e 2012, a despesa pública com a saúde diminuiu 8,6 por cento, enquanto a despesa das famílias aumentou 13,9 por cento. As famílias portuguesas gastam hoje 5,2 por cento do seu orçamento familiar com a saúde, enquanto a média nos países da OCDE é de 3,2 por cento.

    •as famílias suportam de forma directa cerca de 30 por cento das despesas com saúde;

    •os quatro grandes grupos privados de saúde (BES Saúde, José de Mello Saúde, Lusíadas Saúde e Trofa Saúde) controlam 83 por cento do chamado «mercado de saúde», que representa qualquer coisa como 1500 milhões de euros/ano, e mais de metade das unidades de saúde do País, das quais 23 são hospitais;

    •parte substancial das receitas destes grupos são garantidas pelo Estado, através do regime convencional, das PPP ou de subsistemas como a ADSE. No caso do BES/Saúde, atinge os 50 por cento;
    •nos últimos quatro anos, os cortes no sector atingiram os 1667 milhões de euros. Anulando-se o efeito do aumento dos preços, isto significa uma redução real de 2398 milhões"

    Macedo, um tipo que era pago a peso de ouro pelas suas "actividades privadas" e que tinha negócios igualmente privados na área da saúde antes de ser "chamado" para fazer o seu trabalho pela mão de passos, declarava em 2010 mais de 800 mil euros de trabalho dependente, um imóvel numa herdade em Benavente e outro em Lisboa. Só em certificados de aforro mais de meio milhão de euros. Fundos de investimento com aplicações no estrangeiro. A par de uma aplicação a prazo no BCP de 160 mil euros, revelava um seguro poupança no montante de 40 mil e um fundo de pensões de mais de 180 mil. No BCP, tinha acções no valor de 97 mil euros e dois créditos habitação de mais de 217 mil.

    Pois é este tipo que perante o cenário exposto pelo Ivo merece o silêncio cúmplice umas vezes, as mais das vezes o apoio entusiasmado, dos nossos media amestrados. Não se sabe se por acefalia partidária , se por ignorância atroz como diz o autor do post. Resta também o poder directo dos euros conferidos nas negociatas ministeriais a que este ministro concede sempre um apoio interessantíssimo e a boçalidade dos crapulazitas de ocasião que salivam sempre em defesa do Capital. Um dos secretários de estado da saúde . o leal da costa andava de pata estendida enquanto estudante e é um dos autores da frase que aquele jose/JgMenos repete caninamente de forma assaz significatva do "tudo a a todos" com que escondem o apetite voraz do tudo para uns tantos..

    Um ministro com as mãos sujas de sangue e sofrimento . No final mandará rezar uma missa e instalar-se-á para receber os proventos que andou a semear.

    Os chacais e os vampiros acompanhá-lo-ão....caninamente pois claro.

    De

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  4. http://ocastendo.blogs.sapo.pt/1839553.html

    De facto,pulhas!

    De

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