Eles vivem acima das nossas possibilidades

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Em 2008 era assim. Por incrível que pareça, e apesar da campanha ideológica de apologia da distribuição de rendimentos do Ocidente, a verdade é que cada um dos 100 mil portugueses mais ricos têm um rendimento superior a cada um dos 13 500 milhões mais ricos da República Popular da China ou do que cada um dos 12 milhões de indianos mais ricos.


Apesar de os Estados Unidos terem um PIB 60 vezes maior que o de Portugal, e apesar de os 1% americanos corresponderem a 3.200.000 pessoas (32 vezes que os 1% portugueses)  cada um dos 1% mais ricos de Portugal conseguem obter praticamente o mesmo que cada um dos 1% mais ricos americanos. Quem é que anda a viver acima das nossas possibilidades?


Se nos Estados Unidos a distribuição do rendimento é obscena, estando mais de 17% do rendimento concentrado nas mãos dos 1% mais ricos, em Portugal tem vindo a concentrar-se cada vez mais, estando já mais de 10% do rendimento nas mãos dos 1% mais ricos.


gráfico aqui.

18 comentários:

  1. Miguel, li e reli o post e não estou inteiramente seguro que não estejas a cometer uma grande asneira de interpretação do gráfico. De qualquer modo, se não for o caso, sugiro-te que introduzas a palavra “média” para não seres mal interpretado, como correste o risco na minha leitura.

    Assim: “… verdade é que os 100 mil portugueses mais ricos têm um rendimento em média superior aos 13 500 milhões mais ricos da República Popular da China ou que os 12 milhões de indianos mais ricos.”

    E assim: “…os 1% mais ricos de Portugal conseguem obter em média praticamente o mesmo que os 1% mais ricos americanos.”

    Isto é chocante, pelo que revela da distribuição interna do rendimento dos países, mas não é “incrível” nem tem propriamente a ver com a dimensão do PIB de cada país.

    Vê o teu próprio exemplo: o PIB dos EUA é muitíssimo superior, mas o nº de multimilionários é também muito superior ao de Portugal. É por isso que, em média, o rendimento individual de cada um dos integrantes do 1% de topo estadunidense não se distancia do rendimento médio do 1% de topo português.

    É evidente que, em termos absolutos, e aí sim a dimensão relativa do PIB faz toda a diferença, o 1% mais rico dos EUA ou da China têm um rendimento muitíssimo superior ao do 1% mais rico português.

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  2. Basta olhar para o gráfico e notar a fortíssima inflexão para cima das curvas próximo do extremo direito para constatar que tanto a China como a Índia têm uma concentração interna do rendimento nas camadas mais ricas, especialmente no 1% mais ricos, muitíssimo mais injusta e chocante que em Portugal.

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  3. Eles vivem roubando-nos todas as nossas possibilidades! Liquidando-nos a vida e a dignidade, destruindo o (nosso) país!...

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  4. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  5. Olhando com mais atenção o gráfico, nem sequer é verdade que os 1% mais ricos (mais rigorosamente, de maior rendimento) de Portugal consigam obter praticamente o mesmo, em média, que os 1% mais ricos americanos.

    O que o gráfico permite concluir é que os 1% mais ricos de Portugal, os tais cerca de 100 mil portugueses de maior rendimento, tal como (aproximadamente) os 10% mais ricos dos EUA, os cerca de 31 milhões de americanos de maior rendimento em 2012, integravam ambos o percentil mais rico da população mundial, os cerca de 70 milhões de maiores rendimentos do mundo em 2012.

    Mas se compararmos o rendimento per capita do 1% mais rico dos EUA com o rendimento per capita do 1% mais rico de Portugal, estou convencido que a diferença ainda seria abissal (aí conta a distribuição interna do rendimento nos dois países e o PIB per capita de cada um).

    Que não haja, no entanto, más interpretações. A distribuição do rendimento (e da riqueza, isto é, dos patrimónios) em Portugal é muito injusta (basta ver a inclinação da respetiva curva no gráfico), com uma expressiva pobreza relativa (basta ver a inclinação brutal da cauda esquerda), e tem-se certamente agravado com a política de direita, a que tristemente o PS se prepara para dar continuidade.

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  6. O "Oh" do jose representa a sua forma de representação quotidiana no seu processo interventivo a tudo o que contrarie a sua doutrina abjecta.

    Aí num outro blog jose excede-se, o que motiva uma exclamação indignada mas assaz justa de Mario Reis:
    "Este divagar idiota do josé é uma espécie de tiro ao que "mexer" em politicas de trampa que infernizam as vidas dos de baixo, de transferência de riqueza para uma "elite" incompetente, corrupta e parasitária. Fale homem, rumine prá aí, senão fica com um coágulo. Sente-se confortável como lambebotas? Seja feliz."

    Jose assumidamente lambe-botas.Mas esperando a salivar o dia em que possa mostrar a sua verdadeira dimensão de gajo para todo o serviço.

    De

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  7. Concordo com o (outro) anónimo, este gráfico pode ajudar a perceber as diferenças entre países (e as desigualdades dentro deles, pela maior ou menor inclinação das curvas), mas não me parece correto fazer uma comparação em termos absolutos.

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  8. Com comparações destas ainda alguém conclui que os EUA são apenas um paraíso. ..
    Vasco

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  9. Caro Anónimo, o gráfico não permite qualquer outra leitura e não fala de médias. Fala de termos absolutos, como se pode verificar na fonte:

    http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=indicators&id=236&lang=pt

    e nesta passagem em concreto:

    "Mas se se analisar os percentis do topo da distribuição do rendimento na China (por exemplo, os 1% mais ricos), conclui-se que a sua posição na distribuição mundial se fica, sensivelmente, pelo percentil 90. Isto significa que, no seu conjunto, os 1% mais ricos da China têm um volume de rendimento inferior, por exemplo, ao dos 1% mais ricos em Portugal, nos Estados Unidos e no Brasil."

    Repara, se o 1% mais rico da china não chega ao percentil mais elevado da riqueza mundial, e o 1% portugueses chega, significa que os 1% mais ricos da China não têm tanta riqueza como os 1% mais ricos de Portugal. Isto não é média de coisa nenhuma: é rendimento, em termos absolutos.

    No entanto, este gráfico apenas se refere a rendimentos e não a património. Se introduzíssemos a variável correspondente a património duvido que se a relação se mantivesse entre PT e RPC, por exemplo. Mas ainda assim é ilustrativo e mostra que o topo da cadeia de rendimentos em Portugal ganha muito mais do que devia, porque o país não produz nada parecido com o que produzem os EUA e, no entanto, concentra de igual forma a riqueza.

    Não há outra forma de fazer a comparação a não ser em termos absolutos. Trata-se aqui de uma correlação estatística simples: comparar os percentis de rendimento de cada país com os percentis de rendimento do mundo - não há médias, não há nada, é uma correlação directa.

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  10. Quanto ao anónimo que repara (e bem) no aumento do declive na ponta direita do gráfico na China e na Índia: tem toda a razão.

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  11. Não Miguel, desculpa lá, mas, como eu receava, estás mesmo a cometer uma grande asneira. Não percebeste nada do gráfico que reproduziste (e fizeste uma leitura inacreditavelmente acrítica do texto que reproduzes: ali, a expressão “em conjunto” tem o significado de “em média”, a média desse subconjunto de 1% da população).

    Neste gráfico, quando se faz a distribuição do rendimento, nacional ou mundial, por percentis, o que se faz é ordenar a população pelo rendimento obtido e calcular o rendimento médio de cada subconjunto de 1%, o que fornece a escala.

    O que o gráfico indica é que o percentil mais rico da China não integra o percentil mais rico do mundo, ou seja, que o rendimento per capita do 1% mais rico da China (ou o rendimento médio desse subconjunto de 1%, desses 13,5 milhões de chineses mais ricos) fica abaixo do rendimento per capita do 1% mais rico de Portugal (ou o rendimento médio desse subconjunto de 1%, desses cerca de 100 mil portugueses mais ricos).

    Para um bocadinho para veres a tremenda asneira que estás a dizer. Tu acreditas mesmo que os 13,5 milhões de chineses mais ricos – repito, os 13,5 milhões de chineses mais ricos – tenham, em termos absolutos, o mesmo rendimento que os 100 mil portugueses mais ricos?

    Mas será possível que percas de tal modo de vista as escalas da riqueza produzida nos dois países – a China tem um PIB, em paridade de poder de compra, perto de 60 vezes o de Portugal (40 vezes em termos nominais) – e da dimensão populacional – perto de 130 vezes superior no caso da China – para insistires nesta barbaridade?

    Talvez percebas mais facilmente se pegares no teu outro exemplo, a comparação com os EUA.

    Para novamente um bocadinho e interroga-te se alguém com um mínimo de bom senso poderia acreditar que o percentil de portugueses mais ricos conseguia “obter praticamente o mesmo” (nas tuas incríveis palavras) que o percentil mais rico de americanos. Ou, equivalentemente, que os cerca de 100 mil portugueses mais ricos “obtinham praticamente o mesmo” que os 3 milhões e 140 mil americanos mais ricos.

    Espero que este último exemplo te ajude a perceber que estás a interpretar o gráfico de forma completamente errada. Os 100 mil americanos mais ricos já ganham muito mais do que os 100 mil portugueses mais ricos. Isso é evidente. Mas os 3,140 milhões de americanos mais ricos ganham muitíssimo mais do que os 100 mil portugueses mais ricos. Isto então é evidentíssimo.

    O que o gráfico revela é que, uns e outros, os 3,140 milhões de americanos mais ricos (o 1% de maior rendimento nos EUA) e os cerca de 100 mil portugueses mais ricos têm um rendimento per capita (ou seja, em média, nesses respetivos subconjuntos) que é igual ou superior ao rendimento per capita (ou médio) dos 70 milhões de pessoas mais ricas do mundo.

    Não revela, evidentemente, que os 3,140 milhões de americanos, em conjunto, ganham tanto, ou aproximadamente o mesmo, em termos absolutos, como os 100 mil portugueses mais ricos (ou, já agora, ainda pior, que os cerca de 31 milhões de americanos mais ricos ganham tanto como os 100 mil portugueses mais ricos, visto que, se olhares bem o gráfico, o decil de maior rendimento americano já integra o percentil de maior rendimento mundial).

    Miguel, sei que és um rapaz inteligente. Por favor, não suspendas o teu reconhecido sentido crítico. Quero acreditar que foi isso que sucedeu.

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  12. No comentário anterior a primeira pergunta que é dirigida ao autor do post é, corretamente, se acredita mesmo que os 13,5 milhões de chineses mais ricos tenham, em termos absolutos, menos (e não o mesmo) rendimento que os 100 mil portugueses mais ricos. Ainda pior do que está formulada.

    Aproveito para acrescentar que, na interpretação que lhe dá o Miguel, o gráfico, além dos incríveis absurdos a que o conduz, seria inconsistente.

    Repare-se no seguinte. A população portuguesa é de cerca de 0,15% da população mundial. Ou seja, o 1% de maior rendimento (para simplificar, mais rico) da população portuguesa é numericamente cerca de 0,15% do percentil mais rico do mundo, de que, segundo o gráfico, faz parte.

    Ora, em vez de comparar a distribuição de rendimento de Portugal com a dos EUA poderia comparar-se com a do conjunto do resto da população mundial, isto é de Portugal com o resto do mundo sem Portugal. Ambas as curvas se uniriam no percentil de topo da escala vertical.

    Como poderia então essa insignificância de 0,15% dos mais ricos (os mais ricos portugueses) ganhar “praticamente o mesmo” que os 99,85% restantes dos mais ricos (do mundo)?

    Mas não é só um inaudito absurdo. Ainda é pior, é uma inconsistência. Porque se no eixo dos xx pusermos também, tal como no dos yy, a distribuição do rendimento mundial, a curva seria uma linha reta que uniria o zero ao ponto (100, 100), onde encontraria a curva portuguesa. A ínfima parte, os mais ricos portugueses, ganhariam “praticamente o mesmo” que o todo em que se integram, os mais ricos mundiais.

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  14. Obrigado pelos vossos reparos. e principalmente por terem insisitido neles. Isso possibilitou-me corrigir o erro (o grande erro).

    Chamo a atençao para o facto de o gráfico ter sido construído com dados de 2008 e que se refere e rendimentos e não património.

    Ainda assim, vejamos que o tipo mais bem pago de Portugal recebe mais que o tipo mais bem pago da China e praticamente o mesmo que os mais bem pagos dos EUA, apesar das gritantes diferenças nos rendimentos de cada país, mesmo per capita.

    Interessante seria fazer um gráfico com percentil nacional nas abcissas e percentagem de rendimento mundial nas ordenadas, para eu poder fazer o exercício de correlação que fiz erradamente neste.

    abraço e novamente obrigado pelos reparos e contributos. espero que assim já se mitiguem os impactos da estupidez da minha primeira análise.

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  15. Olá Miguel, o fundamental do erro foi corrigido. Sem querer parecer mesquinho, que não é de todo a minha intenção, quando tiveres tempo e paciência, ainda poderias melhorar um pouco mais a redação, para não forneceres pretextos a quem queira implicar contigo.

    Para mim é claro o que queres dizer com “cada um”, que não deve ser entendido num sentido demasiado literal, mas num sentido informal equivalente a per capita ou em média (do respetivo subconjunto do percentil).

    O problema é que alguém, mal intencionado, pode agarrar-se à letra da expressão e observar que não é verdade que qualquer um dos 100 mil portugueses mais ricos (em rigor, de maior rendimento) tenha um rendimento superior a qualquer um dos 13,5 milhões chineses mais ricos ou dos 12 milhões de indianos mais ricos.

    Como se trata de médias dos rendimentos nos respetivos subconjuntos (de 1% das respetivas populações), ainda por cima de médias do 1% de topo, em que a dispersão de rendimentos individuais é elevadíssima (comparada com a dos restantes percentis), é natural que haja muitos chineses e indianos, dos mais ricos, que tenham rendimentos superiores a boa parte do 1% dos portugueses mais ricos.

    É até possível que os mais ricos dos mais ricos chineses e indianos (o punhado de maior rendimento dos 13,5 milhões de chineses ou dos 12 milhões de indianos mais ricos) tenham rendimentos superiores a qualquer um dos 100 mil portugueses mais ricos. Se fosse hoje, 2015, isso seria certo. Em 2008, teria que averiguar, mas é bem possível que já houvesse capitalistas chineses e indianos a ganhar mais que os Amorim, Soares dos Santos e Belmiros portugueses.

    É esta maior dispersão dos rendimentos individuais do percentil de topo que torna ainda incorreta a afirmação de que cada um (isto é, bem entendido, em média) dos 100 mil portugueses mais ricos consegue obter praticamente o mesmo que cada um dos 1% mais ricos americanos.

    Eu sei que no texto do Observatórios das Desigualdades se afirma que “no seu conjunto, o rendimento dos 1% [mais ricos] em Portugal está ao nível do rendimento dos 1% mais ricos nos Estados Unidos”. Mas isto é bastante equívoco e deve ser entendido, não num sentido de ser aproximadamente igual, mas no sentido de integrarem o mesmo patamar de rendimentos do 1% mais rico do planeta.

    O problema é que esses 67 milhões de mais ricos do mundo (em 2008), apesar de serem os mais ricos, têm uma enorme diferença de rendimentos entre si. O rendimento individual per capita dos mais ricos portugueses é bastante menor que o rendimento per capita dos mais ricos dos EUA, porque o rendimento nacional per capita é muito maior (perto do dobro, em paridade do poder de compra) e a respetiva concentração na camada de topo ainda mais injusta e brutal neste país. Como ilustração, não é nada verdade que o Amorim consiga “obter praticamente o mesmo” que o Bill Gates.

    Por último, um desejo que é também um pedido expresso. Se tivesse esse direito ou essa possibilidade, desejaria que os meus comentários anteriores – o de 16 Jan 12:45, o de 16 Jan 17:31, o de 20 Jan 18:22, o de 20 Jan 19:27 – fossem eliminados, pois dizem respeito a um diálogo com o autor que foi ultrapassado e perdeu o sentido com a versão corrigida do texto. O de 16 Jan 15:21 pode ficar.

    Um abraço.

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  16. Atrás, no penúltimo parágrafo, leia-se «O rendimento individual per capita dos mais ricos portugueses é bastante menor que o rendimento per capita dos mais ricos dos EUA, porque o rendimento nacional per capita é muito maior (cerca do dobro, em paridade do poder de compra) e a concentração do rendimento na camada de topo ainda mais injusta e brutal neste país.»

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  17. Caro Anónimo, agora já não concordo. Mas posso estar novamente errado. Repara, contudo, que nos refirmos a rendimentos e não a riqueza nem património. Ou seja, o extremo direito de cada curva é o homem mais bem pago de cada um dos países. O mais bem-pago. Ou seja, o que tem mais rendimentos. Isso significa que o mais bem-pago (que não é o mesmo que mais rico) de Portugal está no percentil 100 da riqueza mundial enquanto que o mais bem-pago da China está no percentil 90.
    Reitero que mais bem-pago é muito diferente de mais rico.

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  18. Não Miguel, não é assim.

    Estás certo quando apontas a diferença entre rendimentos e riquezas. Também o sublinhei em mensagem anterior, quando falei na distribuição do rendimento e na distribuição da riqueza (isto é, dos patrimónios). Aliás, tive geralmente o cuidado de mencionar, entre parêntesis, que utilizava a expressão mais rico no sentido de "maior rendimento". Não é evidentemente a mesma coisa, embora os mais ricos (em patrimónios) tendam a ganhar mais (em rendimentos). Mas é uma simplificação de linguagem aceitável num contexto em que se fala apenas de rendimentos (e não de riqueza). A propósito, "mais bem pago" não é a melhor expressão, visto que nem todos os rendimentos têm que assumir a forma de um pagamento; talvez fosse melhor "que ganha mais", mas isto são pormenores e a questão não é essa.

    Estás errado quando dizes que o extremo direito de cada curva é o homem mais bem pago (entenda-se que ganha mais) de cada país. O extremo direito é o subconjunto de 1% de maior rendimento da população e a sua inclusão, em conjunto, nalgum percentil da população mundial é feita pelo cálculo do rendimento per capita desse subconjunto, isto é, do rendimento médio dos, arredondando sem grande rigor, cerca de 100 mil portugueses que ganham mais ou dos cerca de 13 milhões de chineses que ganham mais ou dos cerca de 3 milhões de americanos (dos EUA) que ganham mais.

    O gráfico não discrimina ao indíviduo, discrimina por subconjuntos de 1% da população. Na verdade, quem está familiarizado com este tipo de estudos sabe que, na verdade, as estatísticas normalmente só disponibilizam dados por subconjuntos de 10% (decis) não de 1% (percentis). O desdobramento em percentis é geralmente feito considerando uma distribuição empiricamente testada; por exemplo, para os 10% mais ricos (de maior rendimento) usa-se normalmente uma distribuição de Pareto. Mas julgo que não vale a pena perdermo-nos com pormenores.

    O que importa é que cada subdivisão da escala do gráfico corresponde ao rendimento médio do respetivo subconjunto de 1% da população. E isso é que torna possível que o chinês de maior rendimento possa ganhar mais que qualquer português, mesmo dos mais ricos entre os mais ricos, mas que o subconjunto de 1% da população chinesa de que faz parte tenha, em média, um rendimento inferior ao subconjunto congénere da população portuguesa e integre, por isso, um percentil inferior da população mundial.

    Isto nada tem de especial. É a diferença entre o rendimento do chinês (ou português) que ganha mais e o rendimento médio dos 13 milhões de chineses (ou dos 100 mil portugueses) que ganham mais. A comparação dos extremos individuais para os dois países, que o gráfico não permite apurar, não é a mesma que a dos rendimentos médios dos respetivos percentis.

    Vê o exemplo que dei atrás. O gráfico é de 2008 mas, se fosse para este ano, é provável que o extremo direito da curva chinesa, embora se aproximasse mais, ainda não alcançasse a portuguesa. No entanto, atualmente, o chinês de maior rendimentos já ganha mais do que qualquer português.

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