O bom 25

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Com o 25 que se aproxima acendem-se as luzes literais e metafóricas, utilizando-se a tradição da troca de prendas como alegoria para a velha caridade, nas TVs e nas rádios a publicidade às prendas ideais para os mais próximos surgem acompanhadas de outras prenditas para os um pouco menos próximos, porque o consumismo não pode parar e sempre ajuda, a esmola, a mitigar a culpa que sentimos ao nos apercebermos, perto deste 25, que mais de um terço das crianças não têm uma alimentação digna quanto mais a preocupação de um novo brinquedo.

Porque toca a todos e estamos perto do 25, multiplicamo-nos em chamadas de valor acrescentado enquanto a “sociedade civil” se articula para nos entreter com concertos e iniciativas onde se passa a ideia que juntos podemos mitigar o flagelo da pobreza e para isso basta pegar no telefone. Pelo caminho da chamada ainda se geram impostos e receitas privadas, uns para pagar a dívida, outros para distribuir pelos accionistas que, coitadinhos, também merecem um feliz 25.

Relativamente perto, outras iniciativas se fazem ouvir, concorrendo mesmo ferozmente em audiências, onde banqueiros fazem o seu desfile deste 25, fazendo a caridade de se explicarem aos pobrezinhos porque empobrecem cada vez mais. Falam do dinheiro e do poder como da família e morrem de tédio por terem de se explicar à plebe, mesmo enquanto ensaiam lamentos, porque “as desculpas” pressupõe culpa e isso não mora em nenhuma das milhares de casas e contas recheadas que detêm.

Um pouco mais longe, pelo menos assim parece, a boa e velha europa comemora este 25 exortando as hostes com promessas de prosperidade enquanto anuncia mais das mesma políticas que nos trouxeram aqui. Assegurado pelas alternâncias governativas, o fantoche principal é despido lentamente pelos documentos que mostram as legalidades que permitem milhares de empresas a não pagarem um centavo de impostos. Biliões (estou a falar dos com 12 zeros) de euros de lucros passam intocáveis no selectivo crivo de uma europa rendida ao capital enquanto espalha aos quatro ventos que não há dinheiro para manter a europa social e que a prosperidade social é uma ilusão que tivemos colectivamente por um curto período e de que estes nos vão salvar rapidamente com mais uma dose da sua realidade sem alternativas.

É por tudo isto que prefiro o meu 25, a forja onde colectivamente pudemos sonhar e começar a concretizar um país onde fosse a pobreza a ilusão. Neste nosso 25 a caridade não tem lugar porque temos a solidariedade social e avançamos na rua em massa porque sabemos que a pobreza infantil não é uma inevitabilidade. No grande 25 cumpre-se o direito a uma vida digna para todos, com direito ao trabalho, boa alimentação, um tecto condigno, educação, saúde e liberdade. Com o bom 25 celebra-se a possibilidade de tomarmos o destino das nossas vidas nas nossas mãos! O bom 25 é o de abril!

5 comentários:

  1. A Europa tem 7% da população mundial, 20% do produto mundial e 5'0% da despesa mundial em segurança social.
    Está povoada de gente que chama fome ao que outros chamam privilégio!

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  2. Tem piada, porque já li qualquer coisa deste género no teu blog, «A Chispa», mas ao contrário.

    Deixa de ser infeliz, José. Essa tua capacidade de quereres demonstrar ser diferente em dois lados já tresanda a mijo!

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  3. De facto já vi este cometário acéfalo do jose replicado em meia dúzia de blogs pelos quais arrasta a sua manha e os seus fluidos orgânicos

    Para os antigos esclavaistas o dar comida aos escravos ( necessidade essencial para a manutenção da sua fonte de riqueza ) era um privilégio que os desgraçados tinham.

    Para os fascistas da trampa o obedecer a salazar ou a mussolini era um privilegio que a ordem, a lei, a pide ou os camisas castanhas tinham o dever de fazer cumprir.

    Jose replica uns e outros. Tem fome de esclavagista e alma de podengo salazarista..

    Apostaria que comungaria, com entusiasmo de candidato a carrasco, o recurso à tortura que uns e outros defendiam

    De

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  4. (porque no deve e haver destas coisas nunca se fazem as contas que lhes denunciam as manhas e os proventos, os achaques e as hipocrisias, os tiques e as falácias,os odores e a ganância, a iniquidade e o catecismo, a subserviência e o capataz.

    Com efeito parece que uma cagagéssima parte da população humana detém tanto da riqueza como metade da população mundial.
    85 pessoas mais concretamente.

    Que nome dar a esta situação e de quem de forma desesperada e desonesta propagandeia os seus postulados de xenófobo encartado?

    De

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  5. A comunidade da inveja e raiva onde vê riqueza vê consumo, onde vê capital vê repartição.
    A desigualdade no mundo é a única condição de sustentabilidade disponível, e quando viesse essa mirífica repartição, seria delicioso observar a quota de gordura que vos sairia do lombo.
    Sim, eu sei, nesse vosso mundo mirífico a melhor parte ficaria do vosso lado,...

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