O ABC da desinformação: Alienação, Boçalidade e Conspiração

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Tom Pettitt, um académico da Universidade do Sul da Dinamarca, resume a dificuldade de controlar a informação na era das comunicações digitais com a teoria do Parênteses de Gutenberg, que defende que após uma excepção impressa, com a duração de quinhentos anos, no modo tradicional de partilha da informação, estamos a regredir para uma comunicação de natureza oral, narrativa, fluída e em rede, mais semelhante às histórias contadas à volta da fogueira que ao livro impresso.

Com efeito, à medida que o capitalismo recua o mundo à sua fase civilizacional bárbara, a informação parece também regredir em vários sentidos. Sendo que o principal inimigo do jornalismo hodierno é o processo de concentração dos meios de comunicação social nas mãos de meia dúzia de capitalistas, prejudicando simultaneamente a liberdade relativa do jornalista e a qualidade do seu trabalho, outros fenómenos anti-democráticos e igualmente prejudiciais à nossa compreensão do mundo têm merecido menos atenção da esquerda.
Falo das teorias da conspiração. Com a expansão da internet e das redes socais, as teorias da conspiração massificaram-se, libertaram-se das margens do imaginário sub-cultural e conseguiram mesmo, nalguns casos, abandonar a etiqueta pejurativa que o seu nome carrega. Num cenário em que notícias antigas são republicadas como se fossem actuais e em que a multiplicação das fontes de informação torna impossível uma rápida aferição da fidedignidade, é compreensível que encontremos numa notícia como "EUA fizeram o atentado em Miami" a justificação cabal da nossa própria mundividência e ideologia.

O sucesso das teorias da conspiração explica-se com uma receita simples de três ingredientes: dá sentido e coesão lógica a um mundo cada vez mais desorganizado, confuso e caótico; Usa explicações extraordinariamente simples em que A faz B para conseguir C encaixotando a realidade num mapa axiológico dividido entre bons e maus e onde todo o mal tem origem nos "maus"; Finalmente, presta a evidência cabal de quaisquer narrativas ideológicas: do socialismo ao neoliberalismo passando pelo fascismo.

E um passeio pelas redes sociais é prolífico em teorias da conspiração: Saddam não morreu, Gaddafi está vivo, o 911 foi feito pela CIA, o 911 foi organizado pelos judeus, Foley está vivo, Sandy hook foi uma falsa bandeira, Boston foi uma operação de propaganda, etc. Em anos recentes, alguns meios de comunicação social de linha editorial marxista e uma ou outra revista de análise comunista têm feito eco de algumas destas teorias. Porém, a esquerda coerente e os revolucionários comprometidos com a transformação do mundo estão obrigados a um cuidado excepcional.

Cuidado não quer dizer que algumas das actuais teorias da conspiração não se venham a provar verdadeiras (também Watergate e o incêndio do Reichstag foram em seu tempo teorias da conspiração) nem tampouco significa que não devamos questionar a realidade, examinando todas as possibilidades. Cuidado significa que não podemos assumir que uma teoria é verdadeira só porque faz sentido. Perante acontecimentos obviamente nebulosos ou mesmo inexplicáveis, a única atitude marxista e sincera é assumir que ainda não sabemos. A ampla maioria das teorias da conspiração em voga não foi alvo de um processo exaustivo de falsificação científica nem reúne provas indisputáveis. Algumas baseiam-se em invenções espúrias, outras têm um fundamento de verdade. Umas apoiam-se em provas anedóticas, outras reúnem o contributo científico de especialistas. É um campo em que a confusão reina, pelo que todas as teorias históricas que não se ergam sobre critérios científicos objectivos e provas claras podem ser consideradas e analisadas. Desde que não aceitemos nenhuma como certa.

Mais grave ainda, parte substantiva das teorias da conspiração que circulam na internet provém de sites de extrema-direita. O infowars, eventualmente o site conspirativo mais importante à escala global, é a origem pútrida de várias teorias da conspiração travestidas de esquerda e republicadas em órgãos de confiança. O infowars pertence a Alex Jones, auto-intitulado paleo-conservador, um feroz anti-comunista e porta-voz da extrema-direita anarco-capitalista. No site do Infowars ficamos a saber que Foley está vivo e que o governo dos EUA quer efeminizar os homens (pelo que podemos comprar complementos de testosterona "Super Male Vitality Inforwars").

Mas o problema não são só as fontes, é o princípio: as teorias da conspiração alimentam-se da premissa de que nada é aleatório caricaturando o poder como um leviatã que controla em absoluto a realidade, o demiurgo de todos os acontecimentos e de um poder maciço sem intervalos nem espaços ocos. Esta lógica tem que ser denunciada por anti-dialéctica e derrotista: o poder não controla tudo, muita acção é-lhe oposta com êxito e ainda mais é a que lhe escapa. Mais ainda, o capitalismo não controla a realidade unicamente pelos fios da marioneta: muitas vezes serve-se estrategicamente da acção espontânea dos seus próprios inimigos combatendo-a, apoiando-a tácita ou abertamente ou ainda ignorando-a. Por fim, quando observada no seu corpo global, as teorias da conspiração contribuem para uma explicação idealista do mundo em que os segredos, a decepção e a conspiração são o motor da história. Aos marxistas cabe saber corrigir que é a luta de classes que faz a história avançar.

26 comentários:

  1. Em suma, o boato é contra revolucionário

    ResponderEliminar
  2. Sim, mas no caso de Foley, como este último video lançado pela Casa Branca, há algo que não está bem.

    Aceito o texto e aceito a ideia que não se deve logo acusar algo como mentira, até estar provado, mas no caso do video de Foley há provas de que o homem que está de joelhos não é o jornalista americano. Basta ver a face do verdadeiro Foley e comparar com a do actor que está de joelhos.

    Em todo o caso, o ISIL é uma invenção dos serviços secretos americanos e israelitas. Estes videos parecem falsos, apenas porque a imagem gravada é de tecnologia superior à que é usada pelos verdadeiros terroristas islâmicos (aqueles que lutam na Síria, por exemplo).

    O uso de estas imagens falsas têm como motivo não só a deterioração da imagem islâmica no ocidente, como também são uma manobra de diversão da Casa Branca e os seus serviços secretos em relação às suas próximas acções no Médio Oriente ou até mesmo na Europa.

    No próximo dia 14 de Setembro vão ser as eleições municipais em São Petersburgo. Por fontes antecipadas, já existem grupos radicais a serem pagos por agentes norte-americanos, para que haja um tumulto igual àquele que assistimos em Maidan.

    O conceito de «teoria da conspiração» é uma jogada para combater, muitas vezes, a inteligência e a perspicácia de muitas pessoas esclarecidas. «Teoria da conspiração» em certos casos indica a verdade. Enquanto os factos narrados por Washington sugerem mais a mentira com interesse político, estratégico e militar.

    ResponderEliminar
  3. Já agora, alguém vai escrever acerca dessa «traição» que é o convite aceite pelo Rui Tavares da «Livre» para estar na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide?

    ResponderEliminar
  4. Bom texto,

    Também queria analisar o comentário do anónimo das 14:48.

    Eu também acho que há algo de muito estranho dos dois vídeos que o estado islâmico divulgou; também acho que o WTC7 foi demolido; também acho que o governo americano quer desarmar a população civil americana e destruir a 2.ª emenda da constituição. E posso garantir que não consumo testosterona Super Male Vitality Inforwars.

    Não é fácil distinguir o trigo do joio. Nem é fácil pedir prudência, porque queremos respostas agora. Mas a prudência é mais do que necessária. Nós não temos uma ideia muito clara sobre como se mexe o estado islâmico. Pode muito bem ser apenas um offshoot imperialista, porque só declarou frentes de guerra para a reconstituição do califado no Líbano, Síria e Iraque - quando as cidades do profeta estão na Arábia Saudita. O Estado Islâmico está às portas dos seguintes países: Turquia, Jordânia e Arábia Saudita... em breve saberemos se essa brincadeira de reconstruir o califado é para levar a sério, ou andam apenas a brincar a um fenómeno a que se convencionou chamar: الجهاد في سبيل امريكا

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  5. Boas Argala!

    Sou o anónimo das 14:48 e aprovo o teu texto.

    Acuso os videos lançados como falsos, porque actuam como manobra de diversão sobre outros factos que os Estados Unidos não querem ver revelados diante da opinião pública.

    Por exemplo, ontem 200 marines entraram na Ucrânia para participar com a Junta militar fascista de Kiev em chamados treinos militares. É a primeira vez que tal acontece, mas não se soube nada pelos canais de consumo televisivos.

    Estes videos são tão estranhos que os actores são sempre ou americanos ou ingleses. Não há um muçulmano se quer nestas comédias negras "made in USA". A cara daqueles que vão ser decapitados não seria de certeza aquela mais óbvia de um condenado à morte por degolação. Podem disfarçar muito, mas não me enganam.

    Agora, se quiser videos das barbaridades cometidas por esses bandidos pagos pela mão de John McCann e outros facínoras sionistas, tem um caso explícito ou mais que é transmitido na Press TV. Aí, nota-se a deterioração da tecnologia utilizada para a demonstração de tais práticas e actos. Não temos as imagens em "HD", nem os gestos teatrais de um actor britânico ou americano.

    Os ingleses e os americanos pagos pelos seus agentes sionistas não me enganam. Os seus filmes ou comédias negras são baseados em filmes produzidos em Hollywood e isto não é nenhuma teoria da conspiração. É um facto.

    ResponderEliminar
  6. Há também outra razão atrás destes falsos videos, Argala. É para que o Argala e muita gente ignorante aí dos facebooks (que não é o caso do Argala) se encha de misericórdia e compaixão pelo pobre americano que vai morrer às mãos do dissidente britânico, hoje nas mãos do ISIL.

    Isto é tão falso e tão plástico que até dá nojo.

    Mas outras acções se preparam. Os Estados Unidos e a sua tropa está-se a movimentar por muitos lados. Isto é apenas «fait-divers» feito para despertar a curiosidade mórbida dos amigos do "i-phone" e da "net" e que não percebem nada sobre o que se está a passar.

    ResponderEliminar

  7. Caro anónimo,

    Tudo certo. Só lhe peço que, tal como pede o texto, escreva com mais prudência. Não tenha a pretensão que consegue ler as jogadas geopolíticas - "estado islâmico decapita para esconder entrada de marines". Eu conheço gente que é paga para saber estas coisas e aparentam ter mais dúvidas.

    Por exemplo, onde é que se encaixa aí a guerra que o estado islâmico está a fazer contra o exército livre e jabhat al-nusra?! Eles limparam o campo em extensas zonas do norte da Síria. Pior, nada disto foi silencioso e estagnou a entrada de novos combatentes. Qual o propósito de, por exemplo em Jarabulus, o estado islâmico ter pendurado as cabeças dos militantes do exército livre nos pilares do centro cultural?! E a colaboração com o ba'ath iraquiano na tomada de Mosul?! Eu relembro ainda que o estado islâmico já não se chama ISIS ou ISIL, ou seja, o nome já não está confinado ao Iraque e ao Levante.

    Convém também lembrar que a declaração do califado e do 'califa ibrahim' põe aos ombros do estado islâmico uma série de obrigações. E a pressão que vem de baixo acaba por mandar, porque não se vai escrever a lei. A lei já está escrita. Explicando melhor: da mesma forma que o 'califa ibrahim' não pode dizer aos seus súbditos que agora a cerveja é halal; também não pode dizer aos seus súbditos que não têm a obrigação de reconquistar as cidades do profeta, e que isso fica para calendas mais improváveis.

    O que eu prevejo é que o estado islâmico seja cada vez mais infiltrado, para que os países procurem empurrar a merda para casa do vizinho. E os serviços secretos da Síria poderão também estar envolvidos. Convém lembrar que a Síria abriu as fronteiras à passagem de combatentes, muitos deles jihadistas, para irem combater a ocupação no Iraque.

    Isto tudo para dizer que o estado islâmico pode muito bem ser um grupo de incontrolados que conseguiu aproveitar as diversas contradições no terreno para se armar e financiar. Isso é uma possibilidade. E porque é que atacam apenas a Síria, Líbano e Iraque? porque eles são o elo mais fraco; porque abrir guerras contra países que estão destruídos ou sob ataque é mais fácil do que abrir guerra contra países aliados da NATO. Isto é também uma explicação válida.

    O anónimo também tem que se lembrar que dentro do campo imperialista também existem contradições e guerras intestinas. Há o eixo Turquia-Qatar-Irmandade Muçulmana; o eixo Arábia Saudita-Egipto- e restantes países do GCC que caiem para o lado da Arábia Saudita. Não esquecer que o Qatar está prestes a levar com sanções e a ser expulso da GCC, que há vários países a disputar a liderança na zona.

    Eu continuo à espera de mais respostas para ler melhor a situação..

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  8. Caro Argala, sou eu o anónimo 09:44 e das 13:05,

    Eu aceito as suas ideias e o seu texto.

    Creio que nos situamos num campo, onde a dúvida precisa sempre de esclarecimento e aturada investigação. Não podemos parar.

    Eu vou à «Global Research»; à Voltaire net (especialmente aos textos de Thierry Meyssan); ao site «Moon of Alabama»; ao site «In Gaza»; vejo a Press TV, a Telesur e a RT.

    Com tempo de sobra, ainda ponho alguma literatura em dia, porque tal como o amigo Argala, nunca me sinto satisfeito, mas há que compreender e ler melhor aquilo que constitui o império americano por dentro.

    Já investigo e estou por dentro das mentiras da estrutura de poder montada em Washington há muito tempo e cada vez que esta gente tem acções montadas, partem para as manobras de diversão, do tipo os videos com jornalistas, porque sabem que meio mundo acredita nestas imagens.

    São falsificações que eles impõe ao Mundo, através da sua propaganda.
    Por isso, amigo Argala, com eles não tenho prudência nenhuma, porque estou em crer que eles vieram ocupar o lugar dos nazis de Hitler. Estão a destruir o Mundo com as suas guerras, montagens e falsificações. Estou cansado deles e só espero vir ainda a assistir à destruição da Casa Branca. Já aconteceu no passado (24 de Agosto de 1812). Pode acontecer outra vez. Se acontecer, é porque eles estão mesmo a pedir para que volte a ocorrer.

    ResponderEliminar
  9. Eu escrevi aqui que as manobras de diversão criadas pela Casa Branca servem para esconder certas acções.

    Há pouco, na cimeira da NATO, em Cardiff, o lacaio Cameron disse que «não seria necessário pedir o consentimento da Síria para bombardear o ISIL no seu território».

    Ou seja, o Pentágono e a Casa Branca servem-se de um lacaio, na cimeira nazi da NATO para justificar tudo aquilo que querem fazer a seguir.

    Para isto, serve a desculpa do ISIL (criação dos americanos e israelitas) para atacarem a Síria. Servem também os videos falsificados, para que os ignorantes reconheçam que todas as hipóteses de combater o ISIL são justificadas, nem que tenham que bombardear a Síria, sem o consentimento do seu presidente e governo.

    Como também servem as declarações de Washington sobre os videos, dizendo que «Washington já confirmou que as imagens são verdadeiras».

    Os mentirosos vêm confirmar que as falsidades fabricadas devem ser vistas como verdadeiras. Portanto, todos devem ceder ao ponto de vista dos mentirosos de Washington. Será assim?

    Estamos a lidar com mentiras que justificam acções de guerra.

    PS. Este assunto é diferente. Refere-se à participação do oportunista Rui Tavares, na Universidade do PSD em Castelo de Vide. Estou espantado com o silêncio dos comentadores da "Manifesto 74".

    Como é que este oportunista que pediu o voto da esquerda no seu partido, vem agora juntar-se a uma reunião da direita, criada pela JSD e pelo governo?

    Depois dos ataques ao povo português, com o pacto de agressão era suposto o corte de relações com qualquer partido de direita, fosse PSD ou CDS-PP.

    Agora, vem este oportunista... este charlatão... fazer o impensável.

    Há por aí alguém que escreva sobre este assunto?

    ResponderEliminar
  10. Estimado Argala,

    Obrigado pelo seu comentário, um texto lúcido e necessário para compreender acontecimentos de grande complexidade que demasiada gente tenta simplificar. Assino por baixo.

    ResponderEliminar
  11. Infelizmente, não assino o vosso silêncio e o vosso esquecimento em relação ao episódio decorrido com o Rui Tavares.

    ResponderEliminar
  12. No fundo, este texto quer dizer que qualquer tese oficial vinda da Casa Branca nunca poderá ser refutada.

    O pensamento contrário às maquinações produzidas em estúdios norte-americanos, pagos com o dinheiro da CIA, são «teorias da conspiração».

    Portanto, toda e qualquer mentira vinda de um comunicado americano tem de ser aceite como verdade.

    Será assim?

    ResponderEliminar
  13. A morte do correspondente russo da RT, André, na Ucrânia, às mãos do exército da Junta de Kiev: Verdadeira notícia, mas escondida pela imprensa vendida pelo império.

    A morte de um correspondente chamado Foley: Ficção montada por Washington, repetida vezes sem conta, com a desculpa de atacar o chamado "ISIL" na Síria e com clara intenção de bombardear Damasco e tentar o golpe que não conseguiram em 2013.

    Últimas notícias do «New York Times»: Afinal Assad não destruíu todo o seu stock de armas químicas.

    David Cameron na cimeira da guerra, em Cardiff: «Se for caso disso, bombardearemos o ISIL na Síria sem consentimento do seu presidente.»

    Teoria da Conspiração? Prudência? Medo de Washington?

    Seguiremos a leitura nas entre linhas deste império maldito montado em Washington e que continua a querer destruir a paz no Mundo.

    ResponderEliminar

  14. Os anónimos continuam a pregar a tese de que o estado islâmico é uma desculpa para atacar a Síria.

    Meus caros,

    O império não precisa de mais desculpas para atacar a Síria. Já tivemos a novela das armas químicas, um avião turco abatido e outros episódios, que mediaticamente trabalhos, servem de casus belli.

    A opção de atacar a Síria já só depende de vontade, coragem política, capacidade para aguentar as consequências e um plano militar.

    Coragem porquê? Porque quando a Síria já nada tiver a perder, também carrega nos seus botões, e também saem disparados mísseis com armas químicas em direção a Israel e às capitais europeias; porque não sabemos qual seria a reação da Rússia; porque há um acordo militar assinado com o Irão. Há muitas incógnitas. E eles também tremem antes de apertar o gatilho. É isto que conta e o estado islâmico é irrelevante nesta equação.

    A tese é tão forçada, porquanto convém lembrar que o estado islâmico é uma coisinha antiga. Eu não queria estar a fazer propaganda, mas para se perceber a questão vejam este vídeo do Anwar Al-Awlaki (morto em 2011 por um drone americano no Yemen) que explica a proclamação do califado no Iraque:

    http://youtu.be/SIVN1eAySMw

    Estou com isto a dizer que o império não utiliza estes grupos para atacar os seus inimigos? Não. Mas cuidado com essas teses apressadas, porque as armas que o império usa contra os seus inimigos, também podem ser usadas contra eles.

    Eu não estou à espera que isto aconteça, mas, por algum acidente, amanhã o estado islâmico declarar jihad na Arábia Saudita, qual vai ser a tese?

    Um abraço António.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  15. A ver vamos...

    Entretanto, há eleições municipais em São Petersburgo no próximo dia 14 de Setembro.

    ResponderEliminar
  16. Steven Sotloff, o segundo jornalista que Washington diz ter sido decapitado, aparece numa fotografia a combater pelos mercenários sírios contra o governo de Assad.

    Mais informações aqui: http://www.globalresearch.ca/photo-tweet-claims-to-show-steven-sotloff-fighting-with-syrian-mercenaries/5399576

    Aquele que diz que «anónimos que pregam teses...» devia estar mais atento às mentiras da Casa Branca e Pentágono.

    ResponderEliminar
  17. Caro anónimo,

    E em que é que isso suporta a tese que está a defender?! Já aqui não disse que um dos hobbies do estado islâmico é matar os restantes rebeldes, que já foram declarados apóstatas e cujas cabeças foram penduradas logo para abrir a contenda?!

    Parece que o meu segundo comentário não foi compreendido.

    Eu sei que também há fotos de um dos comandantes do estado islâmico com o filho do Erdogan, também houve combatentes a serem tratados em hospitais turcos. Eu sei disso tudo.

    O que eu quis explicar é que, pela sua própria natureza, o estado islâmico é um monstro que depois ganha pernas próprias. Independentemente do que tenha sido a sua origem. As pessoas estão a ser mobilizadas para reconstruir o califado. É qualitativamente diferente do que se passou na Chechenia ou no Afeganistão. A capacidade para mexer por cima com os cordelinhos é mais reduzida. Grupos armados desta dimensão não são robots que tu crias e telecomandas à distância. Essa é a visão infantil de Alex Jones e apaniguados.

    Em relação aos vídeos: nós nem sequer temos fontes oficiais do estado islâmico. Portanto esta conversa só pode ser especulação em cima de especulação. E em vez de especular sobre especulações, prefiro estar calado.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  18. Então, é porque não entendes a maneira como trabalha Washington, o Pentágono e todos os seus associados.

    Não é verdade que há agentes da CIA e da Mossad infiltrados neste tal chamado ISIL?

    Não é verdade que John McCann esteve a apertar a mão a um dos comandantes do Al-Nusra?

    Não é verdade que os Estados Unidos da América já fazem este jogo de dissimulação há anos?

    Até parece que temos todos que ver os Estados Unidos da América como entidade séria e responsável.

    Não são eles que querem a guerra?

    Tu tens um conceito sobre o estado islâmico, mas não vês o dinheiro que está por detrás disto.

    O teu problema, afinal, é falta de conhecimento sobre a perversidade do aparelho militar americano e do seu sistema.

    Portanto, não me venhas com as tuas tretas da «especulação sobre especulação», porque isso eu já ouvi dos jornalistas evangélicos e reaccionários da «Fox News», «Sky News» e até «Al-Jazeera».



    ResponderEliminar
  19. Já agora, toma lá isto que eu encontrei agora:

    http://www.globalresearch.ca/obama-prepares-to-escalate-war-in-the-middle-east/5400229

    Sim, porque, os Estados Unidos da América estão quietos, não é? Não se metem nisto, não é assim, ó tonto?

    ResponderEliminar
  20. Na minha modesta opinião alguns dos argumentos esgrimidos por alguns dos autores só superficialmente são contraditórios.

    Uma das grandes dificuldades das forças de esquerda é a que diz respeito à informação. Hoje, talvez como nunca à escala dos grandes meios de comunicação social, a informação é perfeitamente afunilada e está na posse de facto de meia dúzia de mãos (quase que em sentido literal). Há basta documentação e aprofundamentos teóricos que confirmam tal. António Santos corrobora de resto tal ideia em meia dúzia de linhas nos seus parágrafos iniciais

    O autor do post, com a qualidade que também o caracteriza, parte em seguida para a questão das "teorias de Conspiração". E aduz argumentos notáveis, emprestando uma solidez teórica que dá gosto ler.

    Posto isto, e nisto incluo o facto de subscrever na totalidade o texto em causa, cumpre-me dizer que tudo o que foi dito não contradiz uma questão essencial.Que é o de estarmos escrupulosamente atentos a toda a produção "informativa" do adversário.Porque o encontrar pés de barro e encontrar discrepâncias no formidável sistema mediático com que nos bombardeiam quotidianamente é essencial para a luta que travamos

    O caso de Dimitrov é exemplar na forma como este abordou sob o ponto de vista do rigor e da coerência precisamente o atrás citado incêndio do Reichtag.

    Porque aqui os campos também se confundem é preciso ser claro quando os abordamos. Necessário e sempre é preciso "critérios científicos objectivos e provas claras" na abordagem das diferentes situações com que somos confrontados. A batalha ideológica também passa por aqui, porque de facto há e existe manipulação mais fina ou mais grosseira que nos é apresentada de forma mais coordenada ou mais "espontânea" .

    De

    ResponderEliminar
  21. Transcrevo um excerto de um trabalho de Domenico Losurdo,que até cita um outro autor de que me por vezes me distancio:

    "Na história da indústria da mentira, parte integrante do aparelho industrial militar do imperialismo, 1989 é um ano de viragem. Nicolae Ceausescu ainda está no poder na Roménia. Como derrubá-lo?

    Os meios de comunicação ocidentais difundem de modo maciço junto à população romena informação e imagens do "genocídio" cometido em Timisoara pela polícia por indicação de Ceausescu.

    O que acontecera na realidade? Beneficiando da análise de Debord sobre a "sociedade do espectáculo", um ilustre filósofo italiano (Giorgio Agamben) sintetizou de modo magistral a história de que aqui se trata:

    "Pela primeira vez na história da humanidade, cadáveres sepultados ou alinhados sobre mesas das morgues foram desenterrados às pressas e torturados para simular frente às câmaras o genocídio que devia legitimar o novo regime. O que o mundo viu em directo como verdade real, no écran da televisão, era a não verdade absoluta. Embora a falsificação fosse óbvia, ela todavia era autenticada como verdadeira pelo sistema mundial dos media, porque estava claro que agora a verdade não era senão um momento do movimento necessário do falso. Assim, a verdade e a mentira tornaram-se indiscerníveis e o espectáculo legitimava-se unicamente mediante o espectáculo.
    Timisoara é, neste sentido, a Auschwitz da sociedade do espectáculo: e como já foi dito que depois de Auschwitz é impossível escrever e pensar como antes, da mesma forma, depois de Timisoara não será mais possível ver um écran de televisão do mesmo modo" (Agamben, 1996, p. 67).

    No ano de 1989 a transição da sociedade do espectáculo para o espectáculo como técnica de guerra manifestou-se à escala planetária. Algumas semanas antes do golpe de Estado, ou seja, da "revolução Cinecittà" na Roménia (Fejtö 1994, p 263), a 17 de Novembro de 1989, a "revolução de veludo" triunfava em Praga agitando uma palavra de ordem de Gandhi: "Amor e Verdade". Na realidade, um papel decisivo coube à divulgação da notícia falsa de que um aluno fora "brutalmente assassinados" pela polícia. Vinte anos mais tarde, revela satisfeito um "jornalista e líder da dissidência, Jan Urban", protagonista da manipulação: a sua "mentira" havia tido o mérito de suscitar a indignação em massa e o colapso de um regime já periclitante (Bilefsky 2009).

    "A indústria da mentira, parte da máquina de guerra do imperialismo" de Domenico Losurdo

    De

    ResponderEliminar
  22. A propósito da questão da verdade e da mentira transcrevo também um cristalino excerto dum texto de Álvaro Cunhal, que, diga-se de passagem, permite leituras muito mais amplas do que as que aqui agora procuro

    "Quando se fala de verdade e mentira na política, não se afirma que, em relação às teorias, opiniões, apreciações e interpretações, se possam ter as próprias como verdades absolutas e as de outros como absolutas mentiras.

    A mentira na política reside, antes de mais, em falsear os factos, os dados objectivos. Afirmar que se passou o que não se passou e que não se passou o que realmente aconteceu. Afirmar que se disse o que não se disse e que não se disse o que de facto se disse. Afirmar que se fez o que não se fez e negar que se tenha feito o que realmente se fez.

    Verdade é referir com objectividade factos e acontecimentos, mesmo quando desfavoráveis à própria opinião. Mentira é dizer que aconteceu o que não aconteceu, inventar dados e afirmações, lançar acusações falsas e calúnias vis.

    Na Revolução de Abril e na contra-revolução encontra-se, com toda a evidência, uma diferença abissal entre, por um lado, o PCP e as forças mais consequentes da Revolução e, por outro lado, as principais forças militares e partidárias da contra-revolução.

    As primeiras fiéis à verdade, as outras usando a mentira como arma e como prática viciosa e sistemática, que acabou por pretender afirmar-se perante a opinião pública como mostra de talento e arte, socialmente admitida e reconhecidamente impune.

    Verdade do programa de um partido é definir e proclamar os seus reais objectivos. Mentira é inscrever e proclamar no programa objectivos contrários aos que realmente pretende atingir.
    Verdade é, na actividade prática, declarar os reais objectivos y as reais consequências que se pretendem. Mentira é, para ocultar e disfarçar os reais objectivos, difundir e propagar que decisões e medidas têm efeitos que vão ao encontro dos interesses do povo, quando têm em vista efeitos precisamente contrários"

    Álvaro Cunhal : A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril (A contra-revolução confessa-se)

    (De)

    ResponderEliminar
  23. De facto a situação é extremamente complexa e exige prudência, humildade, rigor científico e objectividade..Sobretudo um estudo e uma preparação teórica que permitam agir de forma coordenada e eficaz e que conduzam a uma articulação e ligação dialéctica à acção de massas. Duma forma necessariamente Organizada.
    .
    Também aqui é útil abordar, embora a talhe de foice, da importância de antecipar as jogadas do inimigo, de as denunciar, para preparar o seu combate de forma eficaz e pronta, de as esvaziar em tempo oportuno e útil. Pesa de facto a posteriori ver a "ingenuidade" com que os movimentos progressistas encararam a evolução dos factos históricos e não souberam fazer as leituras adequadas do desenrolar de acontecimentos tidos como de "rotina".Abandonou-se princípios teóricos é certo, violou-se a praxis revolucionária também é certo, mas quantos sinais vindos dos próprios inimigos não foram desprezados pelo campo genuinamente socialista ?

    Por outro lado também é necessário fazer as leituras adequadas a cada momento histórico.Nunca se deve subestimar o inimigo. Nem o sobre estimar. O que separa tais atitudes é de facto um fio de navalha muito ténue.O que está em confronto não se compadece com leituras simplistas e a dinâmica dos acontecimentos é vital, gerando muitas vezes processos não previsíveis no imediato Daí a importância que alguns homens tiveram em determinados períodos históricos e em determinadas épocas concretas. Porque souberam também antecipar, analisar, estudar e agir no momento próprio e certo.

    .
    Basta, que o texto já vai longo. .

    E agora em jeito de provocação esta notícia de Gareth Porter em que se denuncia que Israel manipulou um video para justificar o seu ataque a um hospital de Gaza tem merecido que tipo de contestação ou de divulgação?

    http://www.truth-out.org/news/item/25999-israels-video-justifying-destruction-of-a-hospital-was-from-2009

    De

    ResponderEliminar
  24. Muito bem, «De». Gostei de ler o texto do Domenico Losurdo, algo que o Argala deveria ler, para compreender, em absoluto, como a estrutura de poder norte-americana mente.

    A escalada militar que se prepara no Iraque, tem como objectivo a Síria, porque os EUA ainda não desistiram da ideia de subverter aquele país.

    De facto, a estrutura de poder norte-americana, em conjunto com toda a sua propaganda, tem mentido e mentido, para tentar aquilo que querem no fundo: total domínio planetário.

    Eu sei que não vão conseguir, mas não posso lutar contra os EUA da maneira como luta o Sr. Argala, ou seja, calado e com prudência.

    Sou anti-império norte-americano. Os Estados Unidos da América estão em guerra com o Mundo. É preciso lutar contra eles e ir directamente ao assunto. Se mentem, há que analisar como mentem e não ficar «caladinho», com prudência.

    ResponderEliminar
  25. Está em marcha um plano de ataque da aviação americana ao estado soberano da Síria.

    O pretexto é o ISIL ou o estado islâmico.

    A desculpa usada é a falta de preparação do governo de Assad para vencer o ISIL no seu país.

    O plano de ataque já foi votado a favor pela câmara legislativa americana, através dos seus congressistas e senadores, pagos e favorecidos pelo lobbie de Israel.

    No entanto, esta próxima iniciativa de guerra irá falhar, como falharam as últimas iniciativas motivadas pelo lobbie de Israel.

    Porquê?

    Porque o exército sírio está mais preparado para uma guerra e porque o exército da Síria está a vencer a guerra contra o terrorismo.

    O exército sírio luta contra cerca de dois mil grupos terroristas, entre os quais está o ISIL.

    Se os Estados Unidos entrarem na guerra, haverá uma escalada militar de proporções desconhecidas.

    Este assunto relembra muito o que se passou no Vietname.

    Daí, a minha proposta para um artigo no Manifesto 74: um confronto entre estes dois episódios da nossa historia.

    Saúde.

    ResponderEliminar
  26. O manifesto 74, através deste artigo e do comentador «Argala» falhou as suas previsões.

    O plano militar de Obama tem como objectivo a Síria e o derrube do governo de Assad.

    De modo a implementar o plano, foram necessárias estas fabricações, como o actor «jihad John» que o António Santos e o Argala acreditaram ser verdadeiras.

    ...e em vez de continuar com o debate, mantemos o silêncio e a prudência.

    Tristeza!

    ResponderEliminar