Jonet ao espelho

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Já comecei e apaguei o início deste texto demasiadas vezes. Custa-me ter tanta coisa para dizer que nem que diga. Jonet voltou ao ataque. Isto, por si só, deveria fazer-nos tremer não de medo, mas de nojo. Jonet, profissional da caridadezinha desde 1994, quando deixou de trabalhar. Recordemos quem Isabel Jonet casou com um jornalista da Lusa destacado em Bruxelas para acompanhar a adesão portuguesa à CEE. Curiosamente, esse jornalista passou a integrar a missão portuguesa como responsável pelas relações com a imprensa. Simultaneamente e por acaso, certamente, Jonet passou a trabalhar também na missão lusa, com as funções de tradutora. Em 1994, voltou a Portugal e decidiu deixar de trabalhar. Coisa que continua sem fazer em 2014.

Desta vez, Jonet denuncia - denuncia, assim mesmo - que há profissionais da pobreza em Portugal, numa espécie de auto-retrato, esperava eu. Jonet vive mediaticamente da pobreza.Não há mais nada que Jonet tenha feito de relevante que não seja propagandear a caridadezinha e, depois, cobrar por isso nos jornais.

Dos desempregados que passam demasiado tempo no Facebook em lugar de procurar emprego, passando pelos bifes a que estávamos habituados a comer, sem esquecer a notável participação numa reportagem do Linha da Frente, da RTP, em 2012, que surge ali mais abaixo.

Jonet, "Bli" para os amigos, precisa urgentemente de se calar e de arranjar outra ocupação. Pode dedicar-se ao ponto-cruz, como era conhecida na sua juventude. Pode dedicar-se ao que quiser, mas não pode continuar a falar da pobreza e dos pobres como criminosos.

 
Os números do JN pecam por defeito, há bem mais de 20% de pobres em Portugal. Mas recordemos que, para Jonet, só há fome em África - que é um país, segundo a própria. Aqui, em Portugal, há carência alimentar. Jonet é o rosto da caridadezinha praticada e propagandeada pelo governo PSD-CDS. Estigmatizar até ao tutano quem é pobre e precisa de assistência para viver, porque não há trabalho, passando essa ideia para os jornais através de notícias como esta e de fazedores de opinião que mais não fazem do que propagandear a inevitabilidade da miséria em que vivemos. Às vezes lá se arranja um emprego, mal pago e sem direitos. Mas, para quem vive no mundo das Jonets, só tem é que aceitar, porque "ao menos têm trabalho". Como se trabalhar não fosse um direito - que Jonet conhece mal, é certo. As alarvidades que Jonet brota são uma espécie de retrato deste país-manicómio que nos estamos a tornar. Isto vai ter de acabar, mais tarde ou mais cedo, seja de que forma for.

A mão estendida a que Jonet se refere na notícia será, certamente, a dela própria, com o braço esticado e a palma da mão virada para baixo. Que nunca se entale com um bife.


Em 14 de Dezembro de 2012, a propósito de uma reportagem do Linha da Frente, na RTP:

Isabel Jonet: "Eu penso que é mais correcto falar-se em carências alimentares, porque há que relativizar até a situação que se passa nos países mais desenvolvidos e o que se passa nos países subdesenvolvidos, como África. E, portanto, temos que relativizar e falarem carências alimentares".
 

Jornalista: "Mas estas mães que encontrámos nas escolas falam-nos em fome..."

Isabel Jonet: "Pois, porque é tudo um olhar relativo sobre a situação que tinham previsto ter. Se for para África, há pessoas que não comem mais do que uma tigela de arroz por dia. De facto, esses têm fome. Há muitas famílias cá em Portugal que não têm uma refeição completa por dia. Há muitos idosos, nomeadamente idosos, que vivem sozinhos, que não comem uma refeição completa todos os dias".

Jornalista: "Mas isso não é fome..."

Isabel Jonet: Isso não é fome. Mas são os idosos. No caso das crianças, todas aquelas crianças que podem ir às cantinas escolares ou que são apoiadas... que frequentam ATL, Instituições de Solidariedade Social, ATL, creches, etc, é-lhes garantida uma refeição na, na , na instituição durante o dia. Muitas chegam a casa e já não jantam.

Jornalista: "Mas isso é uma carência alimentar, não é fome..."

Isabel Jonet: Não é. Eu acho que é uma carência alimentar.

18 comentários:

  1. Servindo-me das palavras da Isabel Jonet, também posso dizer que existem profissionais das ditas campanhas de solidariedade em Portugal e que exploram a pobreza para obter lucros.

    A Isabel Jonet não me engana absolutamente nada. É uma mentirosa que usa expressões falsas para convencer o público.

    Até tem o direito exclusivo de aparecer na televisão, onde usa o seu protagonismo para nos convencer que é alguém imparcial ou inocente.

    A Isabel Jonet é também o resultado da sociedade doente que se está a viver. O seu rosto e a sua maneira de ser pertencem ao passado mais remoto deste país. A sua mentalidade vem dos tempos da Inquisição, em que a Igreja falava e convencia as pessoas, como ela tenta convencer.

    Isabel Jonet é, de facto, uma enorme carência humana.

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  2. O que a senhora Jonet queria dizer era:
    "Como factores determinantes para as situações de pobreza e de exclusão social surgem o desemprego, os baixos salários e reformas, a deslocalização de empresas, a precariedade laboral mas também as crescentes dificuldades de acesso à Saúde, à Educação, à Justiça ou simplesmente à informação. "
    http://www.omilitante.pcp.pt/pt/292/Social/193/Causas-da-pobreza-e-da-exclus%C3%A3o-social.htm

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  3. É típico da canalha atacar o mensageiro para evitar a mensagem.
    «Há profissionais da pobreza.»
    O sentido mais óbvio é o de que há gente que primeiro pergunta "Onde posso encontrar um ou vários subsídios dos quais possa viver" antes de se questionar "onde encontrar trabalho do qual possa viver".
    Sendo essa atitude da mais transparente racionalidade económica, as virgens comunas todas se arrepiam de que se possa pôr em dúvida o anaçiável direito de viver por conta do colectivo, o isco propagandístico essencia ao caminho que há-de conduzir a parasitagem à emulação socialista pelo trabalho!

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  4. A virgem Jose e a sua «anaçiável» Isabel Jonet.

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  5. José, volta para África não queremos retornados frustrados.

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  6. É típico da canalha tentar esconder a hipocrisia e a sem vergonhice dos da sua laia , tentando fazer passar a mensagem que se trata apenas de "ataque ao mensageiro"

    Desta forma pseudo-acéfala e manhosa se tenta calar o dever cívico de desmascarar uma que é de facto "uma profissional da pobreza" .Que não faz mais nada do que isso mesmo e que, com um descaramento incrível, propagandeia a caridadezinha enquanto estigmatiza os desempregados.

    Jose não gosta que se aponte a desfaçatez da jonet porque gosta das alarvidades da burguesa com a qual se identifica e com a qual partilha os mesmos interesses de classe.

    Há também profissionais da tortura e há a canalha que a apoia e sorve os gostos e os gestos.

    Cito a afirmação espantosa do jose em que este procura justificações para a defesa da tortura, assumindo a sua autêntica face de émulo dos carrascos.
    Ipsis verbis: "a tortura que visa obter a verdade sobre acções que ameaçam quem o torturador tem o dever de defender"

    Adivinha-se os tiques,o cheiro,as fauces escondidas por baixo dos panos típicos. Mas adivinha-se uma coisa bem pior. É que já é não apenas a manápula estendida no gesto típico e o urro aberto na goela escancarada. É já a matraca que desponta, a lâmina afiada que se agita pronta para o golpe e a arma aperrada para o golpe traiçoeiro.

    Ora estes mensageiros têm que ser devidamente identificados e desmascarados.
    Sejam jonets ou estes "joses"
    Porque esta canalhada anseia pela hora dos chacais, ansiosa pelos golpes à pinochet, com o aval dos boys da escola de Chicago e seus discípulos servis.

    De

    De

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  7. Muito estranha a postura deste «Jose». Parece gostar de vir aqui ler os artigos e depois de ser maltratado.

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  8. A observação, de estados de indigência ideológica que sobrevivem agarrados a rótulos e palavras-chave que incansávelmente querem ver repetidos em solos e corais da mais duvidosa harmonia, sempre confirma que não há limite conhecido para a irracionalidade humana!

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  9. Traduzindo:

    A palavra-chave do jose é a tortura. O rótulo é a caridadezinha. Os solos os corais são as missas rezadas papadas nos encontros privados entre salazar e cerejeira. De qualquer das formas é consenso nos círculos ditos civilizados que a tortura é um excelente exemplo para os "não limites da irracionalidade humana" e para a animalesca barbárie que assumem os seus defensores.

    A indigência humana passa também por aqui. Um conhecido patife defendia em tempos "os safanões a tempo" como forma de lidar com a oposição.
    Outros pulhas tomaram nas mãos a palavra de ordem do pulha em questão

    De

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  10. Interessante, Jose, mas parece ser isso o que você escreve no seu blog "A Chispa". Enfim, é a irracionalidade humana a funcionar.

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  11. Lá vem a propaganda à chispa mais as toscas piruetas de DE!

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  12. De lembrar que "os partidos socialistas, sociais-democratas e trabalhistas os grandes impulsionadores do neoliberalismo na Europa e nos seus respectivos países (foram eles) que em algumas áreas sociais, trocaram as políticas sociais por políticas assistencialistas, para amenizar alguns dos efeitos mais dramáticos do neoliberalismo, sem que contudo o fosso entre ricos e pobres deixasse de se agravar, relativa e absolutamente, não só por os mais ricos terem cada vez mais e os mais pobres cada vez menos, mas também por os mais ricos serem cada vez menos e os pobres cada vez mais"

    Dum texto de JM Correia Pinto.

    As jonets tiveram quem lhes abrisse a porta de forma mais ou menos escancarada.

    De

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  13. A UE tem 7% da população mundial, 20% da economia e 50% da despesa social.
    Só falta mesmo servir pequenos almoços na cama!

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  14. Parece que o pequeno almoço na cama é reservado na óptica do jose aos torturadores que admira e que defende.
    Ou para a grande burguesia que apadrinha e que benze.

    Mas este jose fala em população, em economia, em despesa social (adivinha-se a garra ao alto e o esgar de ódio). Mas o coitado "esquece-se" de falar nas percentagens da distribuição dos rendimentos.Dos que vivem do seu trabalho e dos que vivem do trabalho alheio, apropriando-se da exploração da mão de obra

    Enfim,adivinha-se outra coisa. A inveja que jose tem que a europa não siga os exemplos dos outros em relação a tal despesa social. Por exemplo do estado islâmico. Estes têm uma solução eficaz para a tarefa e tem uma abundancia notável de carrascos.
    Um paraíso para jose

    De

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  15. (O vómito que os que defendem a tortura e os torturadores me fazem?
    Correcto
    E os que salivam contra o desenvolvimento humano ? Também)

    Avancemos no debate das questões sociais:

    "A economia política ao serviço do capital impôs uma lógica axiomática, da qual resultou o neoliberalismo, destacando-se neste processo os srs. Hayek e Friedman. Mesmo desmentida pelos factos e posta ao serviço de horrorosas ditaduras, a argumentação baseada nessa lógica dava os subterfúgios necessários à exploração capitalista, permitindo contestar quer o marxismo quer o keynesianismo, vendo um tão ameaçador como o outro para os interesses do grande capital e multinacionais.

    As sociedades europeias estão dominadas por axiomas como a eficiência dos "mercados" financeiros, o euro como moeda única, a UE como espaço de democracia e progresso. Se não se começar por contestar esses axiomas a crítica é apenas circunstancial, não sai da lógica do sistema. O discurso de ministros, deputados da maioria e do PS, comentadores, pode então ser perfeitamente lógico… mas sem relação com a realidade ou incapaz de a alterar. A sua coerência tem a ver apenas com os axiomas assumidos: sem estes a assertividade e o país das maravilhas de Coelho, Portas & Cia, não passa de um baralho de cartas.

    Para além das invocações propagandísticas, os axiomas que referimos funcionam como se as pessoas não existissem, fossem descartáveis; tratados ao nível da peça de mobiliário da empresa: um custo. A noção de necessidades sociais simplesmente não existe. Para se ser eficiente é preciso ser-se anti-social. Dizia o sr. César das Neves: "Direitos são muito bonitos mas é preciso pagá-los". (RTP, INF, Contas Certas. 8/5) Por outras palavras: os direitos da agiotagem estão antes do das pessoas. Os seus axiomas levam-nos a subordinar a utilidade social aos interesses financeiros e monopolistas.

    Os apoios sociais, o próprio salário, são considerados uma concessão ao nível da esmola, nunca como direito humano e apenas para que a pobreza não chegue a gerar revoltas que ponham em causa os seus axiomas.

    Os mercados são considerados entidades absolutamente racionais e eficientes. É falso. Os "mercados" são entidades corruptas, fraudulentas, que convivem com o dinheiro do crime organizado, que apenas se guiam pelos seus interesses e que transformaram em legal o que ainda há escassas décadas era crime (paraísos fiscais, livre transferência de capitais, fuga aos impostos, etc.).

    A partir do momento em que tudo fica nas mãos dos "mercados" e do que isto significa em termos de poder político e social, o mito liberal da igualdade, o "personalismo" democrata-cristão ou o "Estado Social" do PS, vão para o caixote do lixo da retórica, pois, como proclamam os srs. César das Neves, M. Carreira, V. Bento, etc., "só podemos ter o Estado que podemos pagar", ou seja, só podemos ter a democracia e a solidariedade social que os detentores do dinheiro permitam em função dos seus interesses.

    O sr. Vítor Gaspar definiu bem o nível axiomático, das políticas atuais: "A questão não é sobre as regras que estão definidas e são reconhecidas (!) é sobre a qualidade da execução". (debate no ISCTE em 19/4) Os alquimistas do século XVIII não falavam de forma diferente.

    Daniel Vaz de Carvalho
    Daqui:
    http://resistir.info/v_carvalho/tabus_e_alternativas.html

    (De)

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  16. "Jose disse...

    A UE tem 7% da população mundial, 20% da economia e 50% da despesa social.
    Só falta mesmo servir pequenos almoços na cama!"


    E o que têm a ver esses numeros com as condições miseráveis em vive parte da população Europeia?


    Deduz-se daqui que os milhões de Europeus que vivem na miséria são uma cambada de malandros?


    Ainda não há muito tempo fiz uma viagem de comboio de Varsóvia para Minsk e não é que em qualquer estação da Polónia vi sempre idosos e crianças a mendigar, raparigas jovens a prostituir-se.

    Entrei na Bielorrussia deixei de ver esse espetaculo degrandante. Será que os Bielorrusos são mais amigos de trabalhar que os outros Europeus? Ou é porque na Bielorrussia existe maior justiça social e melhor repartição da riqueza produzida ?


    Por enquanto na Bielorrussia 80 % da economia ainda está nas mãos do Estado e como tal isso faz com que seja hoje o unico país daqueles que faziam parte da URSS que conseguiu ultrapassar o PIB de 1991 .


    Aguardo outra explicação.

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