Daqui ___________________ ali, já não há nada a perder

domingo, 18 de maio de 2014

É fácil ouvir a desesperança nas palavras quotidianas. Na verdade, a economia "de mercado", a obsessão com défices, as "regras de ouro" acabaram por transformar, passo a passo, na mesmíssima estrada percorrida há muitas décadas, cada um de nós para cada um dos outros em mais um.

Mais um que consome recursos do Estado, mais um que rouba empregos, mais um que se vende cada vez mais barato baixando os salários de todos, mais um doutorado, mais um analfabeto, mais um sem subsídio de desemprego, mais um subsídiodependente.

Na verdade, a distopia apoderou-se de nós. Não há empatia ou simpatia, há inevitabilidades.

Olho para a televisão e a culpa é desses malditos sindicalistas que andam de mão dada com o governo em vez de estarem a trabalhar. Eu pago o meu passe e estes calões só têm regalias e eu vou chegar atrasada ao trabalho. Isto da faculdade não é para todos meu menino, contenta-te com um trabalhito e não digas que vais daqui. Estes pretos e estes brasileiros enchem isto tudo e depois não há trabalho para mim. Estes paneleiros andam para aqui a pedir para ter filhos, para quê? Para encherem isto tudo de maricas e chupar mais subsídios ao Estado? O que é isto das bolsas? Esta gente não faz nenhum, anda a ler livros e quer bolsas? Artista? Que é isso? Cambada de mamões sempre a chularem as Câmaras! O quê?? São todos iguais! É vê-los a discutir lá no parlamento e cá fora vão todos comer juntos. Isto era mandar os pretos e os ucranianos todos para o país deles.

Precisávamos era de obrigar toda a gente a trabalhar mal acabe a escola, para saberem o que é a vida. Manifestações? Cambada de chulos que andam aí sem trabalhar e a prejudicar a vida aos outros. Era um batalhão de polícias a dar-lhes cabo das trombas a ver se se manifestavam mais.

Eu nunca mais voto na vida.

Daqui ___________________________________ ali...é tão rápido quanto isto.

Convencer as pessoas de que não valem nada, despersonalizando-as, retirando-lhes tudo - retirando-lhes a dignidade - é um método demasiado conhecido. Explorando um estado de necessidade extrema, tudo se impõe. Terá nascido e sublevado um estado nacional-socialista a troco de nada?

Daqui - farto desta merda _______________________________________aqui - a culpa é dos imigrantes, dos desempregados, a culpa é tua!...não é preciso muito.

Já temos as ruas cheias por causa do futebol, o fado é património da humanidade e a inevitabilidade a política dominante. Já rezamos todos os dias pelo bem que a troika nos faz porque permitiu pagar salários e a televisão dá-nos o sermão da Nossa Senhora Luís e do São Cavaco ininterruptamente na primeira semana de eleições.

Daqui ____________________________________________ ali, já não faltará pouco.

18 comentários:

  1. Falta acrescentar o seguinte: «No tempo de Salazar é que era bom...»

    PS, PSD e CDS-PP, com as suas políticas de direita puxam a sociedade para a doença e a alienação. Tornam a democracia menos interessante, ao ponto de a maioria se abster. Aplicam as leis injustas que pouco têm a ver a com a verdadeira democracia, representada pelo povo e para o povo.

    No nosso caso, já sabem como vencer uma eleição. Se a maioria dos votantes está no norte do país e se este é maioritariamente um povo crente e supersticioso, é o eleitor mais fácil de influenciar a votar nas políticas de direita e nos partidos de direita (onde se inclui este PS, do Francisco Assis, do Sócrates e do António José Seguro). Através dos votantes nortenhos (que maioritariamente aceitam tudo), estes partidos de direita têm assegurada a sua oligarquia, há quarenta anos.

    Só através da participação activa de parte de alguns cidadãos e do povo; só através de uma intensa luta contra o caciquismo bacoco que existe nas juntas de freguesia do norte; só através de um enorme sacrifício é que conseguiremos vencer este tamanho obstáculo que é tornar este país num país livre e verdadeiramente democrático.

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  2. É verdade que a luta é dura e intensa, mas desengane-se quem pensa que desistir de combater o obscurantismo - que é a ante-câmara de qualquer fascismo - faz parte do nosso léxico.

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  3. Verdadeiro texto de esquerda, parabéns!
    É verdadeiramente de esquerda misturar o senso-comum com um basismo grosseiro e daí concluir que tudo há que refazer e que o futuro é algo a construir ex nuovo!
    É bem essa a idiotia de esquerda, que, de mal com o mundo e os homens, quer um futuro que ignora o presente e onde o homem é uma qualquer ficção saída de uma ementa delirante.
    Muito de esquerda, parabéns, está por isso dispensado de viver e lutar hoje, com as gentes de hoje, porque a sua existência é coisa do futuro!

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  4. Um excelente, um muito excelente texto.

    ( que também desperta entre os que repetem até ao obsceno as "inevitabilidades", a incomodidade de quem se sente destta forma exemplar desnudado e desmascarado)

    Um muito excelente texto.

    De

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  5. Lá tinha que vir o Jose ou "Xoné" com o seu reco-reco do costume. É o reco-reco da casa-de-banho lá de casa que ainda não foi limpa e que teima por mais uma escovadela na sanita, onde o Jose ou "Xoné" deixa ficar a trampa que depois vem aqui meter nos comentários. Pobre Jose ou... "Xoné".

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  6. Anónima da 22:18 -
    Rasca, foleiro, e tão imaginativo e original quanto o processo digestivo em que vê reflectido o seu talento!

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  7. ...e assim falou José ou "Xoné". Um artista português ou produto de uma sociedade em completo desnorte e decadência? Quem sabe?
    Diz-se que um dos problemas do Jose ou "Xoné" é a sua família. Ser filho de analfabetos políticos que não votam, porque já não acreditam em políticos é coisa que fica mal ao José ou "Xoné", por isso, quando lhe perguntam pelos pais, diz que vive com os avôs. Enfim, José ou "Xoné, um pequeno exemplo do reco-reco da nossa desgraça

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  8. "É bem essa a idiotia de esquerda, que, de mal com o mundo e os homens, quer um futuro que ignora o presente e onde o homem é uma qualquer ficção saída de uma ementa delirante. - "

    Que esquerda?

    Tudo o que não for Marxista/Leninista é burguesia, embora se auto-intitulem abusivamente de esquerda.


    Ora o Marxismo/Leninismo não usa o homem como ficção mas sim como individuio (sujeito) concreto no seio da sociedade e em harmonia com a natureza.

    Era tão bom que as pessoas antes de escreverem feitiches aparvalhados se dessem ao trabalho de conhecer sobre aquilo que escrevem.

    Não tinhamos o trabalho de corriji-los, claro.

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  9. «O homem ...como individuio (sujeito) concreto no seio da sociedade e em harmonia com a natureza».
    Eis um tema que me interessa. Pode elaborar sobre esse espécime marxista-leninista?

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  10. Lá está o José ... ou "Xoné" com aquela sua ironia ou piada em modo cretino e ocasional. É fantástico este Jose ou mais diria, "Xoné". Ao que parece, começou desde pequeno na retrete a gritar "viva a PIDE!" até chegar ao braço estendido em comícios e festas (ou até mesmo orgias) do PNR.
    O Jose ou "Xoné" é um querido. Tem assim uma faceta de ratinho, um pouco igual ao Topo Giggio. À noite, enquanto dorme, soluça como alguns bébés. Tão querido...

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  11. A coprofilia da anónima das 13:01 manifesta-se com derivações que ultrapassam qualquer barreira política...cuide-se!

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  12. "Eis um tema que me interessa. Pode elaborar sobre esse espécime marxista-leninista? -"

    Está escrito só tem que se dar ao trabalho de ler e saber interpretar.

    Até lá mantenha-se calado, só assim ficamos livres das suas asneiras por uns tempos.

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  13. Percebi! Saber interpretar deve ser o segredo...

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  14. O Jose ou "Xoné" começou de pequenino a ler os panfletos do Estado Novo, como também as revistas "Signal" do avô - um verdadeiro nazi. Tudo isto começa desde pequeno. Embora, haja dois tipos de ser humano: aqueles que aprendem e querem aprender e os outros. Pois, o Jose ou "Xoné" do "reco-reco" faz parte dessa classe "dos outros". Aquele cérebro muito pequenino tem origens muito pré-históricas. É coisa mesmo da idade da pedra ou será antes do pedregulho?

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  15. Alegra-me verificar melhoras...fica a literatura de cordel, nada que incomode.

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  16. "Jose disse...

    Percebi! Saber interpretar deve ser o segredo..."

    Mais que isso . Conhecimento. Cultura !

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  17. O nível dos comentários estão muito abaixo do do texto. Que criancice pegada que até insultos dão lugar a debate construtivo. Assim se perde a vontade de conversar, sequer.

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  18. Ai Caramba junta-se ao mesmo nível dos comentários já publicados. No que dá o moralismo de alguns...

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