Europeias: ou vai ou racha

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A CDU apresentou ontem o cabeça de lista para as eleições europeias. O João Ferreira, já deputado europeu neste último mandato, tem todas as condições para continuar a mostrar porque é daqueles que faz mesmo falta ao projecto democrático e progressista que a CDU tem vindo a construir ao longo de anos, quer no plano interno, quer no plano externo. O trabalho dos deputados e deputadas da CDU que passam pelo Parlamento Europeu, é não só elogiado pelos seus pares, como merece o nosso maior respeito pelas difíceis condições em que se desenrola.

As europeias são cada vez mais decisivas para o nosso futuro como pequeno grão de uma engrenagem continental bastante engasgada. O ataque liberal aos direitos dos trabalhadores e aos rendimentos do trabalho continuam sem dar tréguas, é fundamental que o Partido Popular Europeu perca a sua influência, de preferência com um reforço do GUE/NGL, que não sendo um grupo perfeito, longe disso, é o único que pode forçar uma alteração visível de políticas na União Europeia. Do grupo dos socialistas, já nada se espera, principalmente depois do seu último príncipe, François Hollande, ter espatifado todas as suas promessas eleitorais, como habitual naquela família política.

Mais do que nunca, estas eleições vão opor o capital ao trabalho. Um capital que impôs uma moeda única frágil, mal implementada e desenhada para subjugar os países mais pobres aos mais ricos. Como lembrou ontem o João, na última década, o crescimento da economia nacional foi zero, contrariando assim aqueles que afirmaram a pés juntos que com o Euro, o céu era o limite. 

Esta campanha servirá para mostrar mais uma vez que a austeridade imposta pela troika, da qual fazem parte duas instituições europeias, BCE e UE, tal como o Euro, é mais uma manobra para extrair e concentrar de forma rápida e eficaz a maior quantidade possível de rendimentos nas mãos de muito poucos. 

Por outro lado, veremos a CDU e as outras forças europeias que se aproximam do seu projecto, a afirmar que o contrário da austeridade não é despesismo barato e ao desbarato, não é demagogia económica e um plano impossível de levar o cabo. O contrário da austeridade, é utilizar os recursos existentes de forma justa e tendo como única preocupação a eliminação das desigualdades. O contrário da austeridade é afirmar a Democracia dos Povos. 

Virá, como vem sempre, a velha história de ser preciso mais ou menos Europa. O debate, para além de gasto e de pouco excitante, tem um desfecho previsível, porque o resultado está bem à nossa vista. A discussão nestas europeias deveria ser em torno do modelo europeu que queremos e da (im)possibilidade de, com estes actores políticos e estas imposições económicas e financeiras, se alterar o rumo político da União Europeia e evitar a sua própria extinção. Para isso, talvez seja bom começar a debater as consequências de uma saída isolada ou em grupo da moeda única e quais as vantagens e desvantagens dessa mesma saída. 

Esperemos que esta campanha para as eleições europeias nos de o prazer de voltamos a falar de política a sério e das verdadeiras opções que a União Europeia e os seus povos devem tomar. E já agora, que nas urnas a CDU se reforce, e quem sabe aumente o número de eleitos, estamos cá todos e todas a trabalhar para isso.

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