Luta contra a Direita na América Latina

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Amanhã Dilma Rousseff será provavelmente afastada formalmente do cargo de Presidente do Brasil por Senadores (esses sim) corruptos, oportunistas e irresponsáveis, ao serviço da burguesia nacional e estrangeira. A frontalidade exemplar de Dilma perante os acusadores contrastou com o medo do presidente interino, Michel Temer, em ser apresentado durante a cerimónia de apresentação dos Jogos Olímpicos. A acusação de golpe de estado não é mera retórica: a direita brasileira não tendo conseguido derrotar o PT nas urnas, usa acusações juridicamente insuficientes para um processo de impeachment – com o apoio dos media e manifestações reaccionárias – para afastar Dilma, e imprimir um processo acelerado de retrocesso social.
Na Bolivia, os mineiros corporativistas organizam manifestações para garantir interesses privados na exploração dos recursos minérios – que a Constituição da Bolivia garante serem propriedade do povo Boliviano e serem administrados pelo Estado. Não são manifestações de trabalhadores minérios em torno de reivindicações laborais, mas pequenos patrões que impulsionam um movimento conspirativo e golpista. Entre as suas exigências inclui-se impedir a sindicalização nas suas empresas; revogar a Lei Mineira e Metalúrgica que impede o investimento de empresas privadas nas cooperativas mineiras; e flexibilizar a regulamentação ambiental (ver). A natureza provocatória deste movimento foi reforçada pelo ministro Boliviano, Carlos Romero, que assegurou 2ª feira que "entre os mineiros cooperativistas, que causaram a morte de 4 cooperativistas e do vice-ministro do Interior Rodolfo Illanes, se encontram grupos que querem restituir a privatização do sector mineiro." (ver)
Na Venezuela, a governo Bolivariano tem sido alvo de manobras imperialistas aliadas à direita nacional, um processo que pretende culminar no próximo 1º de Setembro, no que a oposição – aglutinado na Mesa da Unidade Democrática (MUD) – chama de "Tomada de Caracas", e que poderá vir a constituir uma jornada provocatória da extrema-direita com vista a aprofundar a desestabilização do país.
Recorde-se a ordem executiva dos EUA – aprovada em Março de 2015 e recentemente prorrogada por Barack Obama – que considera a Venezuela uma «ameaça inusual e extraordinária para a segurança nacional e a política externa» dos Estados Unidos. As pressões dos EUA aumentam na preparação da "Tomada": na passada 5ª feira, foi anunciado que mais de 30 congressistas dos EUA pediram aos Secretários de Estado e Tesouro para imporem mais sanções à Venezuela e seus oficiais, considerando que “a democracia está falhando” na Venezuela.
Mas tal como no Brasil e na Bolívia, também na Venezuela o povo virá à rua defender as suas conquistas. A luta será dura.

5 razões para ir à Festa do Avante!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Para quem nunca foi à Festa do Avante! aqui ficam cinco boas razões para o fazer este ano pela primeira vez:

Rio2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Tenho grande dificuldade em reflectir de forma racional sobre os JO. Por razões de natureza pessoal, que não vou detalhar neste espaço, e por razões ideológicas, que afastam a minha visão dos Jogos daquela que é dominante no conjunto não apenas da sociedade portuguesa mas também, temo bem, por esse mundo fora.

Cresci a ver os Jogos, a treinar ao lado de atletas olímpicos, a ambicionar participar nos Jogos e a beber tudo aquilo que, há vinte anos, a televisão, os jornais e as revistas davam a conhecer sobre o mais importante evento desportivo-competitivo do calendário da maior parte das modalidades que foram até há alguns anos atrás predominantemente amadoras.

E porque vivi por dentro, de certa forma, a obsessão olímpica sinto-me sempre bastante dividido na hora de olhar os vários Jogos que existem dentro dos Jogos. Tenho uma opinião sobre os JO enquanto evento, hoje totalmente desligado do chamado "espírito olímpico", e outra bem diferente sobre a generalidade dos torneios olímpicos, que são a essência daquilo que resta do movimento olímpico acarinhado por atletas, treinadores e comunidades desportivas nacionais.

A ameaça de João Figueiras, produtor de cinema da Blackmaria, a uma denúncia por salários em atraso

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Calmamente ao ler os meus emails hoje, dei com uma resposta no mínimo inusitada, por parte de um fundador de uma produtora de cinema. Não direi muito sobre o assunto, a não ser que depois da resposta o exortei a tentar.

Esperava, com alguma normalidade, que este dia chegasse. O dia em que alguém me ameaçasse por denunciar abusos, violações da lei. Longe de mim pensar que fosse alguém que o fizesse por escrito (...), ligado ao cinema, com financiamento do Estado, bem relacionado.

A «erradicação da fome» e a fome de revolução

domingo, 14 de agosto de 2016

Estamos no ano da graça do senhor de 2016 e há 800 milhões de seres humanos a morrer de fome. É esta a principal conclusão do Relatório de Desenvolvimento Sustentável da ONU agora apresentado e que passou completamente ao lado da nossa comunicação social. Antes, porém, de prosseguirmos é mister refazer esta pergunta gasta e tantas vezes repasta nas bocas dos comunistas: como é possível que sejamos capazes de fotografar exoplanetas nos confins da imensa e opaca treva interestelar, e encontremos formas de levantar o véu que oculta o mistério da massa e a origem de todas as coisas, e consigamos reprogramar e fazer células para dobrar a própria natureza humana, e possamos tudo e tanta coisa, epigenomas, água em Marte, máquinas em asteróides… e ainda assim, em desafio a tudo isto, não sejamos, enquanto espécie, capazes de conseguir algo tão ofensivamente elementar como evitar que uma em cada oito das nossas crianças não passe fome?

Mais uma «liana» de PSD e CDS

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Primeiro foi a mais que provável, adivinhável, programada queda do governo: não resultou. Depois foi a tentativa de granjear simpatias com a polémica dos colégios privados: também não lhes trouxe simpatias nenhumas, pelo contrário. A seguir vieram as sanções e as ameaças “da Europa” contra “o país”, contra o governo, numa “previsível catástrofe” que só se resolveria se Maria Luís Albuquerque “ainda lá estivesse”: também foi o que se viu. Ora, a que espécie de “liana” se hão de agora agarrar CDS e PSD, que navegam à vista, sem rumo definido, notoriamente incapazes de fazer oposição política com o mínimo de seriedade e bom senso? Quase que se podem ouvir as ordens a ecoar pelas paredes da São Caetano à Lapa: «Para atacar o governo, o PCP ou o BE qualquer coisa, pá! Qualquer coisa serve!»