Alteração aos recibos verdes - o abraço do urso

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

É com pompa e circunstância que alguns que se declaram «inflexíveis» e, claro, o sempre presente na ribalta dos equívocos, José Soeiro do Bloco de Esquerda falam em avanço civilizacional e outros quejandos. Já estamos demasiado habituados a que alguns deputados saibam pouco (ou nada) do que falam, mas desta vez é levar o foguetório ao insulto para quem trabalha a recibos verdes e, sobretudo, falsos recibos verdes. E porquê? O acordo alcançado somente negociado entre BE e PS - pergunto eu porque excluíram PCP e sindicatos, já sabendo a resposta - vai muito mais longe do que a direita alguma vez teve coragem.

O detalhe

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Figura essencial do Portugal democrático. Génio. Implacável. Exigente. Visão de futuro. Estratega. Império. Riqueza. Começou do nada. Marcante. Determinação. Trabalho. Empenhamento social. Gerador de milhares de empregos. Têm sido estas as palavras ouvidas e lidas durante todo o dia sobre Belmiro de Azevedo. Uma pessoa maravilhosa, um dos 1.200 mais ricos do mundo. Independentemente de tudo, dizem, conseguiu criar uma enorme empresa.

PS: um jogo novo?

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A brilhante intervenção do Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares no encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2018 é a prova de que o Partido Socialista pode constituir-se como força de esquerda através da alteração da correlação de forças entre PS e PCP no quadro geral da Assembleia da República.

Agora que já tenho a vossa atenção, vejamos os 3 motivos principais por que é falsa a afirmação anterior:

Pedro M. Madeira Rolo Duarte

O Pedro Rolo Duarte foi militante da União dos Estudantes Comunistas. Tinha 13 anos, chumbou o ano por faltas e a Geninha Varela Gomes teve que aguentar a fúria da Maria João Rolo Duarte. Com toda a razão de mãe, a mãe do Pedro, por sinal nossa mãe, desfiava o sermão para a controleira do Pedro e gáudio do António, o mano velho e minha alegria chilreante. Ouvíamos escondidos e ríamos que nem uns perdidos porque o puto charila tinha sido apanhado e o que se adivinhava seria um castigo daqueles muito bons, reconfortantes para todos os irmãos que se querem irmãos embirrantes, irritantes, chatos como a potassa (expressão misteriosa, o que terá a potassa para a destratarem assim?). E não, o Pedro não foi castigado e aqui se percebe como a vida é injusta.

Ao cuidado de Miguel Gomes e do cinema

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Quando o Governo PSD/CDS fez aprovar a lei do cinema em 2012, num contexto de penumbra e falta de recursos, o sector foi seduzido por um discurso de abundância que só o PCP combateu.

O financiamento da criação e produção cinematográfica em Portugal esteve sempre demasiado dependente da participação de privados, com excepção dos anos logo após o 25 de Abril de 1974, durante os quais o Estado assegurava um financiamento com base nos princípios do empréstimo, garantindo os recursos a todos os que apresentassem um projecto que cumprisse os critérios técnicos necessários e recebendo de volta os fundos emprestados apenas quando a bilheteira o permitisse. Esse regime, limpo de critérios de gosto e de imposições estéticas ou mercantilistas, durou pouco e foi liquidado pelo primeiro Governo PS, logo em 1976. O PS começava cedo a mostrar ao que vinha também no cinema.

O mui ferido orgulho nacional

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Vós, que vos indignais pelas pedras ofendidas do Panteão Nacional e que me ledes com o orgulho, também ele nacional, ferido de morte porque vos profanaram a Bandeira Nacional num tapete de hotel, respirai fundo. O que me diríeis se soubésseis que a dignidade nacional de 500 mil crianças nacionais é diariamente desrespeitada? São 500 mil crianças a viver numa pobreza mais abjecta para a Nação do que mil tapetes de hotéis do Porto a que os ímpios apólidas limpam a merda dos sapatos.

Mas não é tudo, ilustres compatriotas: mesmo enquanto me ledes, os nossos egrégios avós, desesperados de dores, pulseira amarela, com sorte vermelha, atravancam os corredores dos serviços de urgência deitados em macas (porque não há camas), nove horas à espera (porque não há médicos), a pagar a taxinha moderadora à saída (se a família não os deixar lá).